"Maratonista da voz", Alinne Rosa conta que já passou 12 horas em cima do trio sem fazer xixi
Adriana de Barros e Mariana Pasini
Do UOL, em São Paulo
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Reinaldo Canato/UOL
Alinne Rosa em show da Banda Cheiro de Amor no Festival Planeta Universitário, em São Paulo (05/12/2010)
Não tem sido fácil conseguir uma brecha na agenda de Alinne Rosa. Após atuar na minissérie “O Brado Retumbante” e em meio à preparação para o Carnaval, o que envolve broncas da fonoaudióloga para descer do trio e não forçar a voz, a rotina da cantora está corrida. “Aqui no Carnaval não dá para vacilar!”, conta ela ao UOL.
Mas Alinne não se intimida. Mesmo com a voz rouca do outro lado do telefone, é entusiasmada que ela fala sobre os planos da banda para a festa deste ano e conta sobre os desafios que já encarou durante o Carnaval – cantar por durante 12 horas sem nem parar para fazer xixi é apenas o começo da história.
Ela fica tímida apenas quando questionada sobre Alessandra, a “danada e jeitosa” amante do presidente que interpretou na minissérie da Globo. Apesar de Alinne não se identificar com a personagem (“Dela, eu só tenho o sotaque!”), a cantora brinca que, após encarná-la, ficou se sentido “a Fernanda Montenegro!”.
Veja a seguir os melhores momentos da entrevista com Alinne Rosa.
UOL – Qual será a música tema do seu Carnaval este ano?
Alinne Rosa – A gente está agora trabalhando a música “Me Agarra”, que vai entrar no CD novo. Apostamos muito nela. Está tocando em shows aqui em Salvador e também no Brasil afora e tem tido uma resposta muito bacana. [A música] é de um amigo meu, Ramon Cruz, que é um grande compositor, faz música para um monte de gente bacana. E eu achei a cara do Carnaval, porque ela fala de amor... A letra é bem assim, fala das coisas que a gente faz no Carnaval, né? Que é se agarrar, se beijar... Tem bem a ver com a folia.
É muito tempo cantando e pulando. E tem vento... Não existe outro lugar no mundo em que o cantor passe tanto tempo cantando como em Salvador. Minha fono e minha banda costumam falar que nós somos maratonistas da voz
UOL – Qual será o estilista responsável pelo seu figurino este ano?
Alinne Rosa – Será o Victor Dzenk. É a segunda vez que a gente faz essa parceria, que ele faz meus vestidos de Carnaval. Está ficando superlindo! Tem um vestido que eu vou fazer a última prova essa semana. Ele tem um toque sofisticado. Gosto dele porque a gente se entende nas nossas ideias. Ano passado eu gostei muito do resultado, esse ano está ficando lindo também!
UOL – Ano passado você estreou no circuito da Barra-Ondina. Este ano você continua lá?
Alinne – É, esse ano de novo. A gente vai com o bloco Cheiro [de Amor] na terça-feira [21, às 16h30] mais uma vez, e eu também vou estar com o Bloco Yes, que é no sábado [18, às 21h], no circuito Barra também. Vão ser dois dias na Barra e dois dias no Campo Grande.
UOL – Qual foi o maior tempo que você já passou em cima do trio cantando?
Alinne – Nossa, eu já fiquei 12 horas! Acho que tem três anos. Engarrafou, aqui tem muito engarrafamento de trio, e acabei ficando 12 horas cantando sem parar, sem fazer xixi. Eu até brinco que foi um recorde.
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Alinne Rosa canta no circuito Campo Grande no Carnaval 2011; esse ano ela repetirá a dose
UOL – Como está a preparação para a maratona?
Alinne – A nossa agenda está bem cheia. Essa semana mesmo a gente fez show de quinta a segunda, aí hoje eu estou aqui descansando um pouquinho, mas daqui a pouco já levanto e vou pra academia. Porque aqui no Carnaval não dá pra vacilar! Eu gosto de correr bastante, todos os dias eu faço uma pequena corrida, de vinte a trinta minutos, só para manter o pique, para aguentar a maratona dos trios. A minha rotina mudou um pouco de dois meses para cá. A alimentação mudou, estou evitando doce, evitando fritura, estou seguindo uma dieta certinha. E também há os exercícios. Fora a fono[audióloga], fora o acompanhamento com otorrino[laringologista], para deixar a voz ok para o Carnaval inteiro.
UOL – A voz fica muito afetada?
Alinne Rosa – É muito tempo cantando e pulando. E tem vento... Não existe outro lugar no mundo em que o cantor passe tanto tempo cantando como em Salvador. Minha fono e minha banda costumam falar que nós somos maratonistas da voz, porque exige um cuidado mais profundo por conta do tempo que a gente fica cantando e agitando... Às vezes a gente grita um pouco... Então tudo isso tem que ter acompanhamento. Eu faço fono ao longo do ano e também a otorrino me acompanha, às vezes a fono também me acompanha no trio... A otorrino fica de prontidão para qualquer eventualidade. No ano retrasado, por exemplo, eu tive pneumonia em pleno Carnaval. Foi muito difícil fazer... Eu passei o Carnaval todo, no trio, acabava o trio, eu ia para o hospital. E não falei para ninguém. No último dia do trio eu falei... “Hoje é o último dia do trio e eu vou falar para vocês, não é para ficarem preocupados, mas eu passei o Carnaval inteiro com pneumonia...”. Se eu não tivesse esses cuidados, com a otorrino do meu lado, podia ter sido pior. É sempre bom cuidar e manter uma preparação, para numa eventualidade estar tudo esquematizado para correr bem.
Ai, elas [médicas] querem que a gente desça [do trio] para fazer exercício e a gente não quer descer mais! Eu levo umas bronquinhas também. Porque quando você sobe no trio, não quer mais parar. Quer satisfazer de todas as formas o folião.
UOL – Você leva muita bronca da fono e da otorrino?
Alinne – Ai, elas querem que a gente desça [do trio] para fazer exercício e a gente não quer descer mais! Eu estou lá no trio, não quero parar mais. E elas, “Para! Para, que amanhã tem mais! Olha a voz!”. Eu levo umas bronquinhas também. Porque quando você sobe no trio, não quer mais parar. Quer satisfazer de todas as formas o folião. Então quando pede para descer, é difícil.
UOL – E para atuar em “O Brado Retumbante”, como foi a preparação?
Alinne Rosa – Foi uma surpresa, para mim, mesmo, esse convite da Rede Globo. Eu nunca tive pretensão de ter carreira de atriz ou atuar. E eles me fizeram o convite e fiz com o maior prazer, foi muito divertido. Eu tive uma pequena preparação com a Isabela, que é a preparadora da Rede Globo, mas foi pequena mesmo. O dia em que eu ia gravar, eu passava o texto com ela, ela me passava o tom que eu tinha que dar para a personagem, a Alessandra, e foi bem bacana. Acabei me divertindo muito, todo o elenco me ajudou, me deu força, me deu dica... E toda a equipe também, o técnico, os diretores, me elogiaram, até, o meu trabalho, e eu fiquei superfeliz, super... Me achando a Fernanda Montenegro! Eu brincava, “Peraí, que Fernanda Montenegro vai entrar em cena!”. [risos] Toda a equipe da Rede Globo foi muito carinhosa comigo, mudou data por conta dos meus compromissos de show... Eles foram assim, super maleáveis comigo.
UOL – E a cena de beijo?
Alinne Rosa – Ah, a cena de beijo foi a mais complicada, né? As primeiras gravações eu tinha que fazer tudo sozinha. Era gravação de sair falando no telefone... Aí quando eu tive mesmo que gravar com o Domingos [Montagner, que interpretou o presidente Paulo Ventura] aí ficou difícil, eu estava meio tensa... Eu estava, “Como é que a gente vai fazer o beijo? É beijo, é agarração?”. Eu fiquei meio tensa, assim, mas foi na hora em que a gente se encontrou e a gente passou a cena que eu vi que era tranquilo. E o Domingos foi super, assim, carinhoso comigo, me adiantou como que era; ele, que é um ator experiente... Então me deixou super tranquila. Teve cena que eu tive que fazer sem a parte de cima do biquíni. E umas fotos que tive que fazer, e eu falei, “Caraca, é isso mesmo?”, fiquei meio tensa... Mas foi tudo assim de uma forma bem profissional, e eu achei que ia ser mais difícil de fazer mas no final foi supertranquilo.
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Alinne Rosa interpretou Alessandra na minissérie "O Brado Retumbante"
UOL – Você se identificou com a personagem?
Alinne Rosa – Não [risos]! Não tem nada a ver comigo! Ela era casada com um senador e amante do presidente. É uma mulher bem danada e jeitosa! Mas acho que, dela, eu só tenho o sotaque! [risos]
UOL – Você encarna personagens no trio elétrico e durante o Carnaval. Isso ajudou na minissérie?
Alinne Rosa – Eu já lido com câmeras e tudo, quando tem TV cobrindo, mas é diferente. Ali no trio, ou quando sou eu no palco, é um personagem mas ao mesmo tempo sou eu, então, ali, eu estou encarnando eu mesma, não é um personagem, não estou vivendo outra pessoa. Na minissérie, essa coisa de ser outra pessoa foi meio estranha. Eu tive que falar algumas coisas que normalmente eu não falaria. A Alessandra era meio “caliente”, né? Tinha umas coisas que ela fala, assim, com o presidente que era, assim, demais. E eu fui, “Ai, eu vou falar isso aqui mesmo? Caramba!”. Aí eu falei, “Não, não sou eu, é um personagem, eu encarno, e vai sair”. Mas foi tranquilo.
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