Rio de Janeiro

Rainha na Beija-Flor há 14 anos, Raíssa diz que comunidade vende seu peixe

Claudia Dias

Colaboração para o UOL, no Rio

Desde 2003, quando estreou à frente da bateria da Beija-Flor, Raíssa de Oliveira sente 'aquele' frio na barriga toda vez que vai cruzar a passarela do samba. Aos 25 anos e prestes a realizar mais um desfile como Rainha de Bateria da atual campeã do Carnaval carioca, a morena confessou que, até hoje, tem a mesma sensação. "Dá um friozaço na barriga. Vou fazer 14 anos como rainha e sempre parece que é o primeiro ano. Quando aquela sirene começa a tocar, dá vontade de sair correndo", divertiu-se, durante o ensaio fotográfico para UOL Carnaval, na quadra da escola, em Nilópolis, região metropolitana do Rio de Janeiro.

Bastaram alguns minutos da sessão de fotos para perceber a popularidade da rainha com todos os componentes da escola. Para todos eles, Raíssa, que começou na ala de passistas e chegou a rainha de bateria aos 14 anos, é um dos símbolos da Azul e Branco de Nilópolis. "Sou da casa. Me sinto muito privilegiada. Acho que difícil não é entrar, mas se manter no cargo. Todo mundo me pergunta qual é o segredo. Acho que, no meu caso, todo mundo espera que eu tenha samba no pé, principalmente por ser uma rainha da comunidade. Na verdade, o principal segredo é a humildade. Assim, a gente consegue conquistar tudo. Se você passa humildade para a comunidade, eles mesmos te abraçam e acabam vendendo o seu peixe para as pessoas de fora", afirmou.

Este ano, seus súditos e o público em geral poderão apreciar o novo shape da musa. Raíssa intensificou a malhação e está fazendo dieta, acompanhada de uma nutricionista, para voltar a caber no manequim 38. E conseguiu. "Quis estar mais sequinha. Isso não é bom só visualmente, mas também para a minha saúde. Eu fico mais disposta. Sempre fui viciada e também sempre frequentei academia, mas nunca gostei - e continuo não gostando. Mas trabalho com dança o ano inteiro e não posso me descuidar", disse.

Raíssa ensina como mantém a boa forma. "Tenho acompanhamento do meu personal trainer, Xandão, que é muito importante para mim. Hoje em dia, ele pega no meu pé... Se eu estiver dormindo, ele me acorda. E me esgota mesmo. Faço uma hora e pouco de musculação e cross fit, mas é parada dura", confessa. Tudo isso, aliado à reeducação alimentar. "Aprendi a comer de novo. A gente acaba comendo de qualquer jeito, fora de hora. Eu costumava trocar o horário das refeições, por exemplo, almoçava às quatro da tarde.  Hoje, eu consigo fazer seis refeições por dia, comer tudo de forma dosada e, principalmente, tomo muita água, que era uma coisa que eu não fazia", lembrou.

Rainha de bateria há 14 anos, Raíssa revelou que aprendeu muito do seu samba no pé com Edson Lima Bittencourt, primeiro passista estandarte de ouro da Beija-Flor, que morreu em 2009. "Na verdade, eu sambava muito mal quando era pequena e achava que estava abafando. Mas ver outras pessoas de fora e ter aulas com Edson Lima Bittencourt me ajudaram muito. Foi ele que lapidou o meu samba, quando eu ainda era da ala das passistas. Hoje em dia vejo outras rainhas e isso ajuda a montar a minha coreografia".

 

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