Rio de Janeiro

Com uniformes e Macalé "anônimo", Suvaco do Cristo arrasta milhares no Rio

Mariana Costa

Do UOL, no Rio

Trinta e cinco mil pessoas acompanharam o primeiro desfile do Suvaco do Cristo neste domingo (31) no Jardim Botânico, zona sul do Rio, segundo estimativa da Riotur.

A concentração começou às 9h na rua Jardim Botânico, já sob sol intenso calor desde as primeiras horas da manhã. Cerca de quarenta minutos depois, teve início o desfile, que durou duas horas. O bloco encerrou sua estreia no Carnaval 2016 às 12h45 na praça Santos Dumont, na Gávea.

Este ano, o Suvaco falou sobre o artista plástico Bispo do Rosário, com versos que fazem alusão à vida e obra do artista, composto pela dupla Nanico e Chacal. No entanto, poucos foliões conseguiam acompanhar a letra extensa e de estrofes elaboradas.

"Acho que o tema caiu muito bem na realidade que estamos vivendo", avaliou um dos fundadores do bloco, o poeta e artista Xico Chaves, de 65 anos, em  referência à crise na saúde pública no Rio e o retorno da discussão antimanicomial.

"Saúde não se vende, loucura não se prende! Que todos possamos brincar juntos o Carnaval, sem intolerância", bradou o presidente do Suvaco, João Aveleiro, na abertura do desfile.

A porta-bandeira Cynthia Howlet mais uma vez desfilou ao lado da filha Manuela. Quem a acompanhou desta vez foi o personal trainer e "consultor de carioquice" William Vorhees, após o afastamento de seu parceiro Davi Mico Preto, mestre-sala do bloco há 25 anos. "Você é galã, mas hoje eu que cuidei da dama", brincou William no final do desfile, se referindo ao ator Eduardo Moscovis, marido de Cynthia.

"Achei esse tema muito tropical, muitas flores, muita cor, algo que representa bem o Rio", analisou Cynthia.

Menos recursos

Mesmo com o cenário de retração econômica afetando a captação de recursos para muitos blocos, o Suvaco contou com algumas marcas parceiras neste desfile. A questão do patrocínio aos blocos reapareceu com força após um ano de crise.

"O poder público tem que entrar com o que deve, os banheiros, a segurança, a infraestrutura. Carnaval não precisa de dinheiro. É uma manifestação cultural espontânea", disse Xico Chaves, para quem o crescimento dos blocos desde os anos 1980, quando surgiram muitos dos maiores grupos da cidade, retoma uma tradição afetiva do Rio com o Carnaval.

Em meio à recessão, muita gente optou por trazer sua própria bebida, e diversos grupos carregavam coolers, alguns de forma bem criativa, como o "ibrejinha", um carrinho de supermercado adaptado para carregar gelo e cerveja, com direito à reprodução de vitrais e imagens católicas, criado por um grupo de 15 amigos, todos vestidos de freiras.

Fundador "anônimo"

Outro fundador do Suvaco, o compositor Jards Macalé desfilava "anônimo" entre os foliões com uma imagem de Jesus Cristo pendurada no pescoço "Não posso dar declarações, sou um anônimo", brincou, vestindo a popular máscara inspirada no personagem principal do filme "V de Vingança".

No meio da multidão, diversos grupos uniformizados com fantasias em comum, uma febre no Carnaval de rua do Rio. Um deles era composto por quase 40 "minions", liderados pelo preparador físico Carlos Martins, de 48 anos. Integrantes de um grupo de corrida, eles percorreram 15 km até chegar à concentração do Suvaco no Jardim Botânico. "Desde 2008 corremos atrás dos blocos, literalmente. Teve um ano que fizemos 86 km" conta Carlos.

Os temas atuais, como sempre, apareceram nas fantasias com muita irreverência e criatividade. Houve a Light (companhia de abastecimento de energia na cidade do Rio) Estarrecida, Lula presidiário, Miss Colômbia, jurados do programa "The Voice Brasil", fantasias inspiradas nos Jogos Olímpicos e até alusões à ciumenta frase da cantora Ivete Sangalo "Quem é essa aí, papai?".

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