Rio de Janeiro

Bloco Simpatia é Quase Amor leva 100 mil à orla de Ipanema no Rio

Mariana Costa

Do UOL, no Rio

Um mar de gente tomou a orla de Ipanema, zona sul do Rio, neste sábado (30) no trigésimo terceiro desfile do Simpatia É Quase Amor, um dos mais tradicionais blocos do Carnaval de rua do Rio.

Segundo estimativa da Riotur, cem mil pessoas pularam o carnaval com o Simpatia, que este ano homenageou Chico Buarque e apresentou um samba com uma crítica bem-humorada à intolerância política que tem predominado no debate público no Brasil.

Neste clima, uma dupla de amigos formada por um padre e um sheik árabe distribuía palavras de paz e atendia a pedidos de selfies por onde passavam. "Nossa tradição é sempre trazer uma mensagem de amizade", explicou o engenheiro Rodrigo Damasceno, de 32 anos, suando sob o hábito de padre ao lado do amigo, o médico Flávio Freitas, de 36 anos: "Não estamos nem aí para o calor", que, neste sábado, chegou aos 35 graus.

A concentração do Simpatia começou às 15h nas imediações da praça General Osório, na rua Teixeira de Freitas. O desfile iniciou com 45 minutos de atraso, e, em poucos minutos, o mar de gente logo lotou as duas pistas da avenida Vieira Souto, com a adesão de quem estava na areia curtindo a praia. Na altura da rua Farme de Amoedo, já era difícil ver algum espaço vazio nas pistas e calçadas de Ipanema.

Há trinta e dois anos à frente da bateria do Simpatia, Mestre Penha exibia as cores do bloco lilás e amarelo no cabelo e no cavanhaque. É ele quem comanda a bateria que fez escola e formou ritmistas de diversos blocos do Carnaval de rua do Rio.

Assim como ocorreu com muitos blocos este ano, o Simpatia desfilou sem patrocínio privado e contou apenas com os subsídios recebidos por meio da Sebastiana, associação que reúne os principais blocos da zona sul, Santa Teresa e centro, e a venda de camisetas, este ano assinadas pela artista plástica Beatriz Milhazes.

A verba limitada, no entanto, não diminuiu a empolgação dos foliões e integrantes do Simpatia, que desfilou por duas horas e meia. Diferentes gerações de músicos e ritmistas animaram os ipanemenses junto de uma diversificada fauna de turistas, banhistas e foliões de diversas partes reunidos em torno de inibitivo comum, o de brincar o carnaval.

Durante o desfile, chamava a atenção a criatividade de ambulantes que burlavam a fiscalização vendendo bebidas pouco ortodoxas como a "cachaça afrodisíaca do amor latino" e diversas variações do usual sacolé, com pinga, vodka e até mesmo champanhe, o "chandolé".

As tiaras de flores eram o adereço mais comum entre as mulheres e muito popular entre os vendedores ambulantes, que também ofereciam porta-latinhas de isopor estilizadas com diversas estampas para pendurar no pescoço e não deixar a esquentar a cerveja, única bebida cuja comercialização é oficialmente autorizada no Carnaval de rua.

Como na folia nem tudo é festa, houve incidência de assaltos a cordões e celulares e pequenos focos de briga. Até o fechamento desta reportagem, não havia sido divulgado balanço com ocorrências de crimes e multas para quem urina em público.

O segundo desfile do Simpatia é Quase Amor acontece no domingo de Carnaval, dia 7.

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