São Paulo

Águia de Ouro se destaca com homenagem à Virgem Maria e ausência de nus

Do UOL, em São Paulo

Terceira escola do Carnaval 2016 de São Paulo a entrar no Anhembi, a Águia de Ouro repetiu os desfiles grandiosos que fez nos últimos anos. O enredo "Ave Maria Cheia de Faces", desenvolvido pelos carnavalescos Amarildo de Mello e André Marins, homenageou o sentimento da feminilidade e da maternidade.

A agremiação do bairro Pompeia, na zona oeste de São Paulo, se propôs a ir além da figura de Maria e utilizá-la como ponto de partida para uma homenagem às mulheres. Um dos destaques foi a comissão de frente, formada apenas por integrantes do sexo feminino, representando sacerdotisas que realizam rituais e fazem surgir a Virgem Maria de dentro de um caldeirão. Logo atrás, o abre-alas também teve apenas mulheres como destaque.

Manuela Scarpa e Amauri Nehn/Brazil News
A atriz Nicette Bruno desfila como destaque da Águia de Ouro

Com boa evolução e com fantasias e alegorias muito bem executadas, a Águia de Ouro foi um dos destaques da noite, mas não conseguiu fugir da repetição de imagens da Virgem Maria em diferentes setores do desfile. Com a difícil missão de falar de religião, a escola não apresentou componentes nus, a pedido da Igreja Católica.

Logo no início do desfile, a avenida foi tomada de dourado em um carro alegórico representando um grande templo egípcio, com alas que traçavam um paralelo entre os deuses Ísis e Osíris e a sagrada família, José e Maria. A destemida deusa grega Ártemis e a sedutora divindade romana Vênus também estiveram representadas no desfile.

A empresária e modelo Cinthia Santos veio pelo segundo ano como rainha de bateria da Águia. "Estou há 15 anos no Carnaval e o sofrimento a cada desfile é o mesmo, frio na barriga demais. Quando entro na avenida não vejo nada, só sinto a emoção, e quero fazer o melhor para minha escola, usar todo meu charme e só chorar e sentir dor quando o portão fechar", disse ela, na concentração da escola.

Da mãe de Jesus à Iemanjá, a Águia fez uma viagem pela história universal, destacando momentos da civilização onde a força matriarcal sinalizava o espírito de amor, do sentimento maternal e acolhedor.

As histórias bíblicas da imaculada concepção, anunciada pelo anjo Gabriel, da estrela de Davi anunciando o nascimento de Jesus, do calvário e da morte de Cristo foram representadas em diversas alas. Este setor foi encerrando com a Pietà, a famosa cena de Maria com o filho morto, interpretada pela atriz Nicette Bruno, que se emocionou durante a performance.

A origem da humanidade na África também ganhou espaço em um carro com dois leões e um elefante gigantes, e alas com muitos elementos tribais.

A escola também chegou com uma inovação para este ano: a bateria do mestre Juca fechava o primeiro setor da escola, bem próxima ao carro abre-alas. Os ritmistas trouxeram o coração de Maria na alegoria de cabeça e roupas que lembravam as vestimentas dos papas.

Nossa Senhora de Aparecida, padroeira do Brasil, encerrou o desfile, com um carro em sua homenagem, precedido da ala das baianas, cuja fantasia trazia diversas representações de Maria, entre elas, nossa Senhora de Fátima.

Confira a ordem dos desfiles do primeiro dia no Anhembi:

23h15 - Pérola Negra
0h20 - Unidos de Vila Maria
1h25 - Águia de Ouro
2h30 - Rosas de Ouro
3h35 - Nenê de Vila Matilde
4h40 - Gaviões da Fiel
5h45 - Acadêmicos do Tatuapé

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