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05/02/2008 - 09h18

Última noite da Sapucaí tem muitas celebridades, mais pingüins, gás natural e Macapá

Da Redação
Na última noite de desfiles do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí, de segunda (4/2) para terça (5/2), a chuva deu uma trégua e o sambódromo foi invadido por celebridades, que ajudaram as agremiações a cantarem seus temas, que incluíram, novamente, os 200 anos da chegada da família real ao Brasil, além de coleções, gás natural, trabalhadores e Macapá.

A família imperial foi o assunto abordado pela primeira escola a entrar na avenida, a Mocidade Independente de Padre Miguel. Às 21h27, entrava o desfile embalado pelo samba-enredo "O Quinto Império: de Portugal ao Brasil, uma Utopia na História", que remete às aspirações políticas e territoriais de reis portugueses, anteriores a Dom João 6°, de superar outros impérios, entre eles a Babilônia, representada na avenida por um carro que trazia um leão dourado gigante.

Liderada pelo carnavalesco Cid Carvalho, com 32 alas e oito carros alegóricos, a apresentação foi aberta por figuras de Dom João, damas da nobreza portuguesa e escravos carregando baús. Os personagens faziam parte da colorida comissão de frente que representou a chegada da família real.

Outro destaque foi o carro que trazia Dom Sebastião, rei de Portugal no século 16, rodeado por um grande tanque de água e um chafariz, remetendo à lenda de que o antigo rei vivia sob as águas do Maranhão num palácio. Este rei, que morreu acreditando na possibilidade de um império português, também esteve presente na mensagem do carro sobre a Guerra de Canudos, lembrando a crença dos sertanejos no sebastianimo (lenda que pregava o retorno de Dom Sebastião ao trono de Portugal).

A rainha de bateria, a modelo Tatiana Pagung, foi destaque e encantou vestida de "tentação", representando a ambição de Dom Sebastião. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira esteve a cargo da dupla Rogerinho e Marcella Alves. O desfile, cheio de vestidos bufantes, perucas e referências históricas, terminou às 22h25 e teve a cantora Elza Soares e a atriz e apresentadora Regina Casé.

A volta dos pingüins

Já a Unidos da Tijuca levou para a Sapucaí o universo das coleções. Sob o tema "Vou Juntando o que Eu Quiser, minha Mania Vale Ouro. Sou Tijuca, Trago a Arte Colecionando o meu Tesouro". Liderada pelo carnavalesco Luiz Carlos Bruno, destacou a atividade de colecionadores, que contribuem para formação da cultura, como no caso das obras reunidas em museus e bibliotecas.

Antonio Scorza/AFP
Adriane Galisteu foi a rainha da bateria da Unidos da Tijuca como guardiã dos gnomos
O desfile começou às 22h50, com um espelho na comissão de frente para multiplicar a imagem dos bailarinos segurando máscaras -de várias formas e cores. Em seguida, entrava o abre-alas, um imenso carro dourado que trazia inúmeras fantasias e referências a pavões, símbolo da escola. Já a tradicional ala das baianas teve fantasia bem humorada para mostrar a "Coleção de Bonecas", que também foi tema do terceiro carro, com a drag queen Susy Brasil representava uma boneca de pano.

As alas seguintes representariam coleções de leques, sapatos, canecas e ursinhos de pelúcia. Outra coleção apareceu no segundo carro alegórico, a dos "Pingüins de Geladeira", com imagens de pingüins de todos os tamanhos. Os pingüins, aliás, foram tendência neste Carnaval. Eles apareceram nos desfiles da Viradouro e da Portela, na primeira noite do Rio, e na X9 Paulistana, escola de São Paulo.

Foram mostradas ainda coleções sofisticadas em carros alegóricos como a de livros, representada por uma biblioteca, e a de obras de arte, ilustrada pelo Louvre, museu francês.

Na bateria, mestre Casagrande arriscou três paradinhas, que foram apelidadas de Tropa de Elite. "Os críticos de Carnaval avisaram para eu não fazer, que era arriscado. Mas está bem ensaiadinho", disse ele, que por garantia, levava arruda no bolso do paletó e vestia camiseta com imagem de Nossa Senhora Aparecida. A rainha de bateria Adriane Galisteu apareceu como guardiã dos gnomos numa fantasia feita toda de borracha. A musa da bateria foi Patrícia Shelida e o casal mestre-sala e porta-bandeira, Ubirajara Claudino e Lucinha Nobre.

O desfile terminou às 23h45 após a passagem de 30 alas e sete carros alegóricos, mas com alguns vazios dentro das alas, o que pode prejudicar sua nota de evolução.

As Marias do João

A chegada da família real portuguesa ao Brasil volta à Sapucaí no enredo da Imperatriz Leopoldinense, que começou sua apresentação à 0h07 com o tema "João e Marias", destacando as várias Marias que influenciaram a vinda de Dom João 6° ao Brasil. Entre elas está a rainha portuguesa Dona Maria, conhecida como "A Louca", mãe de Dom João, e Maria Leopoldina, a primeira imperatriz do Brasil (ela se casou com Dom Pedro 1º, filho de Dom João), que dá nome à escola.

Publius Vergilius/UOL
A rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense, Luiza Brunet
Roupas da corte européia encheram a avenida de vestidos e perucas logo no início do desfile com a comissão de frente "Princesas Marias em Baile de Gala". A nobreza, no entanto, não seria única desfile, que, com 34 alas e sete carros alegóricos, também mostrou personagens sujos e mal-vestidos para representar o povo que se rebelaria na França, desencadeando a Revolução Francesa.

Neste panorama histórico apareceu também Maria Antonieta, tia de Maria Leopoldina e rainha da França, e Napoleão, pronto para ser coroado imperador depois da queda de Luís 16 do trono.

O "Dom Pedro e Dona Leopoldina que Será Nossa Imperatriz" destacou a estrela da escola e homenageou os próprios componentes. Personalidades da velha guarda, entre elas Maria Helena, ex-porta-bandeira tradicional da Imperatriz Maria, apareceram como destaque do carro.

À frente da bateria, a rainha Luiza Brunet vestia plumas azuis e verdes. Como casal mestre-sala e porta-bandeira, desfilaram Marcílio e Verônica. Mais famosos participaram do desfile, entre eles o cantor Elymar Santos e o apresentador Leão Lobo.

"Trabalhadores do Brasil" foi o tema da Unidos de Vila Isabel, que começou seu desfile à 1h21, falando de escravos, imigrantes e dos direitos trabalhistas. Com 34 alas, oito carros alegóricos e liderada pelo carnavalesco Alex de Souza, a agremiação teve à frente da bateria a miss Brasil, Natália Guimarães, como rainha, e Juninho e Rute como mestre-sala e porta-bandeira.

O carro abre-alas "Assim Era Pindorama" trouxe um chafariz com dançarinas nuas, representando o Brasil antes da chegada dos colonizadores.

Getúlio Vargas e os minicarros

Tuca Vieira/Folha Imagem
A Vila Isabel apostou na Miss Brasil, Natália Guimarães, para reinar em sua bateria
O ex-presidente do Brasil Getúlio Vargas foi lembrado em um grande busto metálico no carro "A Era Vargas", que representava a industrialização do país. Ele era seguido por outro carro em que se via uma linha de montagem com partes de automóveis em tamanho natural. Além da industrialização e das leis trabalhistas, o desfile completou o clima getulista com homenagem aos sindicatos, com integrantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores) em uma das alas.

A Vila Isabel optou por um desfile "cronológico", com índios na comissão de frente, baianas representando o mar e um minicarro de rosa dos ventos "navegando" entre elas. O recurso dos minicarros, ou tripés, foi largamente utilizado pela escola. Estruturas com três apoios não contam como carros alegóricos, portanto não têm limite numérico.

As alas e carros alegóricos seguintes representaram a colonização portuguesa, a exploração dos escravos, as migrações internas e até a imigração japonesa, em fantasias de samurai utilizadas pela bateria.

O carro "Tributo aos Trabalhadores do Brasil", último do desfile e no qual vinha a velha guarda da escola, teve problemas e teve que ser empurrado para entrar na Marquês de Sapucaí. O atraso causou um grande vazio entre a última ala e o carro, que teve que correr para alcançar a escola. Mas ainda assim a Vila Isabel não estourou o tempo regulamentar de desfile.

A Acadêmicos do Grande Rio entrou na avenida às 2h45 dedicando seu desfile à cidade amazonense Coari, conhecida pela produção de gás natural. A importância do gás e as belezas da cidade foram mencionadas no samba "Do Verde de Coari Vem meu Gás, Sapucaí!". A escola, que recebeu R$ 1 milhão de empresas do Amazonas, apresentou apresenta oito carros alegóricos e 33 alas.

O carnavalesco Roberto Szanieck colocou a comissão de frente "Anjos da Criação" acompanhada de uma estrutura metálica circular representando o Big-Bang, teoria científica da explosão que deu origem ao universo. O carro abre-alas "Turbilhão de Elementos" continuava no tema, seguido de alas do hidrogênio e oxigênio.

Fernanda Lima e os gêmeos

André Mourão/EFE
Fernanda Lima, grávida de gêmeos, foi destaque de carro alegórico da Grande Rio
A apresentadora Fernanda Lima desfilou grávida de sete meses no carro "Berço da Vida e Sedimentos", que representava o início da vida na Terra. As alas e alegorias exploraram os diversos usos do gás pela humanidade, com carros como "Magia da Antigüidade", centrado no oriente, e "Luzes da Cidade", que lembrava que o Rio foi a primeira cidade do Brasil a utilizar gás natural para iluminação.

O último carro alegórico, de um visual futurista, era puxado por um protótipo cenográfico de um robô de prospecção de gás natural, feito com a consultoria de cientistas da área que trabalham na cidade amazonense de Coari.

A Grande Rio manteve a forte presença de celebridades desfilando, como as atrizes Suzana Vieira, Beth Lago e Paola Oliveira e o cantor Zeca Pagodinho. Mas as atenções estavam na ex-BBB Grazi Massafera, rainha de bateria.

Um acidente de carro por pouco não impediu o puxador Walter Pires de participar do desfile, que chegou à Sapucaí a tempo de cantar em apenas parte da apresentação. A escola encerrou seu desfile às 4h03, a poucos minutos de esgotar o tempo regulamentar.

Vencedora do Carnaval carioca no ano passado (e maior campeã da década, com títulos em 2003, 2004, 2005 e 2007), a Beija-Flor de Nilópolis entrou na avenida às 4h15 com um enredo em homenagem a lendas de Macapá, capital do Amapá (que completou 250 anos na segunda-feira): "Macapaba: Equinócio Solar, Viagens Fantásticas do Meio do Mundo". E apostou no impacto visual de suas fantasias e carros alegóricos para encerrar o segundo dia de desfiles na Sapucaí. Nas alegorias, estruturas luxuosas, coloridas e de iluminação elaborada; no solo, muitas plumas deram o tom.

A mais jovem rainha da Sapucaí

O carnavalesco Alexandre Louzada, com apoio de Fran-Sérgio, Ubiratan Silva e Laíla, preparou um desfile com 29 alas e oito carros alegóricos. O casal de mestre-sala e porta-bandeira foi formado por Selminha Sorriso e Claudinho, e a rainha da bateria é Raíssa, a mais jovem do Carnaval carioca. Entre as celebridades, o ator Edson Celulari e a modelo Nana Gouveia.

André Mourão/EFE
Raíssa, de 17 anos, a mais jovem
rainha de bateria, à frente da Beija-Flor
O fato de quase todos os temas das alas serem desconhecidos do público --o enredo foi todo baseado em lendas e curiosidades de Macapá-- foi compensado por uma produção cuidadosa das fantasias. Logo atrás de uma comissão de frente com integrantes representando o equinócio solar, o carro abre-alas "Brilho de Fogo - O Rastro Iluminado" chamava atenção com um beija-flor dourado e luzes que causavam impressão de fogo.

A pororoca, encontro de águas fluviais com o oceano que também acontece no litoral amapaense, foi lembrada com duas alas, uma com integrantes "engolidos" por peixes e outra representando a espuma típica do fenômeno.

Um dos carros alegóricos mais elaborados foi "A Era das Navegações", um monstro com vários olhos representando a ganância européia na exploração da região. Alguns dos olhos ficavam na ponta de tentáculos "montados" por integrantes da escola, que controlavam seus movimentos por rédeas

A rainha de bateria foi novamente Raíssa, de 17 anos, no posto desde 2004. Ela foi uma resposta da Beija-Flor à tendência de escalarem celebridades para ser rainha de bateria, ao invés de integrantes da comunidade. A voz de Neguinho da Beija-Flor, o puxador-símbolo da escola, desapareceu dos alto-falantes nos últimos minutos do desfile, mas o problema técnico não chegou a afetar a escola, que às 5h32 retirava seus últimos integrantes da Sapucaí, dentro do tempo regulamentar

A apuração das notas dos jurados acontece na Quarta-feira de Cinzas, dia 6/2, às 15h, e terá acompanhamento do UOL em tempo real.
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