Pérola Negra leva susto com fantasias, mas fecha desfile sem atraso

Do UOL, em São Paulo

Sem a chuva que caiu na tarde deste sábado (1) em São Paulo e com o sambódromo lotado, a Pérola Negra encontrou condições ideais para abrir o segundo dia de desfiles no Anhembi e finalizar os trabalhos sem atraso. Ainda assim, a escola campeã do Grupo de Acesso em 2013 pode levar penalizações por causa de problema com as fantasias do casal de mestre-sala e da porta-bandeira.

O mestre-sala Everson Sena e a porta-bandeira Giza Camilo chegaram atrasados ao Anhembi e ele não teve tempo de colocar o acessório de cabeça, tendo que desfilar apenas com a peruca. Mais à frente, parte da asa da fantasia dele caiu em frente à cabine de um jurado.

"Sei que vamos ser penalizados por algo que eu e a escola não tivemos culpa. A fantasia foi se desmanchando conforme ele dançava", disse a porta-bandeira. Segundo ela, além do atraso, as fantasias não deram "encaixe". Em entrevista à TV Globo, Everson chorou pela "missão cumprida". "As duas asas caíram. Isso compromete [a avaliação da escola], porque a fantasia faz parte do quesito", explicou ele, que representava o deus Netuno e a porta-bandeira, a Água Viva.

De volta à elite
Campeã do Grupo de Acesso em 2013, a escola da Vila Madalena voltou à elite falando sobre felicidade no enredo e comemorando os 40 anos de fundação da agremiação. A Pérola Negra foi recebida com empolgação pelo público e viu seu samba-enredo, "Caminhos segui, lugar encontrei... Pérola Negra, a Suprema Felicidade!", ser cantado pelo público, que também respondeu bem ao "paradão" feito pela bateria. "Acho que a gente conseguiu cumprir o que prometeu, e a Madalena emocionou", disse o mestre Bola.

Ouça aqui o samba-enredo da Pérola Negra

O presidente da escola, Edilson Casal, desfilou com as mãos sujas de tinta, porque até o último momento estava ajudando a finalização das alegorias. "A Pérola Negra não tem torcida, como a Gaviões da Fiel, mas eles cantaram nosso samba. Não sei se seremos campeões, mas fizemos um grande desfile."

Abre-alas

A Pérola Negra começou a percorrer os caminhos da felicidade a partir da Grécia antiga, onde acreditava-se que possuir bens era um modo de alcançar a felicidade. Dourada, a comissão de frente remeteu à Grécia e falou do desejo de ser feliz. A comissão foi seguida pela ala "Três Graças, as deusas da felicidade" e por um grande carro abre-alas que representou um templo grego da felicidade. Dançarinos do Clube das Mulheres ajudaram a embelezar o carro.

A Pérola Negra falou de vários tipos de felicidade, desde o "felizes para sempre" dos romances até a ligação entre mãe e filho. Alas retrataram a pedra filosofal, a alquimia e o dinheiro. A ala "Compramos a felicidade?" trouxe integrantes fantasiados do personagem avarento Tio Patinhas, de Walt Disney, com calculadoras nas fantasias.

O segundo carro trouxe uma escultura de elefante, animal icônico em algumas religiões orientais, para falar do hinduísmo e budismo. A ideia era a de que o bem-estar é uma questão interior, segundo a filosofia oriental. A estrutura chegou a ter problemas para entrar na avenida. Os integrantes correram para verificar o que estava ocorrendo, e o carro desfilou.

O céu e o inferno foram levados ao sambódromo no terceiro setor. A ideia era lembrar o conceito de que só obedientes a Deus alcançarão os reinos dos céus. Já o quarto carro teve a alegria representada por uma família e um carrinho de compras em um supermercado.

A escola encerrou o desfile falando de si própria. O último setor teve as cores da agremiação --vermelho, azul e branco-- simbolizando que a felicidade para os componentes é fazer parte da escola da Vila Madalena. 
 

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