São Paulo

Em desfile caprichado, Mocidade surpreende com "paradonas" de 35 segundos

Do UOL, em São Paulo

Depois de a Unidos do Peruche desfilar no Anhembi seu enredo sobre o centenário do samba, foi a vez da Mocidade Alegre mostrar sua versão do mesmo tema na madrugada deste domingo (7), segunda noite do Carnaval 2016 de São Paulo. Mas a escola do bairro do Limão, na zona norte de São Paulo, foi além da efeméride e apresentou um desfile de uma das maiores campeãs do Carnaval paulista dos últimos anos.

Em busca de seu 11º título no Grupo Especial, a Mocidade, vice campeã do ano passado, levou ao sambódromo do Anhembi o enredo "Ayô - A Alma Ancestral do Samba", que veio novamente com a marca da escola, de apresentar desfiles impecáveis.

O destaque ficou com a bateria comandada por mestre Sombra, que fez ousadas "paradonas" de 35 segundos em sete ocasiões, deixando os integrantes e as arquibancadas cantarem o samba a plenos pulmões. Os ritmistas também apostaram bossas e batidas diferentes do que costuma se ver na avenida.

"A gente tem que ousar, né?", disse mestre Sombra, na dispersão. Sobre as coreografias feitas pelos ritmistas, ele disse que é preciso brincar. "Precisa de descontração. Brincar de fazer Carnaval. O ser humano sofre tanto durante o ano, no Carnaval tem que extravasar um pouco isso". Segundo ele, os ensaios da bateria começaram em outubro.

Alexandre Schneider/UOL
A rainha de bateria Aline Oliveira usou fantasia representando o vento

A proposta desenvolvida pelo carnavalesco Sidney França apresentou a história do samba por meio de uma lenda africana que conta o nascimento do orixá Ayô, já presente na comissão de frente, que trazia um balé mostrando a origem da divindade. O abre-alas trouxe integrantes saindo de dentro do carro, criando movimento.

Segundo o enredo, a lenda surgiu em um festejo tribal africano, quando Exu conta a Xangô que um irmão estava aprisionado dentro de um tambor. O rei Xangô parte esse tambor ao meio e dele surge Ayô, que é tido até hoje como o orixá do som e da música. Liberto, Ayô consagra os tambores de diversos povos da mãe África. Uma vez tocados, enfeitiçam homens e deuses, que tomados pela sua alegria se entregam às mais sublimes expressões da felicidade: cantar e dançar.

Dando sequência à narrativa, a escola dedicou alas e carros a outros orixás que tiveram influência no destino de Ayô: Oyá, que o levou para outro continente; Oxumaré, que espalhou seu axé pela imensidão do território; Omolú, que o transformou em símbolo de uma nação, e Ogum, que o eternizou.

Nessa linha, as baianas representaram a mãe de santo Tia Ciata, considerada a mãe do samba brasileiro, que recebia os sambistas em sua casa em uma época em que a polícia carioca perseguia os sambistas.

No quarto setor do desfile, a escola passou a dar mais ênfase à presença do samba no Brasil, tornando-se o gênero musical símbolo do país e do Carnaval, cultuado e sacramentado dentro do coração do povo. A escola encerrou o desfile narrando como o ritmo se enraizou, até ser criada a escola de samba.

No meio do desfile, o terceiro carro da Mocidade teve dificuldades para entrar na avenida, provocando momentos de tensão. O incidente acabou causando um buraco atrás do abre-alas, mas a agremiação conseguiu passar pela avenida dentro do tempo determinado, sem correria.

Confira a ordem dos desfiles do segundo dia no Anhembi:

22h30 – Unidos do Peruche
23h35 – Império de Casa Verde
0h40 – Acadêmicos do Tucuruvi
1h45 – Mocidade Alegre
2h50 – Vai-Vai
3h55 – Dragões da Real
5h00 – X-9 Paulistana

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