Recife e Olinda

Após corte de verba, Rec-Beat pede ajuda para público para Carnaval 2016

Do UOL, em São Paulo

Não só de Galo da Madrugada se vive o Carnaval de Recife. Há mais de vinte anos o Rec-Beat anima as festividades em Pernambuco com uma programação que foge das obviedades. Mas a edição de 2016 do tradicional festival está sob ameaça.

Em um ano de cortes na cultura, o festival perdeu 50% do patrocínio da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, e pede ajuda para o público para que o evento ocorra da mesma forma de sempre – gratuito e com uma programação diversa. Saiba mais sobre a campanha.

"A nossa decisão de lançar o crowdfunding é fazer frente a esse corte linear, de 50%. Acreditamos que esses cortes deveriam levar em conta o custo/ benefício, a gente tem um publico muito grande, gera uma mídia espontânea muito grande para Recife", lamenta o produtor e fundador do festival, Antonio Gutierez.

Criado em Olinda, na época que o Manguebeat explodia para o mundo, e posteriormente transferido para o Recife, o Rec-Beat se tornou referências entre os festivais  por apresentar diferentes tendências e gêneros musicais em quatro dias e cerca de 120 mil espectadores.

Foi nos palcos do festival que nomes como Criolo, Emicida, Karina Buhr e Siba fizeram shows antológicos antes de se tornarem conhecidos nacionalmente. O festival ainda abre a janela para a produção latina. Os colombianos do Bomba Estéreo e a cantora chilena Ana Tijoux, reconhecidos internacionalmente, se apresentaram pela primeira vez no Brasil no palco do festival. "Não é só uma festa, ele cumpre uma função, que é a circulação de novas atrações", explica o produtor.

Até o ano passado o festival contava com repasse de R$ 400 mil da Fundação, valor congelado há cinco anos, o que, segundo Gutierez, já lhe davam uma margem apertada para a produção. Há quase dois meses, o festival ficou sabendo que o patrocínio passaria a ser R$ 200 mil, mais a estrutura do palco.

Para conseguir os R$ 200 mil restantes na campanha, Gutie, como é conhecido, correu atrás das recompensas. Conseguiu com artistas doação de vinis, e com produtores parceiros, ingressos para outros festivais, como o Bananada (GO) e Festival Do Sol (RN), para completar os kits de recompensa.

A ideia é fazer o festival acontecer de qualquer forma. "Estamos negociando com bastante com artistas e, se for o caso, vamos adequar, diminuir o número de atrações. O que é importante é não deixar de fazer", explica. "Mas eu estou otimista que a gente vai conseguir".

A programação ainda não está confirmada, mas já está em negociação. De concreto, a cantora Karina Buhr fará a arte da edição 2016 do festival. – os originais de seus desenhos também fazem parte da recompensa, que pode ser arrematada até dia 5 de fevereiro, véspera do início do festival. 

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