São Paulo

Sem erros, Vai-Vai busca bicampeonato com reverência à França

Do UOL, em São Paulo

Com a difícil missão de superar o vitorioso desfile do ano passado em homenagem a Elis Regina, a Vai-Vai apostou em um novo tributo para tentar faturar seu 16º título do Carnaval paulista. Quinta escola do Carnaval 2016 de São Paulo a entrar no Anhembi, na madrugada deste domingo (7), a agremiação reverenciou a França no enredo "Je Suis Vai-Vai. Bem-Vindos à França!". 

Sem erros, com boa evolução e acompanhada da característica emoção dos componentes, que cantavam o samba com vigor, a Vai-Vai confiou ao casal Renato e Márcia Lage, artífices de grandes desfiles em escolas do Rio de Janeiro, a missão da Vai-Vai de criar um novo Carnaval campeão. Os carnavalescos se empenharam para entregar mais refinamento, capricho e inovações nas alegorias e fantasias da agremiação do Bixiga.

Um dos destaques ficou com o abre-alas, junção de três carros acoplados, representando a Paris Cidade Luz, com menções a seus principais monumentos, como o Museu do Louvre, a Torre Eiffel e a Catedral de Notre Dame.

Antes mesmo de começar o desfile, a atriz Camila Silva, rainha de bateria, borrifou na dispersão o perfume Laguna, da marca francesa Salvador Dalí. "Temos que fazer a essência chegar [na avenida]. A bateria vem de Napoleão Bonaparte, e eu de mulher de Napoleão. Estou nervosa! Trabalho o ano todo para estar aqui. A cobrança é grande por ter sido campeã no ano passado, mas sempre dá certo. Eu me preparei seis meses pro desfile", contou ela ao UOL.

Madrinha da Vai-Vai, Ana Hickmann disse que estava ansiosa pelo desfile e que sua fantasia este ano, representando o Museu do Louvre, é "um pouquinho mais ousada do que de costume. Um pouco mais de perna de fora, bumbum. E acho que é uma das minhas fantasias mais pesadas". Sobre a dificuldade de carregar o peso pela avenida, a apresentadora disse que sentir dor é normal. "Dor a gente sempre sente. Mas no momento que a gente entra [na avenida], essa dor desaparece. O que realmente importa é ajudar a escola a chegar a mais uma estrelinha."

As baianas vieram de "Monalisa", uma das obras mais famosas expostas no Louvre, de Leonardo Da Vinci, e componentes fantasiados como os personagens das HQs Asterix e Obelix levaram um lado mais pop para a avenida. O personagem-título de "O Pequeno Príncipe", livro de Antoine de Saint-Exupéry, ganhou uma ala formada somente por crianças.

A segunda alegoria retratou a vida, a moda e os costumes de Paris, representados pelo famoso cabaré Moulin Rouge. Logo atrás, o terceiro carro, com esculturas de vedetes e um café parisiense, trouxe no alto um borrifador para perfumar a avenida. O quarto carro deu um salto no tempo e mostrou uma França moderna, berço da indústria de games e da engenharia aeronáutica. Finalizando a passagem da escola, a quinta alegoria representou o povo brasileiro absorvendo a cultura francesa a partir do manifesto antropofágico de 1922.

A história contada na avenida teve como fio condutor uma viagem imaginária do personagem Criolé, mascote da escola. Ele saiu da Praça 14 Bis, coração do Bixiga, na região central de São Paulo, e desembarcou na capital francesa, onde se deslumbrou com suas especialidades e os grandes personagens da história que ajudaram a fazer da França o destino turístico mais visitado do mundo.

O desfile foi além da homenagem e reservou espaço para um protesto, pacífico, contra a onda de terror que fez centenas de vítimas nos ataques à redação do jornal "Charlie Hebdo" e às ruas de Paris no ano passado. Incluída na última hora ao enredo, a referência aos atentados foi tratada como um manifesto pela paz mundial e trouxe integrantes vestidos de branco.

Confira a ordem dos desfiles do segundo dia no Anhembi:

22h30 – Unidos do Peruche
23h35 – Império de Casa Verde
0h40 – Acadêmicos do Tucuruvi
1h45 – Mocidade Alegre
2h50 – Vai-Vai
3h55 – Dragões da Real
5h00 – X-9 Paulistana
 

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