São Paulo

Claudia Raia escolhe 5 sósias para desfilar com ela na Nenê de Vila Matilde

Nelson Nunes

Colaboração para o UOL, em São Paulo

Foi um desafio, mas elas não fugiram da raia. Nem a falta de semelhança física e dos múltiplos dotes artísticos da homenageada impediram que 25 candidatas participassem do concurso que a Nenê de Vila Matilde realizou na noite desta segunda-feira (25) para escolher sósias da atriz Cláudia Raia, personagem-tema do enredo que a escola da Zona Leste vai levar para o Anhembi este ano.

Mais preocupadas em prestar um tributo a artista, todas as candidatas procuraram mostrar no palco da quadra da escola o quanto veneram a artista -- inclusive um homem: o ator e humorista paulistano Du Kamargo, que se equilibrou em cima de um salto dez e requebrou com o mesmo vigor de La Raia dentro de um insinuante vestidinho verde. "Confesso que tô nervosa", dizia ele, ainda na coxia, antes de começar a festa.

Apesar da apresentação honrosa, Du não ficou entre as cinco sósias escolhidas pelo júri, composto pela própria atriz, seu marido, o ator Jarbas Homem de Mello, sua filha Sophia Raia, o diretor teatral José Possi Neto e o coreógrafo Nilldo Jaffer. As eleitas foram Helen Dieb (28 anos, bailarina, de Brasília-DF), Camila Queiróz (28 anos, consultora, de Porto Alegre-RS), Fabrícia Karine (36 anos, administradora de empresas, 36 anos, de Itajaí-SC),  Karine Osses (38 anos, bailarina, de Osasco-SP) e Rafaelle de Oliveira (25 anos, bailarina, de São Paulo-SP).

As vencedoras não ganharam nem faixa, troféu ou dinheiro, mas vão poder realizar o sonho de viver Cláudia Raia por um dia. Num jogo inspirado no livro infantil "Onde está Wally?", elas vão para a avenida vestidas com figurinos usados pela atriz em musicais e novelas da Globo com a finalidade de desafiar a plateia a descobrir em que qual dos cinco carros alegóricos da escola está a verdadeira Cláudia Raia. Para não estragar toda a surpresa, ela não revela como será a mecânica teatral utilizada por ela e suas sósias no desfile. Mas já se sabe que mesmo as 20 candidatas que perderam a final do concurso vão estar no Anhembi fazendo figuração nas arquibancadas, camarotes e áreas vips do Sambódromo durante o desfile da Nenê, terceira escola a entrar na avenida na primeira noite (5/fev).

A ideia da brincadeira foi da própria Cláudia Raia, e atraiu 122 inscritas na fase de seleção. Após algumas triagens, ficaram as 25 finalistas. Na última hora, o ator Jans Marques apareceu de surpresa na quadra da Nenê, na pele do personagem Tonhão (sucesso de Cláudia no humorístico TV Pirata, de 1988), e também ganhou o direito de participar. "Já que eu dei vida a tantos personagens na carreira, por que é que pessoas anônimas não poderiam representar a mim mesmo na avenida ?", diz Cláudia Raia.

Vestida num luxuoso e brilhante vestido de pedrarias, o que fez subir o termômetro da adoração das fãs, Cláudia Raia revelou que a ideia do concurso é uma referência a um mito do cinema, Charles Chaplin. Quando produziu o musical em homenagem ao ator, ela incluiu uma passagem curiosa, que tem a ver com a ideia levada à Nenê. O próprio Chaplin, já famoso nas telas, participou de um concurso de sósias seus e acabou ficando em terceiro lugar. "É incrível, e ao mesmo tempo divertido, que tivesse mais gente mais parecida com o Chaplin do que o próprio Charles Chaplin", diz Cláudia Raia.

As vencedoras, claro, não conseguiam esconder a alegria e satisfação de terem sido aprovadas pela própria atriz Raia. A bailarina Karine Osses foi a mais aplaudida da noite, depois de uma performance de dança que remetia a coreografias criadas por Cláudia Raia, a original, no musical "Não Fuja da Raia". Ela conta que ao terminar a apresentação, recebeu um beijo de Cláudia e só isso já lhe garantiria o grande prêmio da noite. "Quando voltei para a coxia estava chorando, emocionada. Sou bailarina profissional e a Cláudia é minha referência artística. Tentei fazer o meu melhor, mas não imaginava estar entre as cinco escolhidas".

Imagine então a surpresa da administradora de empresas Fabrícia Karine, 36 anos, casada, mãe de uma filha de 20 anos, e quase nenhuma vivência de palco.  Inscrita pela filha e encorajada pelo marido, que estava na plateia, ela veio de Itajaí, Santa Catarina, sem medo de ser feliz. Caprichou no modelito (um maiô preto cavado, que deixava à mostra sua boa forma física, e um delicado costeiro de plumas) para encarnar a personagem Samantha Paranormal, da novela Alto Astral (2014/2015). Rindo à toa com a decisão dos jurados, admitiu que o desfile será um novo desafio, já que nunca pisou numa escola de samba.

Quem também não esperava tanto sucesso foi a bailarina Helen Dieb, de Brasília. Ela mandou o vídeo de inscrição no último dia e não esperava nem sequer ser chamada para a prova final. Tanto que estava em férias no Recife. De última hora, pegou o único maiô que havia levado na mala, pediu uma meia calça preta emprestada da tia, e veio para São Paulo. Foi a primeira a entrar no palco da Nenê e fez bonito com uma coreografia que misturava cenas dos musicais "Não Fuja da Raia" e "Cabaret". O improviso deu certo, mas sua experiência em artes cênicas e o corpo malhado por uma técnica que ela chama de "teatro físico" ajudaram a compor o personagem que lembrava bastante as performances da atriz no início dos anos 80. Solteira, mãe de um filho, ela só dividia as atenções dos holofotes da fama repentina com o whats app, através do qual falava com o namorado, que mora em Jataí, Goiás. "Vai ser minha primeira vez na avenida, mas pela energia que senti aqui, já sei que vai ser lindo demais!".

Para quem não ganhou, ficou a alegria de ter estado tão perto de Cláudia Raia e a satisfação de ter tirado lá do fundo da alma uma pontinha de coragem para estar ali naquele palco. Como a jornalista mineira Laís Sena, de 26 anos, que veio de ônibus de Belo Horizonte para encarnar o personagem da exagerada Jaqueline Maldonado, da novela Tititi (2013/2014). Nervosa, "tremendo que nem vara verde", mal conseguiu interpretar o texto que tinha planejado. Saiu de cena derrotada, é verdade, mas resignada. Volta para casa com uma dívida de R$ 600,00 que pediu emprestado para bancar a viagem de ônibus e a hospedagem em São Paulo, mas com uma esperança. Já que não deu para ser Cláudia Raia, ela espera passar na entrevista de emprego que tinha deixado agendada para a manhã desta terça-feira (26/1). Quando chegar no trabalho, vai se dar conta que a vida real não é um musical. É como ela é!

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