A São Clemente coloriu a Sapucaí com fantasias típicas da nobreza européia do século 19, para comemorar os 200 anos da chegada da família real ao Brasil. A escola abriu os desfiles às 21h11, dez minutos depois do horário previsto, e teve muitas perucas, vestidos bufantes e cores fortes e vibrantes.
O samba-enredo "O Clemente João 6º no Rio: A Redescoberta do Brasil..." puxou o desfile que, logo na comissão de frente, mostrou a atriz transformista Rogéria representando a rainha de Portugal Dona Maria, conhecida como "A Louca".
A idéia, segundo o carnavalesco Milton Cunha, foi realçar a visão e os devaneios de Dona Maria e seu amor pelos filhos, entre eles Dom João 6º, o primeiro rei do Brasil. A visão da rainha de Portugal foi a inspiração do desfile, embora toda a família real fosse o tema principal.
Sua influência está presente, por exemplo, no segundo carro alegórico, onde aparece D. João 6º no trono. Ao redor dele se destacou a cor azul, que fazia alusão às safiras azuladas encomendadas por Dona Maria para decorar o casamento do filho com Carlota Joaquina.
A chegada da família no Brasil foi representada no terceiro carro alegórico, repleto de verde e plantas, misturando roupas européias com trajes de índios. A idéia foi ressaltar o choque da corte portuguesa com a vegetação brasileira. Além do Brasil, outras alas e carros alegóricos representaram outras colônias portuguesas, como Guiné-Bissau e Macau.
Também foi tema de alas e do carro alegórico "Viagens Pitorescas" a "missão artística" trazida pela corte portuguesa, com destaque para obras do pintor Jean Baptiste Drebret e à moda, que contribuíram para a incorporação de costumes europeus no Brasil.
O desfile fechou com um carro alegórico cheio de verde e amarelo, representando o retorno de D. João 6º a Portugal. A São Clemente apresentou sete carros alegóricos e 31 alas, deixando a avenida às 22h24, respeitando o tempo máximo de desfile.