São Paulo

Com muita cor e luxo, Vila Maria leva para avenida homenagem a Ilhabela

Do UOL, em São Paulo

A Unidos de Vila Maria foi a segunda escola do Carnaval 2016 de São Paulo a entrar no Anhembi, já na madrugada deste sábado (6). A agremiação começou o desfile com quase 40 minutos de atraso, que foram arrastados desde o início da Pérola Negra por causa de uma queda de energia no sambódromo. A escola da zona norte da capital paulista levou no enredo os encantos de Ilhabela, famosa cidade do litoral norte de São Paulo, conhecida pela beleza de suas praias e pelas lendas de piratas, naufrágios e mistérios que alimentam o imaginário popular.

Para dar vida ao tema, intitulado "A Vila famosa é mais bela, Ilhabela das maravilhas", a escola investiu pesado na contratação de dois personagens-chave do título conquistado no ano passado pela Vai-Vai: o carnavalesco Alexandre Louzada e o diretor de harmonia Demis Roberto, campeões com a homenagem a Elis Regina. Em 2015, o quesito que tirou mais pontos da Vila Maria foi evolução --penalização de seis décimos na nota final--, o que pode justificar o investimento na contratação de um novo diretor.

Com fantasias e alegorias luxuosas e muita cor, a escola investiu em carros com destaques coreografados e trouxe atletas de rapel fazendo acrobacias, pendurados nos mastros de um grande navio pirata. A comissão de frente abriu o desfile misturando uma lenda local sobre uma feiticeira com as invasões reais de piratas, que atacavam os primeiros habitantes portugueses da ilha. Os integrantes da ala, representando os bucaneiros, saíam de barris e jogavam moedas de chocolate para o público.

As baianas, com fantasias de cor azul e verde brilhante, colocaram no Anhembi as águas calmas do mar de Ilhabela, protegida pelo canal de São Sebastião. O desfile seguiu com referências a Iemanjá, a rainha do mar, e às sereias que, segundo as lendas, habitam as cachoeiras da ilha, representadas no carro abre-alas de 22 metros de comprimento e 18 metros de altura, que jorrava água e foi um dos destaques da Vila Maria.

Avener Prado/Folhapress
Madrinha de bateria, Dani Bolina entra na avenida com fantasia Rainha das Águas

A apresentação passou também pela saga dos grandes navegadores --Ilhabela foi descoberta por Américo Vespúcio--, a chegada dos colonizadores, a presença dos índios, o comércio de escravos, a visita de piratas em busca de ouro das embarcações que ali passavam, os naufrágios e os bons ventos que atraem velejadores.

As lendas da cidade se sucederam representadas nas alas: a Feiticeira que teria escondido um tesouro, a Mãe do Ouro que habitaria a cachoeira da Água Branca, as assombrações da praia da Caveira e as pedras que soam como sinos. As festas populares, como a congada e a folia de reis, também marcaram presença.

O samba de coautoria de Dudu Nobre e a bateria de mestre Moleza --fantasiada de piratas e com a madrinha Dani Bolina (ex-"Pânico na TV" e ex-"A Fazenda") à frente-- conseguiram levantar o público pela primeira vez neste início de Carnaval paulistano, com uma "paradona" ainda no início do desfile.

"A gente tinha cinco paradinhas, ensaiamos bastante", contou o mestre Moleza, já na dispersão. "Executamos as cinco na avenida, estávamos bem confiantes. E essa que chamou atenção foi uma paradinha reggae. E graças a Deus a galera gostou. Caiu dentro e levantamos a arquibancada".

O desfile foi encerrado faltando um minuto para o tempo máximo, de 1h05.

Confira a ordem dos desfiles do primeiro dia no Anhembi:

23h15 - Pérola Negra
0h20 - Unidos de Vila Maria
1h25 - Águia de Ouro
2h30 - Rosas de Ouro
3h35 - Nenê de Vila Matilde
4h40 - Gaviões da Fiel
5h45 - Acadêmicos do Tatuapé

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