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06/03/2011 - 00h12

Na volta à elite, Nenê correu o mundo ao contar a história do sal

Da Redação
  • Ângela Bismarchi, madrinha de bateria da escola, mostra sua fantasia que representa o uso de sal na produção de joias (5/3/2011). Escola conta a história do sal em seu enredo

    Ângela Bismarchi, madrinha de bateria da escola, mostra sua fantasia que representa o uso de sal na produção de joias (5/3/2011). Escola conta a história do sal em seu enredo

Teve correria, lágrima, confusão e até a tentativa de se "lavrar uma ata" oralmente após um atraso de mais de trinta minutos para o começo do desfile da Nenê de Vila Matilde, na abertura da segunda e última noite de desfiles do Grupo Especial de São Paulo. Quando o cavaquinho finalmente "chorou", sob ordens do puxador-de-samba Royce do Cavaco, gritos de "A Nenê voltou" ecoaram pelo sambódromo e a história do sal foi contada no Anhembi.

De volta à elite do samba paulistano, mas ainda saudosa da presença do fundador Alberto Alves da Silva (seu Nenê), que morreu em outubro do ano passado, a Nenê fez um desfile emotivo e até emocionante, com direito a efeitos especiais, mas também com alguns pequenos defeitos.


A comissão-de-frente da escola buscou sua inspiração na Bíblia, algo recorrente no carnaval deste ano, ao se valer da história das cidades de Sodoma e Gomorra, desobedientes a Deus, e da saída da família de Ló do local, que seria destruído. Contando com atores da Oficina Uzyna Uzona, do diretor Zé Celso Martinez Corrêa, a ala trouxe integrantes com seios à mostra, mas também uma intérprete da mulher de Ló que se transformou em uma estátua de sal -- na verdade, um truque digno de shows de mágica, com direito a parede falsa, nuvem de fumaça e uma segunda atriz com outra fantasia. Tudo perfeito para quem acompanhou da arquibancada, mas não para os telespectadores, que tiveram o efeito estragado pelas imagens em close da Rede Globo.

Dentro do enredo “Salis Sapientiae – Uma História do Mundo", a escola ainda relatou o uso no sal nos banquetes, representação do carro abre-alas, que contava ainda com a tradicional águia articulada, símbolo da Nenê, que embora se movimentasse (de forma restrita), sofreu a perda de pequenas partes de sua cobertura, antes mesmo da entrada da escola. A ala das baianas se valeu das propriedades químicas do sal, que pode provocar queimaduras por reagir com a água do corpo. Outra ala fez referência à região do lago Hallstatt, na Áustria, berço arqueológico e sede sas primeiras minas de sal da Europa. A China, com seu uso do sal como moeda de troca, bem como o pagamento de tropas no Império Romano, origem do termo salário, também foram lembrados, com direito a outro carro gigante, reproduzindo Júlio Cesar. Os métodos de conservação de múmias no Egito antigo, com sal, também foram celebrados pela escola.
 

O suposto uso do sal em diferentes rituais profanos ou sagrados serviu de mote para misturar diferentes religiões e divindades de diversas partes do mundo em uma das alas, num dos momentos confusos da narrativa do carnavalesco Delmo de Moraes. O enredo ainda contou como o sal teria motivado disputas e revoltas na França, bem como ajudado a selar acordos entre o Brasil e a Inglaterra, ainda no período do reinado de D. João VI. 

A bateria de mestre Teco, com 240 integrantes que seguiram os proceitos do samba antigo, também deu espetáculo trajando fantasias que resplandenciam em azul e sincronizando suas batidas e paradas, mais cadenciadas, ao ritmo do samba cantado por Royce do Cavaco. À frente da ala, a madrinha Angela Bismarqui, a musa Tânia Mara e a rainha Kimberly Muriel.

Na parte final do desfile, um carro com galinhas enormes, taças ainda maiores e um caldeirão gigante manipulado por um barbudo cozinheiro/alquimista (com manta de bruxo e chapeú de mestre-cuca) mostrou o uso culinário, dos cozidos ao churrasco gaúcho e à feijoada. Houve tempo ainda para contar as últimas agruras do Grupo de Acesso do Carnaval (equivalente à segunda divisão), de onde a escola saiu com "sangue, suor e lágrimas" e muitos "banhos de sal grosso", e para homenagear o fundador da escola, no último carro, que além de membros da velha guarda da escola trouxe uma escultura que acenou o tempo todo para o público, trajando roupa branca e chapéu, ao melhor estilo de seu Nenê.

Veja trechos do desfile da Nenê de Vila Matilde

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