Diretor da Beija-Flor diz que construtoras brasileiras pagaram desfile

Ana Cora Lima

Do UOL, no Rio

O diretor-artístico da Beija-Flor, Fran Sergio, afirmou nesta quarta-feira (18), durante a comemoração do título na quadra da escola, que o desfile da campeã do Carnaval carioca foi financiado por empresas brasileiras de construção civil que atuam na Guiné Equatorial. 

O tema do financiamento do desfile da escola ganhou destaque nesta terça após publicação de reportagem do jornal "O Globo" afirmando que a Beija-Flor teria recebido R$10 milhões de patrocínio da Guiné Equatorial. O presidente do país africano é um dos líderes mais ricos do continente e tem imóveis em diversos países, inclusive no Brasil. Na escola, apenas o embaixador da Guiné Equatorial no Brasil, Benigno-Pedro Tang, desfilou. Ele saiu no último carro alegórico. O vice-presidente do país e outras autoridades assistiram ao desfile de um camarote próprio.

Ao UOL, Fran Sergio, que foi responsável pela aprovação do enredo, negou que os custos tenham sido pagos pelo governo da Guiné. "Quem deu os R$ 10 milhões para o Carnaval foram empresas brasileiras que trabalham na construção civil de uma nova Guiné Equatorial", disse.

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"Quem se incomoda com patrocínio é burro. A escola deu 4.000 fantasias para a sua comunidade graças ao patrocínio", disse o diretor artístico da Beija-Flor, que trabalha na escola há 20 anos.

A informação de que o dinheiro veio de empresas brasileiras também foi confirmada ao UOL pelo presidente da escola, Farid Abrahão David.

Em entrevista ao "Estado de São Paulo", o embaixador da Guiné havia dito que o financiamento veio de "financiadores culturais". "O governo não tem nada a ver com isso. Somente pessoas do meio cultural", disse Tang ao jornal O Estado de S. Paulo. "O que a imprensa divulgou é uma soma muito excessiva. Se quiserem, podemos verificar e fazer a estimativa em detalhes em vez de falar no ar", acrescentou.

Ao final do desfile da Beija-Flor, na madrugada de terça-feira, Laíla, presidente da comissão de carnaval da Beija-Flor, criticou a imprensa ao falar sobre a polêmica. "Tem tanta coisa para jornalistas se preocuparem, tantas mazelas, e querem pegar o Carnaval, uma escola de samba honesta, de comunidade carente, que vive na miséria, para tirar proveito. É sujo", disse ele na dispersão, acrescentando que não fala sobre valores. "O país [Guiné Equatorial] é maravilhoso. Nós sabemos fazer carnaval. Eu não suporto política. Eu não falo de política." 

Violações de direitos humanos
A Beija-Flor foi a terceira escola a entrar na Sapucaí na segunda noite de desfiles do Carnaval carioca. Ovacionada pela plateia aos gritos de "é campeã!", a agremiação de Nilópolis defendeu um enredo patrocinado pelo país africano comandado há 35 anos por Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, que, segundo a ONG Anistia Internacional, é acusado de violações de direitos humanos, tortura e prisões arbitrárias.

O anúncio da vitória da escola suscitou críticas nas redes sociais, pelo envolvimento da escola da Guiné Equatorial.

"Samba enredo aos ditadores vence carnaval carioca 2015. Ano que vem homenagem será aos terroristas islâmicos. #BeijaFlor", escreveu um usuário do Twitter logo após o anúncio das campeãs. "Não vou comemorar o título, um título sustentado pelas mãos sanguinárias de um ditador #EssaNãoÉAMinhaBeijaFlor", postou outra internauta. 

Puxado mais uma vez por Neguinho da Beija-Flor, que comemora 40 anos à frente da escola, o enredo "Um Griô Conta a História: um Olhar Sobre a África e o Despontar da Guiné Equatorial. Caminhemos Sobre a Trilha de Nossa Felicidade" levou para a avenida alegorias feitas com búzios, palha e sisal. Griô, na mitologia africana, é um contador de histórias orais.

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