24/02/2009 - 08h55

Portela, Salgueiro e Mangueira se destacam na última noite de desfiles do Rio

Da Redação
Seis escolas -- Porto da Pedra, Salgueiro, Imperatriz Leopoldinense, Portela, Mangueira e Viradouro -- se apresentaram na segunda e última noite de desfiles do Carnaval do Rio de Janeiro, encerrada na manhã desta terça-feira. Com temas como a curiosidade e a paixão humanas, os tambores africanos, o povo brasileiro, a arte de sambar e a energia dos mitos baianos e do combustíveis, a Marquês de Sapucaí foi inundada de tradições -- como as cores verde e rosa da Mangueira, azul e branco da Portela, vermelho e branco do Salgueiro e Viradouro -- e também balançada por inovações, como a "paradinha" ensaiada da bateria do Mestre Ciça da Viradouro ou as acrobacias rítmicas no abre-alas do Salgueiro. As arquibancadas também se alegraram com a simplicidade das alegorias leopoldinenses, com a complexidade dos carros e fantasias da Porto e com força de vontade mangueirense. Ao fim da festa, destaque para a competência de Portela, Salgueiro e Mangueira. Já a Porto da Pedra aguarda com nervosismo a apuração, na quarta-feira, já que teve problemas com carros alegóricos, que prejudicaram a evolução e harmonia e devem custar pontos valiosos.

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    Comissão de frente da escola, que representa os neurônios, desfila na Sapucaí (23/02/2009)

A Porto da Pedra abriu a última noite de desfiles com o samba-enredo "Não me proíbam criar, pois preciso curiar! Sou o país do futuro e tenho muito a inventar!", uma ode à curiosidade. Fantasiada com roupas negras e guarda-chuvas coloridos, a comissão de frente representou neurônios no tecido cerebral, responsáveis por toda a criatividade humana. Ao longo da avenida, foram apresentadas "descobertas" dos períodos pré-histórico, da Idade Média, da Renascença e, por fim, da "curiosidade do amanhã". De Adão e Eva, que ousou comer o "fruto proibido", a Leonardo da Vinci e Santos Dumont, os grandes inventores foram homenageados. A escola, porém, teve problemas que podem prejudicar seu desempenho na apuração -- logo na entrada, o carro abre-alas precisou seguir com as duas partes que o compunham desacopladas, enquanto o terceiro veículo, representante da Era do Fogo, sofreu um princípio de incêndio, rapidamente controlado. Outra alegoria a comprometer a evolução foi o carro final, do Apocalipse, que com excesso de componentes e muito pesado demorou mais que o previsto para atravessar a Sapucaí. No fim, integrantes tiveram de apressar o passo para completar o desfile no tempo limite, com 82 minutos.

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Abre-alas do Salgueiro trouxe tambores gigantes e acrobatas da Intrépida Trupe

Dando vida às raízes africanas, o Salgueiro veio à Marquês de Sapucaí com o tema "Tambor" e o tradicional ritmo da bateria de mestre Marcão, que fez da escola uma das mais aplaudidas pela arquibancada. Em sua evolução, os 4.100 componentes mostraram os diferentes usos e significados do instrumento -- no samba, em festas, músicas, rituais religiosos e cerimoniosos. No abre-alas em vemelho e branco, cores oficiais da agremiação, grandes tambores giravam, enquanto o grupo Intrépida Trupe fazia acrobacias sobre uma cama elástica. Outro carro do Salgueiro trouxe o músicos baiano Carlinhos Brown e homens vestidos ao estilo "afro-reggae", mostrando as cores e sons do Carnaval. Destaque também para a rainha da bateria Viviane Araújo, que tocou (ou tentou tocar) um tamborim, e para a apresentadora Sabrina Sato, que sambou em frente ao grupo Olodum. Também na lista de famosos da escola, os atores Paulo Vilhena e Eri Johnson e a modelo Ângela Bismarchi.

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Luiza Brunet, em seu 25º Carnaval, foi a rainha da bateria da Imperatriz

Celebrando seus 50 anos, a Imperatriz Leopoldinense desenvolveu um samba-enredo leve para homenagear o Carnaval de rua do Rio e o bairro de Ramos, onde a escola surgiu. "Imperatriz... Só quer mostrar que faz samba também", tema alusivo ao samba "Palpite Infeliz", de Noel Rosa, foi apresentado à avenida com fantasias, temas e imagens típicas da festa. A comissão de frente veio de "Os Clóvis ou Bate-bolas", fantasia usada nas ruas. No primeiro carro, pompons verdes, luzes, palhaços (arlequins) e pandeiros. Alas e carros lembraram dos saraus, do banho de mar e do Recreio de Ramos. Sucessos da Imperatriz também estiveram presentes: "O Que é Que a Baiana Tem?", retomou o primeiro título, de 1980, enquanto o carro "Liberdade, Liberdade", reproduziu o enredo de 1989, com direito a um cavalo branco gigante, cavalgado por um "marechal" nas alturas, que por pouco não esbarrou nas estruturas do sambódromo. O bloco carnavalesco Cacique de Ramos também foi celebrado, com a figura de um índio vermelho usando um imenso cocar branco e o cantor Elymar Santos encarnando o chefe indígena. À frente da bateria, a modelo Luiza Brunet comemorou 25 anos de desfiles, enquanto a cantora Beth Carvalho acenou do alto de um dos carros.

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Luma de Oliveira, 44, saúda o público durante o desfile da Portela

Responsável pelo quarto desfile da noite, a Portela cantou a paixão em diferentes histórias e culturas com o samba-enredo "E por falar em amor, onde anda você?". A comissão de frente deu vida à lenda de "Rei Arthur e seus Cavaleiros", que segundo os carnavalescos Lane Santana e Jorge Caribé representam o puro amor na história. O carro abre-alas fez uma releitura do filme "O Feitiço de Áquila", de 1985, trama em que o amor é dificultado por um feitiço que transformava o homem em lobo à noite, e a mulher em águia durante o dia.

  • VEJA COMO FOI O PRIMEIRO DIA DE DESFILES NO RIO


  • A agremiação também mostrou a prova de amor indiana, materializada no castelo Taj Mahal, e a saudade das mulheres africanas escravizadas longe de seus maridos e filhos e da terra natal, representadas pela atriz Adriana Lessa. Amores de Carnaval e amores na era da tecnologia também foram abordados com alas inteiras vestidas de notebooks, celulares e tocadores de MP3. Autores da canção "É O Amor", a dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano saiu pela primeira vez na avenida. Os ginastas Diego e Daniela Hipólito, representaram o amor pelo esporte e pela nação. E duas grandes paixões da Portela marcaram presença: o músico Paulinho da Viola e a rainha da bateria Luma de Oliveira, que voltou a ocupar a função após três anos sem desfilar.

    A Estação Primeira de Mangueira se inspirou na obra "O Povo Brasileiro", do antropólogo Darcy Ribeiro, para criar e apresentar seu enredo "A Mangueira traz os Brasis do Brasil mostrando a formação do povo brasileiro". A escola fez valer de sua mítica popular para mostrar superação: problemas econômicos foram superados com voluntariado, durante a construção das alegorias, da mesma forma que o mestre Taranta, da bateria, teve de ser conduzido em uma cadeira de rodas, vitimado por uma amputação de parte do pé, como complicação da diabete. O que se viu na Sapucaí foram fantasias simples, com tons predominantemente em verde, rosa e branco, mostrando os vários tipos brasileiros -- gaúchos, vaqueiros, caipiras e índios, o navegante português e os negros, caboclos e meirinhos, populações ribeirinhas, povos do Agreste, do Sertão e da Amazônia, bandeirantes e imigrantes. À frente da bateria, a madrinha Gracyanne Barbosa se destacou. Por trás de um dos carros, quem deu uma força foi o ex-craque do São Paulo e da seleção brasileira de futebol, Raí, que vestiu o macacão de "carregador". A cantora Rosemary e o ex-jogador Júnior, do Flamengo, também defenderam as cores da escola.

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    O ex-jogador Raí fez força para ajudar a Mangueira com o enredo sobre o povo brasileiro

    A Viradouro foi a 12ª e última escola do Grupo Especial do Rio de Janeiro a desfilar em 2009, na Marquês de Sapucaí. E para encerrar a festa do Carnaval, a agremiação de Niterói escolheu o samba-enredo "Vira, Bahia, pura energia". Na avenida, porém, o que se viu foi uma apresentação contraditória, na qual lendas de orixás conviveram com etapas do processo de produção de combustíveis fósseis e alternativos, fruto de uma ideia patrocinada que não vingou e de uma produção definida em cima da hora. Assim, o grande destaque da escola foi a bateria do Mestre Ciça, fantasiada de "Filhos de Ghandi", que incorporou atabaques aos instrumentos tradicionais e se valeu de paradinhas estratégicas e movimentos de agachamento para impressionar público e jurados com um belo espetáculo. À frente da ala, a modelo Juliane Almeida ocupou o posto de rainha, substituindo a atriz Juliana Paes.

    MUSAS DO CARNAVAL CARIOCA

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      Juliane Almeida, rainha de bateria da Viradouro

    A parte mítica do enredo foi representada por alegorias como "Divino Canavial" e suas pombas da paz, "Rendas da Anunciação" com as baianas, "Carrossel de Ossanha" com a força protetora da natureza, e "Na Onda do Berimbau", que destacou o instrumento africano aliado às sombrinhas típicas do frevo. Do lado energético da história, o carro "Ruas de São Salvador" trouxe bombas de combustível, o carro "Oxente Mainha, tem Dendê na Panela e no Motor" mostrou uma grande panela com 15 mil litros d'água e, dentro, 14 moças simulando camarões mergulhando no dendê. A alegoria "Deuses em Kyoto" pregou a redução da emissão de poluentes. E carros como "Nanã e os Ensinamentos da Reciclagem" e "O Trovão da Bonança no Encontro de Xangô e Iansã" aliaram as forças das duas vertentes do tema. Entre os destaques da Viradouro, a modelo Nana Gouveia, os humoristas Leandro Hassun e Marcos Oliveira -- atores de "Zorra Total" e "A Grande Família", além da triatleta Fernanda Keller.

    A escola vencedora do Carnaval carioca será conhecida na quarta-feira, após a apuração das notas dos jurados, que começa às 15h. No UOL, a festa prossegue nesta terça-feira, com a cobertura total dos blocos em Salvador e no Recife, e com o resultado da escolha das campeã do carnaval de São Paulo.

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