Rio de Janeiro

"Japonês da Federal" é aposta de fábrica de máscaras para o Carnaval

Claudia Dias

Do UOL, no Rio de Janeiro

No Carnaval de 2016, o policial federal Newton Ishii -- que ficou conhecido como "Japonês da Federal" -- deve virar moda entre os foliões. Ele ganhou fama após ser fotografado e filmado várias vezes em prisões e apreensões da operação Lava Jato, e agora virou máscara de Carnaval.

A popularidade do agente chamou atenção de uma empresária que produz máscaras para a folia, mas exigirá cuidado redobrado. "As máscaras de políticos são feitas sem autorização porque eles são pessoas públicas e foram colocadas ali pelo povo. No caso do agente, como ele não é um político e não temos o direito de imagem, a máscara tem apenas alguns traços dele. Ela foi confeccionada a partir da máscara de um samurai comum", explicou Olga Valles, proprietária de uma fábrica de São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Os óculos escuros deixam o protótipo mais parecido com o modelo original.

Segundo Dona Olga, as ideias para o acessório vêm dos noticiários. "Tem que ser figuras que estão na mídia. Me pauto pelas notícias", comentou. Além do japonês, as outras apostas da fábrica são as máscaras do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do senador Delcídio Amaral (PT-MS). Mas, para ela, o Brasil reage de forma diferente às figuras políticas no Carnaval. "Na Europa, os políticos que mais vendem máscaras são aqueles que são alvos dos maiores protestos. Os mais vendidos são os maiores vilões. Já aqui no Brasil, tem que ter alguma empatia. Os brasileiros preferem as pessoas do bem, usam as máscaras para elogiar", frisou a empresária. Segundo ela, no ano passado foram vendidas 15 mil unidades com a face do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa.

Júlio César Guimarães
Máscara do King Kong existe há 45 anos e é recordista de vendas carnavalescas

Os maiores recordes de vendas, no entanto, não são de rostos de políticos. "O recorde é do King Kong. A máscara existe há 45 anos e ainda é um dos nossos produtos mais vendidos. Além dele, o Osama Bin Laden também vendeu muitas unidades na época dos atentados de 11 de setembro", lembrou. As celebridades e os atletas, por sua vez, não entram na lista de produção da fábrica. "No caso dos artistas, eles trabalham com a imagem e, por isso, não conseguimos negociar. Já pensamos em jogadores de futebol, mas neste caso, os nossos números geralmente não agradam aos atletas, já que os preços são baixos. Só o Ronaldo Fenômeno e o Ronaldinho Gaúcho que liberaram suas imagens e não pediram nada em troca. Mando apenas máscaras quando eles pedem", lembrou.

Proprietária e administradora da fábrica, que já existe há 57 anos, a espanhola Olga Valles contou que o trabalho era um dos preferidos do marido, o artista plástico espanhol Armando Valles, morto há oito anos. E que ela continua tocando o negócio da família como uma forma de homenageá-lo. "Assim que acabou a ditadura, ele começou a fazer máscaras e se apaixonou por este trabalho. Depois que ele faleceu, eu dei continuidade." 

Neste ano, no entanto, as coisas estão mais difíceis. As vendas caíram em torno de 30%. Com as vendas baixas, eles não tiveram o já habitual reforço no número de funcionários. "Normalmente, trabalhamos com 10 funcionários durante todo o ano e, no Carnaval, passamos para 15. Este ano, mantivemos o mesmo número do ano passado por causa do baixo número de pedidos. Este ano as coisas estão complicadas e o Carnaval no início de fevereiro piora ainda mais. Quando acontece em março, as vendas costumam ser melhores", disse a proprietária.

Mas engana-se quem pensa que a fábrica sobrevive apenas do Carnaval. Segundo Olga, o Halloween é hoje uma data que registra vendas bem próximas às da folia de Momo. "O movimento vem crescendo mais a cada ano. Fazemos máscaras e fantasias de bruxas e monstros e elas têm vendido bastante", afirmou ela. Outras datas importantes no calendário da fábrica são a Páscoa, as festas juninas e o Natal.

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos