São Paulo

Rosas de Ouro deixa o luxo de lado em desfile sobre a história da tatuagem

Do UOL, em São Paulo

Em busca do 8º título, a Rosas de Ouro, quarta escola do Carnaval 2016 de São Paulo a desfilar na passarela do Anhembi, trouxe para a avenida a tatuagem como destaque. O enredo "Arte à flor da pele. A minha história vai marcar você" veio com uma linha do tempo, começando na história primitiva do homem, que usava as marcas e desenhos no corpo para identificar tribos e diferenciar a escala social de poder.

O desfile deu destaque à figura do navegador dinamarquês Lucky Tattoo, apontado na história como o homem que levou a tatuagem para a o Brasil. Ele também é o criador do "dragão tatuado no braço" de "Menino do Rio", que virou música na voz de Caetano Veloso

André Cezari, carnavalesco estreante na escola, se permitiu algumas licenças poéticas no desenvolvimento do enredo, como a fantasia da ala das baianas, inspirada na cultura egípcia. Nas antigas civilizações da África e do Egito, em cultos de fertilidade, as sacerdotisas marcavam a pele, geralmente na parte do ventre.

Rogério Canella/UOL
MC Guimê foi um dos destaques da escola

O desfile concebido por Cezari, no entanto, não exibiu a mesma exuberância e luxo pelos quais a Rosas é conhecida, e trouxe menos alegorias na cor rosa, marca registrada da escola nos anos em que o Carnaval foi comandado por Jorge Freitas, hoje na Império de Casa Verde. O novo carnavalesco também deixou de lado as alas coreografadas, que a Rosas costumava apresentar.

Entre as novidades deste ano estava a presença do funkeiro MC Guimê, que mostrou o corpo praticamente todo coberto por tattoos e teve uma ala em sua homenagem. A rainha Ellen Rocche reinou à frente da bateria.

Na comissão de frente, marinheiros introduziam a tatuagem no Brasil e apresentavam diversas tradições --de povos polinésios, indígenas, roqueiros e até um presidiário--, com destaque para Elaine de Abreu representando a própria tatuagem, com o corpo coberto por diversos estilos de desenhos, que ficava quase nua durante a performance. Eliane, 32, não tem nenhuma tatuagem de verdade. "Na verdade, essa tatuagem é uma tatuagem temporária, ela demorou quase quatro horas [para ficar pronta]", contou, ao fim do desfile.

Dos indígenas brasileiros aos artistas circenses, passando pelos presídios, a arte da tatuagem foi representada em todas as suas variações. Teve até homenagem à cantora Amy Winehouse, morta em 2011, que possuía vários desenhos tatuados no corpo, com uma integrante caracterizada como ela, à frente de uma ala formada por cadeirantes.

Confira a ordem dos desfiles do primeiro dia no Anhembi:

23h15 - Pérola Negra
0h20 - Unidos de Vila Maria
1h25 - Águia de Ouro
2h30 - Rosas de Ouro
3h35 - Nenê de Vila Matilde
4h40 - Gaviões da Fiel
5h45 - Acadêmicos do Tatuapé

 

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