São Paulo

Bateria de dependentes químicos desfila pela 1ª vez na cracolândia

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Duas vezes por dia, em meio à aglomeração de usuários de crack conhecida como fluxo, o barulho de carroças e conversas é substituído pelo samba na cracolândia, região central paulistana. São os ensaios da bateria Coração Valente, formada por dependentes químicos, que vai fazer seu primeiro desfile pelas ruas da região nesta sexta-feira (5) a partir das 13 horas, na rua Helvétia.

Quando estão com tamborim, caixa e surdo nas mãos, os integrantes da bateria reúnem concentração, disciplina e alegria. Cada ensaio dura cerca de uma hora e quem participa não pode usar substância entorpecente durante a atividade.

Frequentador da região há dez anos, Josué Viola, de 51 anos, já tinha experiência com o samba. "Eu toco surdo e estou achando ótimo, porque a gente vai largando as drogas. Todo ser humano tem recuperação e, mesmo dormindo na rua, sempre tem um sorriso em nós."

Estadão Conteúdo
Ensaio na cracolância, na região da Luz, centro de São Paulo

Tempo

O grupo, que às vezes chega a ter 40 ritmistas, é conduzido pelo arteterapeuta do Programa Recomeço, projeto estadual de combate à dependência química, Anderson Rogério Santos, de 37 anos. "Peguei um tamborim e passei tocando no fluxo. A música é tempo, ritmo e organização e eles aprendem isso." O nome da bateria, que acompanhará o Blocolândia, foi escolhido por meio de votação.

Basta o ensaio começar para ter início uma movimentação de rainhas de bateria e passistas. Até um casal de mestre-sala e porta-bandeira segurando um pavilhão imaginário aparece. Os ensaios acontecem há dez meses, como parte do projeto Cidadania Rodante nas Ruas da Luz, que oferece oficinas culturais e artísticas. A ação é uma iniciativa da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania e dos coletivos Casa Rodante, Casadalapa e Projeto Oficinas.

As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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