São Paulo

Desfile da Pérola Negra atrasa por falta de luz; enredo não empolga

Do UOL, em São Paulo

Abrindo o Carnaval 2016 em São Paulo, a Pérola Negra foi a primeira escola a entrar no Anhembi nesta sexta-feira (5), 20 minutos depois do horário marcado, às 22h35, por causa de uma queda de energia no sambódromo poucos minutos antes do desfile. A agremiação também teve dificuldade para colocar dois de seus carros na avenida, mas conseguiu encerrar dentro do tempo, com uma folga de dois minutos do limite de 1h05.

A Pérola mostrou o tema "Canindé ao samba no pé. A Vila Madalena nos passos do balé", que propôs um baile de diferentes ritmos musicais, com bailarinos profissionais na avenida. Devido à chuva que caiu no Anhembi, a escola foi recebida por uma arquibancada parcialmente vazia e plateia pouco animada. O enredo complexo soou de difícil compreensão no sambódromo. Por ser a primeira escola, o samba tem o papel de levantar o público, mas a composição não pegou e a arquibancada assistiu boa parte em silêncio.

Na volta ao Grupo Especial, a vice-campeã do Grupo de Acesso em 2015 apresentou fantasias sem luxo, mas criativas, compondo um desfile bem colorido para contar história das danças e festas populares no Brasil. O carnavalesco Fábio Borges criou uma linha do tempo imaginária que começava quando a Vila Madalena ainda era uma floresta de Mata Atlântica e terminava nos dias de hoje, quando se consolidou como o ponto de encontro dos blocos de rua.

Para chegar no samba e no Carnaval, as alas e coreografias da escola passaram pela dança das águas dos igarapés, o balé aquático dos peixes, as danças indígenas, a catira e o fandango dos tropeiros, os batuques dos escravos, a capoeira, o frevo, o maracatu, o boi-bumbá e a gafieira. Abrindo o desfile, a escola colocou bailarinas na comissão de frente, com o balé "A Dança da Natureza".

Leo Franco / AgNews
A bailarina Isabella Rodrigues durante desfile da Pérola Negra

A principal bailarina do grupo, Isabella Rodrigues, contou sobre a dificuldade de iniciar a apresentação com chuva. "É a primeira vez que eu desfilo pela Pérola. A chuva no começo foi um pouco ruim, porque a sapatilha é feita de gesso, quando entra em contato com a água começa a amolecer, então eu fiquei um pouco preocupada. Mas graças a Deus a chuva passou. Foi maravilhoso, porque eu estava na avenida, fazendo o que eu mais amo".

Com fantasias de tule azul, as baianas também coloriram o Anhembi representando os rios que corriam pela Vila Madalena antes de o bairro existir. Ainda no clima da natureza, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira Everson Sena e Gisa Camilo apresentaram a dança de sedução dos pássaros tangarás. As tradições indígenas e da cultura popular, como a folia de reis, também estiveram presentes nas alas da Pérola Negra.

À frente da bateria, que entrou no recuo fazendo coreografia, estava a angolana Carmem Mouro, que estreou como rainha de bateria aos 38 anos. A empresária assumiu o posto ao ser convidada pela ex-rainha da agremiação, Camila Quintino, que trabalha com Carmem em Angola.

A Pérola Negra teve problemas para colocar na avenida o segundo carro, "Danças indígenas", que passou com dificuldade pela saída da concentração, por conta de seu tamanho. O quarto carro também enfrentou contratempos para entrar na avenida, provocando tensão na concentração e prejudicando a evolução da escola. Os incidentes geraram correria na dispersão para conseguir terminar o desfile dentro do tempo.

"Deu tudo certo. O desfile da Pérola Negra está super diferente, a nossa fantasia é totalmente diferente do que as pessoas estão acostumadas a ver", disse Everson, ao final do desfile. Otimista, ele disse acreditar que a escola "tem condições de voltar no desfile das campeãs".

Confira a ordem dos desfiles do primeiro dia no Anhembi:

23h15 - Pérola Negra
0h20 - Unidos de Vila Maria
1h25 - Águia de Ouro
2h30 - Rosas de Ouro
3h35 - Nenê de Vila Matilde
4h40 - Gaviões da Fiel
5h45 - Acadêmicos do Tatuapé

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos