Em Recife, baile do "I Love Cafusú" conta com "cafuçu original" Reginaldo Rossi

Raquel Holanda
Do UOL, em Recife

  • Geyson Magno/UOL

    O cantor Reginaldo Rossi foi a atração principal do I Love Cafusú, em Recife (10/2/12)

    O cantor Reginaldo Rossi foi a atração principal do I Love Cafusú, em Recife (10/2/12)

O espírito cafuçu parece ter invandido o Recife. Com o tema ‘Cabaret do I Love, oh là, là, borogodá!’, a oitava edição do Baile de Gala do I Love Cafusú ocorreu na sexta-feira (10) no Clube Internacional. Um público de sete mil pessoas prestigiou a atração principal, o cantor Reginaldo Rossi, que comandou o tom imperante da festa: o brega.

“O cafuçu em geral não gosta só de brega, mas gosta também de brega e esse acaba sendo a música da massa”, comenta Luisa Accetti, diretora do bloco. Mas quem é mesmo o cafuçu?

“É aquele homem que não é metrossexual, que não fica pedindo hidratantes e cosméticos para nós mulheres" define Luisa.  "É a grande classe média proletária, bombeiros, pedreiros, etc. É aquele cara que chega cansado em casa, mas ainda quer namorar!”.

A grafia correta é "cafuçu", mas a galera do I Love usa "cafusú" para ser algo descontraído, uma brincadeira, a forma que a "classe média" usa o termo.

Luisa acrescenta que a personagem rariú, que designa as mulheres, só surgiu depois. "Estava faltando um nome para nós, as boyzinhas dos cafuçus, e aí virou a rariú, uma mulher que fala aquele inglês meia boca”, conta.

A noite contou também com a Banda Kitara de Olinda, a Escola de Samba Preto Velho e discotecagem de Laís, “A Karla”. Neste ano, os ingressos para o baile foram esgotados a 15 dias da festa.

Cafuçu original
Reginaldo Rossi, como ele mesmo se define, é um cafuçu original. "Cafuçu é isso, um homem charmoso e autêntico”, fala o cantor para o UOL.

Ao ser recebido pelo público com grande entusiasmo, o rei agradece: “Cantar já é ótimo, e quando você canta para um público lindo e num lugar sem violência, aí o prazer melhora ainda mais”.

  • "Cantar já é ótimo, e quando você canta para um público lindo e num lugar sem violência, aí o prazer melhora ainda mais”
    Reginaldo Rossi


Público à caráter
Cafuçus foram o que não faltou na festa. “A irreverência é o que marca o 'I Love'", fala a cineasta e freqüentadora do baile Mannuela Costa. "É uma oportunidade para as pessoas curtirem algo que dizem que não gosta, mas que no fundo gostam, apenas não querem externar isso”.

Para muitos, brincar de ser um cafuçu foi uma experiência de uma noite, mas para os jornalistas Rodrigo Lobo e Vanessa Bahe a história é diferente. O casal escolheu um figurino à caráter - ela de rariú, ele de bombeiro - e, segundo Vanessa, vive o clima do brega o ano inteiro.

“Nós curtimos o brega, é uma delícia porque meu marido é um cafuçu puro!", conta ela. "E o melhor é que é pelo ano inteiro."

Da brincadeira de amigos ao Clube Internacional
O I Love Cafusú começou como uma brincadeira de amigos que frequentavam o bloco olindense Enquanto Isso na Sala de Justiça. A primeira festa aconteceu em 2004 e a partir daí foi crescendo.

Antes uma festa de amigos, o evento foi se ampliando para amigos de amigos. Começou a ser realizada no Preto Velho, depois no Armazém 14 e há dois anos o local de encontro de cafuçus e rariús pernambucanos é o Clube Internacional.

“Antes era uma festinha particular, de amigos que queriam brincar nesta temática, mas a história foi tomando uma dimensão tão grande que não conseguimos dimensionar", diz a organizadora Luisa. "Como pernambucanos que somos, adoramos o Carnaval, e como produtoras tomamos o I Love como o nosso amor.”



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