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17/01/2008 - 17h21

Lavagem das escadarias do Bonfim reúne 1 milhão de pessoas em Salvador

MANUELA MARTINEZ
Colaboração para o UOL, em Salvador
Em sua maioria vestidas de branco, cerca de 1 milhão de pessoas, de acordo com a Polícia Militar, participaram nesta quinta-feira (17) da mais tradicional festa popular do calendário religioso da Bahia, a lavagem das escadarias da igreja de Nosso Senhor do Bonfim.

Os festejos começaram pela manhã, com a realização de um culto ecumênico -- que envolve católicos e representantes do candomblé --, em frente à igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, uma das mais antigas da capital baiana.

João Alvarez/Agência A Tarde/AE
Multidão se reúne na Lavagem do Bonfim, na capital baiana (17/1/2008)
Política no Bonfim
Como tradicionalmente acontece -- principalmente em anos eleitorais --, os políticos compareceram à festa. O governador Jaques Wagner (PT), o ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima (PMDB) e o prefeito João Henrique Carneiro (PMDB) fizeram todo o cortejo a pé.

Fiscais da prefeitura retiraram faixas colocadas durante o trajeto com críticas à atual administração ou elogios para adversários do prefeito João Henrique. "Quem fez isto será punido porque a festa do Bonfim é a expressão da vontade popular", disse o prefeito.

Enquanto milhares de pessoas se divertiram durante a lavagem das escadarias do Bonfim, um grupo mais seleto de convidados -- cerca de 10 mil pessoas -- participaram de um Carnaval improvisado, na Marina. De frente para a Baía de Todos os Santos, os foliões cantaram e dançaram durante sete horas, ao som da banda Asa de Águia.

História da festa
Tradição que se repete desde 1754, quando as obras da mais famosa igreja da Bahia foram concluídas, a lavagem das escadarias da igreja do Senhor do Bonfim é uma festa ao mesmo tempo religiosa e profana. Os políticos também marcam presença no evento, principalmente em anos eleitorais.

Os devotos caminham oito quilômetros (o tempo médio do percurso é de três horas) para chegar até a igreja. À frente do cortejo, estão 500 "baianas", 480 músicos e representantes de associações ligadas principalmente às causas dos afro-descendentes. O sagrado e o profano convivem harmonicamente durante a festa -- ao mesmo tempo em que fazem orações, os fiéis também cantam e dançam ao ritmo do pagode e de axé music.

Para evitar tumultos, as portas que dão acesso ao interior da igreja permanecem fechadas durante os festejos. Ao final do percurso, as "baianas" lavam as escadarias do templo com água de cheiro e também banham os fiéis que participam da caminhada em busca de bênçãos para o ano novo.

De acordo com historiadores, a devoção ao Senhor do Bonfim começou em 1745, com o capitão Teodósio de Faria. Ele prometeu trazer uma imagem do Senhor do Bonfim para Salvador e construir uma capela na cidade, à época capital do Brasil, caso escapasse de um naufrágio.

A imagem chegou no ano seguinte, mas a igreja somente ficou pronta em 1754. A procissão começou neste mesmo ano, quando milhares de fiéis participaram de uma romaria para ver a imagem no interior do templo.
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