São Paulo

Claudia Raia, Beija-Flor e 100 anos do samba serão temas de escolas de SP

Nelson Nunes

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • Marcos Ferreira/Photo Rio News

    Claudia Raia à frente do carro abre-alas da Beija-Flor em 2015. A atriz será a homenageada da Nenê de Vila Matilde

    Claudia Raia à frente do carro abre-alas da Beija-Flor em 2015. A atriz será a homenageada da Nenê de Vila Matilde

As escolas de samba do Grupo Especial de São Paulo, que cruzam o sambódromo nos dias 5 e 6 de fevereiro, farão alguns desfiles com homenagens e diversos outros celebrando a cultura brasileira.  A atriz Claudia Raia – que completou 30 anos de carreira em 2015 – será tema da Nenê de Vila Matilde, com o enredo "Nenê Apresenta Seu Musical: Rainha Raia nas Asas do Carnaval".

Outra escola que dedicará seu desfile para uma homenagem será a Acadêmicos do Tatuapé. Com o enredo "É ela, a Deusa da Passarela – Olha a Beija-Flor Aí, Gente!", a escola da zona leste de São Paulo lembrará Carnavais que marcaram a agremiação carioca de Nilópolis, além de festejar o carnavalesco Joãosinho Trinta.

Na noite de sábado, dois desfiles celebrarão o centenário do samba. A Unidos do Peruche, campeã do Grupo de Acesso em 2015, levará ao Anhembi o tema "Ponha um Pouco de Amor numa Cadência e Vai Ver que Ninguém no Mundo Vence a Beleza que Tem o Samba… 100 Anos de Samba, Minha Vida, Minha Raiz". Já a Mocidade Alegre apresentará o enredo "Ayo – A Alma Ancestral do Samba".

A Vai-Vai, grande campeã do Grupo Especial de 2015, vai cruzar a avenida com um tributo à cultura francesa, com o enredo "Je Suis Vai-Vai, bem-vindos a França".

Veja o que as escolas levarão para o Anhembi

Eduardo Anizelli/Folhapress
Eduardo Anizelli/Folhapress

Pérola Negra - 5 de fevereiro, às 23h15

Enredo: Do Canindé ao Samba no Pé. A Vila Madalena nos Passos do Balé - A escola da Vila Madalena, zona oeste de São Paulo, leva para a avenida a "alma dançante" do bairro sede da agremiação e tradicional reduto da nova boêmia da cidade. Para contar essa história, o carnavalesco Fábio Borges traça uma imaginária linha do tempo que começa num período em que o bairro ainda era uma floresta de Mata Atlântica e termina nos dias de hoje, em que a Vila Madá tem se consolidado como o epicentro dos blocos de rua.
Reinaldo Canato/UOL
Reinaldo Canato/UOL

Unidos de Vila Maria - 5 de fevereiro, à 0h20

Enredo: A Vila Mais Famosa É a Mais Bela, Ilha Bela da Fantasia - Apostar num enredo em homenagem a uma cidade, estado ou país é sempre um risco. Chamado depreciativamente no mundo das escolas de samba de enredo-CEP, pois geralmente é feito por encomenda e em troca de patrocínio, esse tipo de abordagem exige muita criatividade para agradar. É nisso que aposta a Unidos de Vila Maria ao delegar ao carnavalesco Alexandre Louzada o desafio de homenagear Ilhabela, cidade do litoral norte paulista, conhecida pela beleza de suas praias e pelas histórias de naufrágios. Louzada é um craque e tem condições de mergulhar nessa história com maestria. A proposta do enredo é tratar o lugar como uma espécie de ilha da fantasia.
Lucas Lima/UOL
Lucas Lima/UOL

Águia de Ouro - 5 de fevereiro, à 1h25

Enredo: Ave Maria Cheia de Faces - A ideia de levar símbolos religiosos para a avenida exerce um certo fascínio sobre os carnavalescos e ganhou peso e eco desde que o Cristo Redentor de Joãosinho Trinta foi censurado no desfile da Beija-Flor em 1989. A Águia de Ouro pensou inicialmente em falar de Nossa Senhora Aparecida, mas a proposta foi mais longe e a escola da Pompéia prepara uma celebração a Maria, mãe de Jesus, como símbolo da feminilidade e da maternidade. Trata-se, então, de um enfoque mais filosófico do que religioso. Para os carnavalescos Amarildo de Mello e André Marins, essa licença permitirá tratar de fé, religiosidade, crença e devoção e, ao mesmo tempo, fazer uma elegia à mulher, com foco nas figuras femininas de destaque na história.
Leo Franco / AgNews
Leo Franco / AgNews

Nenê de Vila Matilde - 5 de fevereiro, às 3h35

Enredo: Nenê Apresenta Seu Musical. Rainha Raia nas Asas do Carnaval - A comunidade de Vila Matilde aposta para sair do Anhembi com o título em 2016 em um enredo biográfico homenageando a atriz, dançarina e produtora Cláudia Raia, que é destaque na encenação de grandes musicais ao estilo da era de ouro do cinema. É nessa faceta da artista em que o enredo criado pelo carnavalesco Roberto Szaniecki está centrado, dando a entender que o desfile pode levar à passarela do samba um musical ao ar livre, dando forma e conteúdo à história bem-sucedida de uma menina chamada Maria Cláudia, levada ao estrelato.
Reinaldo Canato/UOL
Reinaldo Canato/UOL

Rosas de Ouro - 5 de fevereiro, às 2h30

Enredo: Arte à Flor da Pele. A Minha História Vai Marcar Você - Em busca de um campeonato que teima em lhe escapar pelo vão dos dedos, castigando desfiles primorosos nos últimos anos, a Rosas de Ouro aposta neste Carnaval num enredo sobre a história da tatuagem, arte que se mantém viva em todas as civilizações há mais de cinco mil anos. Para tratar do tema de forma criativa e lúdica, o carnavalesco André Cezari se valeu de muita pesquisa, indicando que o desfile da Rosas será uma aula sobre o tema. Em séculos de existência, a tatuagem identificou vencedores nas batalhas, esculpiu corpos, consagrou rituais, desbravou os mares e migrou com navegantes entre as civilizações. Do Egito ao Japão, desenvolveu-se em estilos e técnicas das mais diversas. Perseguida pela Igreja Católica, chegou a ser proibida no ano 787 d.C., pelo Papa Adriano I. Mas hoje é idolatrada entre minorias, periferias, artistas e todos os que fazem da tatuagem um ato de afirmação, seja por rebeldia ou exibicionismo.
Reinaldo Canato/UOL
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Gaviões da Fiel - 5 de fevereiro, às 4h40

Enredo: É Fantástico! Imagine, Admire e Sinta! - Com dificuldades para passar pela avenida sem referências que remetam ao Corinthians, a Gaviões da Fiel -- a torcida que samba -- tenta virar o jogo com um enredo abstrato. O tema não é muito comum nem fácil de ser assimilado, e fala sobre sensações humanas diante de criações fantásticas. O enredo, sob o comando do carnavalesco Zilkson Reis, parte do princípio que, desde a explosão humana da vida, tudo começa a ganhar novas formas, sentidos e rumos, originando sempre um espetáculo transmutável para outros mundos, universos do faz de conta e abismos do subconsciente.
Alexandre Shcneider/UOL
Alexandre Shcneider/UOL

Acadêmicos do Tatuapé - 5 de fevereiro, às 5h45

Enredo: É ela, a Deusa da Passarela - Oha a Beija-Flor Aí, Gente! - Fechando a primeira noite de desfiles no sambódromo paulistano, a Acadêmicos do Tatuapé contará a trajetória de uma das mais importantes escolas de samba do país, a multicampeã Beija-Flor de Nilópolis. O enredo do carnavalesco Mauro Xuxa faz a apologia da escola e lembra seus desfiles mais marcantes, muitos dos quais assinados pela genialidade de Joãosinho Trinta. O carnavalesco impôs uma nova estética ao Carnaval, com mensagens de crítica social e empoderamento da comunidade. A Tatuapé e sua homenageada têm em comum as cores azul e branca, além de São Jorge como padroeiro. Selminha Sorriso e Claudinho, símbolos da Beija-Flor, estarão na passarela paulista, além de Pinah, que sambou com o Príncipe Charles em visita ao Brasil em 1978.
Reprodução
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Unidos do Peruche - 6 de fevereiro, às 22h35

Enredo: Ponha um Pouco de Amor numa Cadência e Vai Ver que Ninguém no Mundo Vence a Beleza que Tem o Samba...100 Anos de Samba, Minha Vida, Minha Raiz - O centenário do samba será o tema de duas escolas na segunda noite do Grupo Especial. A Unidos do Peruche é uma delas, juntamente com a Mocidade Alegre. Com a assinatura do carnavalesco Murilo Lobo, a escola quer fazer de seu espetáculo uma declaração de amor ao samba, que este ano completa 100 anos do registro oficial de sua primeira obra. Segundo a Biblioteca Nacional, "Pelo telefone" foi o primeiro samba gravado no Brasil, em 1916. A música foi composta por Donga e Mauro de Almeida, na casa de Hilária Batista de Almeida, nome de batismo da Tia Ciata, dona de terreiro e grande fomentadora da cultura negra no Brasil.
Alexandre Shcneider/UOL
Alexandre Shcneider/UOL

Império de Casa Verde - 6 de fevereiro, às 23h35

Enredo: O Império dos Mistérios - Para fazer jus ao enredo, a direção de Carnaval da Império de Casa Verde guarda a sete chaves detalhes de seu desfile. O tema foi desenvolvido pelo carnavalesco Jorge Freitas. A agremiação propõe uma viagem pelos segredos, mistérios e acontecimentos inexplicáveis da história da humanidade. A julgar pelo histórico de Jorge de Freitas, é de se esperar um desfile que seja, ao mesmo tempo, certinho tecnicamente para os jurados e ousado para o público. "Império dos Mistérios é uma viagem por tudo aquilo que o homem sempre tenta explicar de alguma forma. Vamos levar para a Avenida uma viagem pelo Eldorado, mistérios da fé, da morte, das civilizações, vida em outros planetas, essas coisas todas", resume Jorge.
Lucas Lima/UOL
Lucas Lima/UOL

Acadêmicos do Tucuruvi - 6 de fevereiro, à 0h40

Enredo: Celebrando a Religiosidade, Tucuruvi Cantas as Festas de Fé - Uma viagem em busca das principais festas de fé e religiosidade do povo brasileiro. Essa é a base do enredo da Acadêmicos do Tucuruvi. O carnavalesco Wagner Santos promete um desfile alegre, colorido e divertido, como se a própria apresentação fosse uma celebração. A escola tem tradição de criar enredos garimpados do folclore e da cultural popular. O samba faz referências às festas de Padre Cícero, Círio de Nazaré, São João e à Festa do Divino. Embora o tema já tenha sido bastante explorado, a agremiação promete um espetáculo inovador, diferente, capaz de driblar a mesmice.
Reinaldo Canato/UOL
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Mocidade Alegre - 6 de fevereiro, à 1h45

Enredo: Ayo - A Alma Ancestral do Samba - Maior campeã da última década, a Mocidade Alegre busca mais um título com um enredo que faz referência aos 100 do samba no Brasil, valorizando a ancestralidade do gênero e suas raízes africanas. O enredo sugere um desfile marcado pela emoção, com forte influência de orixás e divindades das religiões de matiz africana. O carnavalesco Sidnei França mergulhou na lenda de Ayo, criatura divina da linhagem dos mais puros orixás, com a missão de movimentar-se no ar para propagar a alegria pelo som... "Do som nascia a música... Que rufem os tambores - com alma, com raça, com vibração", diz a Mocidade
Reinaldo Canato/UOL
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Vai-Vai - 6 de fevereiro, às 2h50

Enredo: Je Suis Vai-Vai: Bem-Vindos à França! - Sob a regência sempre delirante dos carnavalescos Renato e Márcia Lage, de épicos desfiles no Salgueiro, a Vai-Vai promete fazer uma viagem ao país mais visitado do mundo. Para a escola, a França encanta, seduz, desperta os sentidos e é o lugar em que pessoas de todo o mundo vão para realiar sonhos. A agremiação do Bixiga convida o público a "conhecer" a Torre Eiffel, o Louvre, a Mona Lisa e faz muitas referências a símbolos da cultura e da história francesa, de Napoleão a Pompidou, de Asterix a Obelix, da Praça de La Concorde à avenida Champs-Élysèes, de Pierre Cardin a Givenchy, do brie a roquefort.
Reinaldo Canato/UOL
Reinaldo Canato/UOL

Dragões da Real - 6 de fevereiro, às 3h55

Enredo: Surpresa! Adivinha o que Eu Trouxe Pra Você? - No ano da comemoração dos 15 anos da Dragões da Real, a escola traz um enredo falando sobre o ato de dar e receber presentes. Um gesto de amor e felicidade tanto para quem presenteia quanto para quem ganha. A comissão de Carnaval formada por Dione Leite, Junior Schall, Rogério Félix, Flávio Campelo e Jorge Silveira propõe que o agente condutor dessa história seja o próprio presente, como se ele ganhasse vida e narrasse o enredo em primeira pessoa. O desfile é divido em cinco partes -- ou cinco presentes -- e mostra a emoção e as sensações causadas nos presenteados.
Lucas Lima/UOL
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X-9 Paulistana - 6 de fevereiro, às 5h

Enredo: Açaí Guardiã! Do Amor de Laçá ao Esplendor de Belém do Pará" - O carnavalesco André Machado, que faz sua estreia na escola da Zona Norte, leva para a avenida o encanto de uma lenda. A história dá conta de uma tribo que sofria com a escassez de alimentos. Para amenizar a falta de comida, o cacique Itaki ordena o sacrifício de todas as crianças recém-nascidas, evitando que elas sofram com a fome. Mas quis o destino que sua filha, a bela Iaçá, engravidasse. Amargurada, ela morre abraçada a uma palmeira da qual botava um fruto arroxeado. O fruto é o alimento que salva a tribo e ganha o nome de Açaí, o nome invertido da filha do cacique.

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