Recife e Olinda

De Homem-Aranha a Lampião: heróis dominam Carnaval de Olinda

Leonardo Rodrigues

Do UOL, em Recife

Os olhares de Olinda ficaram vidrados no início da tarde desta terça-feira de Carnaval. No telhado do casario da rua Prudente de Morais, no bairro do Carma, o Homem-Aranha negro surgiu de surpresa, caminhando e fazendo suas clássicas poses e movimentos, para o delírio da multidão nas ruas de pedra.

A aparição do herói, pouco antes de uma chuva forte cair na cidade, já é clássica no Carnaval. Começa após o desfile do bloco "Enquanto Isso na Sala de Justiça", que arrasta foliões trajados de Superman, Mulher Maravilha e Batman, os grandes hits da festa nas ladeiras.

No democrático Carnaval pernambucano, há espaço para heróis de todos os gostos, incluindo figuras históricas brasileiras, como o Zumbi de Palmeiras e o cangaceiro Lampião. O crime a ser combatido, a desanimação.

"Já virou um point. A aparição depois do desfile do bloco 'Enquanto Isso na Sala de Justiça', nos domingos. A partir daí não paro mais", diz o Aranha, que gastou US$ 2.500 no traje de látex, importada da Hungria pela internet.

Famoso e tietado por dezenas de pessoas, ele mantém a identidade sob sigilo. "Já saio há sete anos. Mas não posso falar. Gosto de manter o mistério", conta o herói mascarado, que possui outras três fantasias do ídolo, além de roupas de Superman e do Batman.

O Homem Morcego, por sinal, era visto aos montes em Olinda. Em diferentes versões. Da simples máscara a indumentária completa, de cinto, botas e capa negra. Com ou sem a presença do menino prodígio Robin.

"Olha, queria dizer que o Batman não é veado, como falam. Se você pegar a lenda, o Robin era um menino novo, que sempre se metia em confusão, e ele tinha que salvá-lo. Hoje em dia tem muito veado vestindo de Batman, mas ele nunca foi", relativiza o DJ Gilberto Carvallho, que gastou R$ 1.000 reais na importada e apertada fantasia, especialmente nas partes baixas.

Esse não foi exatamente o problema do assistente social Bruno Viana, cadeirante, que precisou mostrar superpoderes para desviar dos milhares de foliões nas ruas, pouco afáveis a quem, como ele, tem dificuldade de locomoção.

"Estou aqui de Superman por dois motivos. Primeiro, para homenagear o verdadeiro Superman, que era cadeirante. O segundo, para mostrar que basta força de vontade para superar as barreiras de estrutura na cidade", diz Bruno, morador de Olinda.

A resposta à pergunta clássica do calor provocado pelas fantasias vem do jornalista Júlio César Barros, o Chapolin Colorado do hemisfério sul. "Todo mundo sente um pouco. Mas aqui, com esse sol e esse clima, a gente sentiria calor de qualquer jeito. Não faz diferença", sintetiza.

"Hoje os heróis são cada vez mais necessários. Existe muita decadência na política, muita corrupção. Apenas damos o recado", completa o estudante Rafael Magalhães, um Capitão América vindo de Santo Antônio de Jesus, na Bahia.



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