Rio de Janeiro

União da Ilha e Mocidade ficam devendo em seus ensaios na Sapucaí

Anderson Baltar

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

Com um público que praticamente lotou as arquibancadas do lado ímpar do sambódromo carioca, União da Ilha do Governador e Mocidade Independente de Padre Miguel abriram a temporada de ensaios técnicos do Grupo Especial em 2016. A menos de um mês dos desfiles, as agremiações mostraram que ainda têm muito trabalho pela frente para disputar o título do Carnaval. Enquanto a Ilha se ressentiu de um bom rendimento de seu samba, a Mocidade teve problemas de evolução.

Embalada pelo antológico samba "É Hoje", de 1982, a União da Ilha entrou na avenida nos braços do povo. Apesar de nunca ter sido campeã do Carnaval carioca, a tricolor goza de muita popularidade e simpatia do público. Escorada nessa condição, a Ilha fez uma boa arrancada e atraiu muitos aplausos com a divertida e bem ensaiada coreografia de sua comissão de frente, comandada por Patrick Carvalho. O destaque do grupo era um componente cadeirante que fazia acrobacias. Ouça os melhores momentos da transmissão do ensaio da União da Ilha:

Bastante ensaiadas, as alas defendiam com garra o apenas regular samba da escola. Porém, ao longo do ensaio, a obra mostrou suas limitações e o desfile foi perdendo pique. O ritmo do cortejo, excessivamente lento, também prejudicou. Mesmo assim, a União da Ilha teve momentos de emoção. O principal destaque foi a bateria de Mestre Ciça. Em seu segundo ano à frente dos ritmistas insulanos, o comandante resgatou a tradicional batida de caixa de guerra e abusou de paradinhas em que os ritmistas batiam palmas e mandavam abraços para o público, que respondeu de forma calorosa.

Com um atraso de mais de meia hora, a Mocidade Independente de Padre Miguel entrou na pista sob a expectativa das presenças da rainha de bateria, Claudia Leitte, e da cantora Anitta, que desfilaria como musa. As artistas provocaram um grande aparato de segurança ao longo do cortejo, o que tornou tensa a entrada da Mocidade na avenida. A comissão de frente, mesmo sem mostrar muitas pistas da coreografia oficial, arrancou aplausos com seus integrantes escrevendo a palavra "Mocidade" com seus corpos por meio de acrobacias. Ouça os melhores momentos do ensaio da Mocidade:


O que era tensão se transformou em desespero quando o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Diogo Jesus e Cristiane Caldas, se apresentou. Ao contrário da maior parte das concorrentes, a Mocidade não o posicionou no início do desfile e o casal desfilou à frente da bateria. Enquanto o casal se apresentava para a primeira cabine de jurados, as alas anteriores continuaram a desfilar. Com isso, formou-se um claro de mais de 50 metros de extensão. Uma falha que seria fatal em dia de desfile e que comprometeu bastante a qualidade do ensaio da verde e branco. Mais adiante, a escola também passou por apuros. Fãs invadiram a pista de desfile para agarrar Anitta, dando mais trabalho para seguranças e integrantes da harmonia.

Como ponto positivo no desfile da Mocidade, há de se destacar o belo trabalho da bateria de Mestre Dudu, que não deixou a cadência cair, e o bom canto das alas, especialmente no terço final da escola. A verde e branco, que não conquista o título desde 1996 e não volta no Desfile das Campeãs há 13 anos, mostrou, ao menos, que tem disposição para tentar superar suas dificuldades. Resta saber se conseguirá o feito até o domingo de Carnaval.


A noite foi aberta com a simpática apresentação da Inocentes de Belford Roxo, escola da Série A (equivalente ao Grupo de Acesso) e que contou com a presença da Mulher Melão como rainha de bateria. Os ensaios técnicos prosseguem no sábado com Caprichosos de Pilares e Império da Tijuca (ambas da Série A). No domingo, é a vez de Paraíso do Tuiuti (Série A), Unidos da Tijuca e Portela treinarem na Sapucaí.

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