Elas passam a maior parte do tempo fora da mídia, mas uma vez por ano aparecem lindas e radiantes como se tivessem passado o resto do ano se preparando para o momento de brilhar. São magras, têm curvas, algumas sabem sambar -- não que precisem -- e são sempre belas e sorridentes. Elas são as rainhas de bateria das escolas de samba.
O reinado é curto: os quatro dias de carnaval ou, esticando um pouco mais, uns 2 meses, no máximo, contando o período pré-carnavalesco no Rio de Janeiro, berço das escolas de samba. Mas as rainhas sabem aproveitar esse tempo como ninguém.
Aparecem sambando, posam para capas de revistas e dão receitas de beleza. Só andam cobertas de glitter e usam roupas que valorizam seus dotes físicos. As modelos, atrizes ou apresentadoras de TV que estão em evidência durante o verão ganham ainda mais fama se são rainhas de bateria. Talvez por isso a competição para o posto seja tão acirrada.
A maioria das rainhas troca de agremiação em uma dança de postos que fica difícil de acompanhar. Com toda essa badalação em torno delas, a performance das rainhas de bateria nem conta ponto durante o desfile das escolas de samba e muitas têm que pagar caro para ganhar o posto nas agremiações do Grupo Especial. Uma boa fantasia custa em torno de R$ 20 mil, mas a maior parte do gasto é com a "doação" para a escola.
Esse foi um dos motivos que levou Fábia Borges, neta da famosa porta-bandeira Jujú Maravilha -- Beija-flor e Unidos da Tijuca --, já falecida, a trocar a Unidos da Tijuca, escola do Grupo Especial na qual desfilou por 10 anos, pela Acadêmicos da Rocinha, agremiação do Grupo de Acesso. O posto antes pertencia à apresentadora de TV Adriane Galisteu, mas ela preferiu uma escola do Grupo Especial. Ao que parece, a loura também trazia mais benefícios para a agremiação.