Rio de Janeiro

Beija-Flor faz ensaio competente e encerra treinos na Sapucaí

Campeã de Carnaval 2015, a Beija-Flor de Nilópolis encerrou, com muita competência, a temporada de ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí. Diante de um bom público, a escola de Nilópolis deu mostras de que virá, mais uma vez, em condições de brigar pelo campeonato, a despeito da ingrata ordem de desfile (será a terceira escola a entrar na passarela no domingo de Carnaval). Escorada no canto forte de sua comunidade e em uma evolução compacta, a azul e branco realizou um bom treino e deu a impressão de que dificilmente perderá décimos preciosos de forma desnecessária no desfile principal. Ouça os melhores momentos da passagem da Beija-Flor pela Sapucaí:

Depois do título com o polêmico enredo sobre a Guiné Equatorial, a Beija-Flor adotou um tom discreto em seus preparativos para o desfile de 2016. Escolheu um enredo de pouco apelo popular, sobre o político dos tempos do Império Cândido José de Araújo Viana, o Marquês de Sapucaí, mais famoso por dar nome ao local do desfile do que pelos seus feitos. Nascido em Minas Gerais, o homenageado era um homem reservado. Seguindo seu espírito, a escola de Nilópolis adotou o estilo mineirinho. Não tem feito muito alarde e se prepara para fazer mais um desfile baseado na técnica e no cuidado com os detalhes.

A comissão de frente, coreografada por Marcelo Misailidis, fez uma ótima apresentação. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Claudinho e Selminha Sorriso, com uma dança clássica e segura, arrancou muitos aplausos. A bateria dos mestres Plínio e Rodney trouxe um ritmo bastante seguro e muito entrosamento entre os ritmistas.

O samba-enredo, que não está entre os mais badalados da safra, teve um desempenho satisfatório, sendo bem cantado pelos integrantes. A Beija-Flor ressentiu-se, na verdade, de uma maior comunicação com a plateia, que talvez já a encare sem a mesma receptividade de outrora devido à grande quantidade de títulos recentes – nos últimos 13 anos, a Azul e Branca foi campeã por sete vezes. Valendo-se de uma miniorquestra à frente da bateria, a obra foi defendida por um Neguinho da Beija-Flor que chega aos 40 anos de Sapucaí em plena forma e que conduz o canto da escola com muita precisão.

A noite foi aberta com a já tradicional cerimônia da lavagem da pista da Sapucaí. Baianas de todas as escolas realizaram o ritual, que contou com casais de mestre-sala e porta-bandeira de várias agremiações e com o cantor Dudu Nobre animando a plateia com sambas-enredos antológicos de carnavais passados. Na concentração, em uma demonstração de fé, hinos católicos foram entoados entremeados com batuques das religiões de matriz africana. Tudo para garantir as melhores vibrações para a folia que começa na próxima sexta-feira com os desfiles da Série A, equivalente ao Grupo de Acesso.

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