A ala das desinibidas: 7 mulheres que causaram no Carnaval

Do UOL, em São Paulo

 

 

Todos sabem que o Carnaval não é exatamente a festa mais pudica do mundo, com homens e mulheres (quase) peladões desfilando nas ruas ou em carros alegóricos para o mundo todo ver. Ainda assim, quase todo ano tem aquela personagem que passa um pouco da conta e rouba os holofotes, como aconteceu agora com a socialite Ju Isen, que arrancou a fantasia no meio do desfile da Unidos do Peruche, em São Paulo, depois que a escola a proibiu de entrar na avenida usando um tapa-sexo com a imagem da presidente Dilma Rousseff.

O Carnaval ainda não terminou e não se sabe o que os desfiles do Rio reservam, mas já é certo que a auto-intitulada "musa das manifestações" pró-impeachment já garantiu seu lugarzinho na ala das desinibidas do Carnaval brasileiro. Confira a seguir as representantes:

Enoli Lara, a pioneira da genitália desnuda

Foi no Carnaval de 1989 que Enoli Lara surpreendeu o país ao aparecer completamente nua no desfile da União da Ilha do Governador, como a deusa Afrodite do enredo "Festa Profana". Ela fez história na Marquês de Sapucaí, ao ser a primeira mulher a desfilar totalmente nua na passarela do samba - no ano seguinte a Liga proibiu a nudez total. Há um ano o UOL conversou com Enoli, que lembrou que o episódio nasceu de uma brincadeira com seu então namorado, o jogador Falcão. "Disse para ele que iria sair sem calcinha e que ele iria jogar champanhe do camarote. Ele não acreditou que eu faria aquilo. Quando adentrei no setor 1, ninguém esperava. Incorporei Afrodite e fiz movimentos de cópula. Me senti plena a mais de 10 metros de altura."

Dercy Gonçalves, topless com muletas

Quem disse que para fazer topless na avenida é preciso estar com "tudo em cima", marombada ou siliconada? Aos 83 anos, a atriz e comediante Dercy Gonçalves provou o contrário. Era 1991 e o primeiro desfile da Unidos do Viradouro da divisão principal do Carnaval carioca. Dercy era a homenageada do enredo e desfilou em cima de um carro, com os seios à mostra e a ajuda de muletas.

Lilian Ramos, a mulher que abalou a República

Há 22 carnavais, outra genitália desnuda abalava a então jovem democracia brasileira. Em uma foto estampada em todos os jornais e revistas, a modelo e atriz Lilian Ramos apareceu sem calcinha ao lado do então presidente da República Itamar Franco em um camarote da Sapucaí durante o Carnaval de 1994. Não faltaram editoriais na imprensa, discursos no Congresso e recursos jurídicos pedindo o afastamento do mandatário nacional - vale lembrar que não fazia dois anos do afastamento de Collor. A turbulência durou algumas semanas, mas foi esquecida quando, cinco meses depois, Itamar lançou o plano econômico que se tornou o Real. "Hoje dá vontade de rir dessa história. Foi uma forma ridícula de tentar atingir a moral do presidente. Pensei em processar todo mundo, mas preferi ir embora do Brasil", relembrou Lilian Ramos, que hoje vive em Roma, em entrevista ao UOL em 2014.

Luma de Oliveira e a coleira de compromisso

Musa de muitos carnavais e escolas cariocas desde a década de 80, a modelo Luma de Oliveira engatou um relacionamento sério com o empresário Eike Batista no início dos anos 90. A paixão era intensa, assim como o ciúme do marido, que chegou a proibi-la de sair na avenida. Antes disso, no entanto, ela apareceu com uma coleira gravada com o nome de Eike com pedras brilhantes. A atitude foi muito criticada na época, como sinal de submissão feminina ao homem. Em entrevista à revista "Época", Luma assumiu a carapuça. "Dedico-me à família e me orgulho de ser dona de casa. Adoro passar a ferro as camisas de meu marido." Oito anos depois, em meio a especulações de traição, livrou-se da coleira, do marido, arrumou um namorado bombeiro e, um ano depois, voltou à Sapucaí - agora com um par de algemas no pescoço.

Viviane Castro e o tapa-sexo invisível

Em uma época em que a moda era disputar quem entrava na avenida com o menor tapa-sexo, a modelo Viviane Castro se armou com um adereço de apenas 3,5 cm para desfilar pela escola São Clemente, no Carnaval do Rio de 2008. Dizia ela ser o menor já usado por uma passista na Sapucaí. O problema é que o tapa-sexo, se é que existiu, era tão pequeno que muitos suspeitaram que Viviane estava completamente nua na avenida. No dia da apuração, a São Clemente foi punida com perda de pontos por ter desfilado com uma integrante com a genitália desnuda.

Andressa Urach em: "Roubaram minha fantasia!"

Era uma vez uma Andressa Urach barraqueira. Muito antes de superar o acidente com hidrogel que quase colocou sua vida em risco e converter-se à religião evangélica, a modelo gaúcha conhecida como ex-vice-miss bumbum não poupava esforços para aparecer. No Carnaval de 2013, ela abandonou a escola Tom Maior a poucos minutos do desfile começar alegando não ter gostado da posição que ganhou no carro alegórico da escola. "Eles me prometeram um destaque no carro, eu já estava lá em cima e vi que me deixariam no meio da fumaça, quase sem aparecer", disse a modelo ao UOL na ocasião, que iria desfilar com os seios descobertos e praticamente sem fantasia. Na concentração do desfile, o então assessor Cacau Oliver afirmou que a fantasia de Andressa tinha sido roubada e que ela precisou "improvisar, em 24h" um novo figurino.

Ju Isen, a impedida politizada

Chegamos enfim a 2016, quando a socialite Ju Isen, destaque da Unidos do Peruche, de São Paulo, foi expulsa da avenida por despir parte de sua fantasia em protesto após ser impedida pela escola de usar um tapa-sexo com a imagem da presidente Dilma Rousseff. A agremiação vetou o protesto, que poderia tirar pontos no desfile, e a obrigou a sair vestida com um comportado macacão cor da pele pelo Anhembi. Não deu outra: minutos após o início do desfile, quando estava em frente a fotógrafos e cabines dos julgadores, Isen arrancou parte da fantasia em um novo protesto. Em entrevista ao UOL minutos antes do desfile, Isen contou porque queria usar o tapa-sexo. "A minha fantasia é a repudia que todos nós brasileiros temos pela presidente da República, por toda a corrupção, falta de segurança, falta de escola, falta de hospitais. Eu vim realmente para manifestar".

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