Ayrton Senna

Unidos da Tijuca encerra Carnaval com desfile acelerado em tributo a Senna

Do UOL, em São Paulo

Acelerada. Foi assim que a Unidos da Tijuca encerrou, na madrugada desta terça-feira (4), os desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro no Carnaval 2014: com um tributo à Ayrton Senna em 1h06, tempo mínimo da duração regulamentar, que é entre 1h05 e 1h22. Os irmãos do piloto brasileiro de Fórmula 1, Viviane e Leonardo, e o sobrinho, o piloto Bruno Senna, saíram entre os principais destaques da avenida. No dia 1º de maio deste ano completam-se 20 anos da morte do atleta.

"Estou com o coração na mão, como ficava nas corridas. O Ayrton representa o Brasil", disse Viviane ao UOL, ao chegar na dispersão. "Estou sentindo aqui igual ao reconhecimento de pista. A energia aqui é muito forte. É minha primeira vez [no desfile], o Ayrton merece", comentou Bruno.

Além representar a Fórmula 1 com carros da McLaren de Ayrton Senna, o enredo "Acelera, Tijuca" trouxe outros personagens da velocidade, como Sonic, Speed Racer, Papalégua, The Flash, Penépole Charmosa, Dick Vigarista e o corredor Usain Bolt, para disputar a pole position na Sapucaí. Animais como o Falcão Negro e invenções do homem, como o trem bala e a internet, também fizeram parte do enredo.

"A gente trabalhou com uma frente grande entre Rio e São Paulo para fazer um projeto mais fiel possível. Nada é gratuito. A gente faz arte para encantar o público. E arte e Ayrton Senna juntos não tem nada melhor. Esse ano a gente teve o impacto emocional que era o que as pessoas não esperavam da gente. Elas esperavam talvez uma mágica e a gente quis levar uma cópia mais simples", contou ao UOL Priscila Motta, coreógrafa da comissão de frente.
 

A atriz e ex-BBB Juliana Alves saiu como rainha de bateria pelo segundo ano consecutivo. "Homenagear um ídolo é muito bom. Ele é uma inspiração para todos nós", comentou ela ao UOL

A Unidos trouxe uma novata na escola entre suas musas: a modelo Ana Paula Evangelista, que foi acolhida pela agremiação duas semanas antes do Carnaval. Ela perdeu o posto de rainha de bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel após uma crise política dentro da escola, que resultou no afastamento do então presidente Paulo Vianna. No lugar dela, foi coroada a atriz Mariana Rios. "Agora que vim para a Tijuca gostaria de me manter na escola. Meu coração é amarelo e azul", disse ela ao UOL.

Ouça o samba-enredo da Unidos da Tijuca

Os ritmistas da bateria saíram vestidos de mecânicos da Fórmula 1, enquanto o Mestre Casagrande chegou de bandeira quadriculada.

O carnavalesco Paulo Barros, que ajudou a Tijuca a levar o título em 2012 sobre o centenário de Luiz Gonzaga, estava rindo a toa na dispersão. "Não vi todo o desfile, mas o que vi foi perfeito. Continuo na Tijuca ano que vem, estou confirmadíssimo", afirmou ao UOL. Barros levantou a Sapucaí com truques de ilusionismo em 2010 e 2011. No ano passado, a escola amargou o terceiro lugar com um desfile sobre o deus Thor numa homenagem à Alemanha.

Anos 80 no último dia de desfiles

Assim como a homenagem da Tijuca a Ayrtor Senna, a maior parte das escolas que desfilaram neste segundo e último dia do Carnaval do Rio de Janeiro fizeram viagens de volta à década de 80, cada qual à sua maneira.

Primeira a desfilar, a Mocidade Independente de Padre Miguel homenageou o carnavalesco Fernando Pinto, ícone da escola morto em um acidente. Entre os destaques estava um carro alegórico que remetia ao primeiro topless da história do Carnaval carioca, protagonizado por Monique Evans em 1985. Em destaque, modelos com seios de fora, mas sem silicone, como nos tempos de Monique.

Com sua homenagem à infância, a União da Ilha também acabou voltando-se para o imaginário dos anos 80: ao lado de atemporais soldadinhos de chumbo e ursinhos de pelúcia a escola trouxe à avenida foliões fantasiados de brinquedos como Cubo Mágico e Lego - que também já haviam aparecido nos desfile de São Paulo.

Os momentos mais graciosos, no entanto, ficaram por conta de um casal de bailarinos australianos que se equilibrava sobre varas como se fossem bonecos de corda. Como as varas eram bem flexíveis, o casal balançava em direção ao público e entregava brinquedos às pessoas.

Os olhos das arquibancadas da Sapucaí também se voltaram para a década de 80 em momentos no desfile-tributo da Imperatriz Leopoldinense a Zico, ídolo do futebol brasileiro e da torcida do Flamengo, para quem conquistou o campeonato mundial em 1981. Além de Zico, estavam presentes ex-jogadores como Deco, Júnior, Nunes, Nei  Dias, Leandro e Adílio, que ajudaram a conquistar o título histórico para o Flamengo naquele ano.

Há 29 anos sem título, a Portela apostou em tradição e tecnologia para tentar vencer em 2014. A comissão de frente trouxe um drone (aeronave não tripulada) em formato de águia, que percorreu toda a avenida saudando o público. Neste ano, a escola homenageou a cidade do Rio de Janeiro e mostrou a capacidade do carioca de se adaptar às mudanças. A agremiação fez um desfile sem sustos e chegou à dispersão com o público cantando o refrão "Vou de mar a mar, mareia. Vou de mar a mar, mareia, mareou".

Bem menos alegre, no entanto, foi a passagem de Vila Isabel pelo sambódromo. Mergulhada em problemas financeiros e políticos, a atual campeã do Carnaval carioca complicou-se com o atraso na entrega de diversas fantasias e forçou parte de seus integrantes a entrar na avenida com figurinos improvisados, incompletos ou simplesmente inexistentes - houve quem aparecesse nos carros alegóricos apenas de cueca, calcinha e sutiã. O clima na dispersão ao final do desfile era um misto de revolta e frustração com a possibilidade de a escola perder pontos preciosos por conta do episódio.

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