Rio de Janeiro

Primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Rio tem Beija-Flor e Tijuca

Anderson Baltar

Colaboração para o UOL, no Rio

As escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro iniciam, neste domingo (7), uma disputa que deve ser definida pelos chamados quesitos de chão: samba-enredo, bateria, harmonia e evolução. Após um ano embolado pela crise econômica, as agremiações levam à avenida espetáculos preparados com contenção de gastos, substituição de materiais e fuga de patrocinadores. A expectativa é que as 12 escolas mantenham a qualidade dos espetáculos, mas que apresentem desfiles com menos disparidade financeira em relação às concorrentes.

Primeira escola a desfilar a partir das 21h30, a Estácio de Sá retorna ao Grupo Especial após nove anos no rebaixamento e aposta em uma homenagem a São Jorge para permanecer entre as grandes. A missão é complicada: desde que foi adotado o sistema de ascensão e queda de apenas uma escola, em 2002, somente a União da Ilha, em 2010, conseguiu ficar no grupo. Para quebrar o tabu, a vermelho e branco aposta no entusiasmo da comunidade, no bom samba-enredo e na volta do carnavalesco Chico Spinosa, que comandou o barracão da escola no único título entre as grandes, em 1992. Ao lado de Tarcísio Zanon e Amauri Santos, ele criou o enredo "Salve Jorge! Guerreiro na Fé!".

A União da Ilha do Governador será a segunda escola se apresentar, a partir das 22h35, e fará uma homenagem ao espírito olímpico do carioca. O enredo "Olímpico por Natureza, Todo Mundo se Encontra no Rio", dos carnavalescos Jack Vasconcelos e Paulo Menezes, terá a olimpíada de 2016 como o pano de fundo para exaltar as belezas naturais e a prática de esportes da cidade. Um dos trunfos da agremiação é a bateria de Mestre Ciça, que retomou a tradicional batida de caixa. A escola promete contagiar o público com alegorias que remetem aos tempos áureos da escola, no estilo "bom, bonito e barato".

Daniel Pinheiro/AgNews
Rainha da Grande Rio, Paloma Bernardi brilha no ensaio técnico da escola

Campeã de 2015, a Beija-Flor de Nilópolis entrará na avenida a partir das 23h40 e contará a história de um personagem desconhecido do grande público, mas presente no Carnaval: o Marquês de Sapucaí. A vida do "executivo do império" é o mote do enredo "Mineirinho Genial! Nova Lima, Cidade Natal. Marquês de Sapucaí, O Poeta Imortal". Diferentemente do que aconteceu em anos recentes, a escola não teve patrocinadores dessa vez. A agremiação tenta fazer um desfile de impacto com fantasias mais leves, sem plumas e abusando de materiais alternativos. Em 2016, comemoram-se os 40 anos de avenida do puxador Neguinho da Beija-Flor.

A Acadêmicos do Grande Rio será a quarta escola a desfilar, a partir de 0h45 da madrugada de segunda-feira (8), e fará uma homenagem aos 470 anos da cidade de Santos, com o enredo "Fui no Itororó Beber Água, Não Achei. Mas Achei a Bela Santos e por Ela Me Apaixonei", do carnavalesco Fábio Ricardo. Terceira colocada no Carnaval do ano passado, a tricolor de Duque de Caxias aposta em um espetáculo colorido e suntuoso para conquistar seu primeiro campeonato. Como grande parte do enredo contará as glórias do Santos Futebol Clube, a escola aguardou até o último instante a confirmação de Pelé. Na sexta-feira, no entanto, ele teve sua participação vetada pelos médicos.

Dominante nos anos 1990, a Mocidade Independente de Padre Miguel completa 20 anos sem títulos e não figura no Desfile das Campeãs desde 2003. Em busca do protagonismo perdido, os carnavalescos Alexandre Louzada e Edson Pereira apostam em um enredo de crítica política. "O Brasil de La Mancha: Sou Miguel, Padre Miguel. Sou Cervantes, sou Quixote Cavaleiro, Pixote Brasileiro" levará para a avenida, a partir da 1h50, uma viagem imaginária do herói para o Brasil. Ao chegar aqui, encontra mazelas e resolve combatê-las.

Quem encerra a noite, a partir das 2h55, é uma das principais escolas dos últimos dez anos. A Unidos da Tijuca deixou de ser coadjuvante e já conquistou três campeonatos neste período --todos sob a batuta do carnavalesco Paulo Barros. Hoje, sob o comando da comissão de Carnaval formada por Mauro Quintaes, Annik Salmon, Hélcio Paim e Marcus Paulo, a escola procura se manter fiel ao novo estilo e traz um enredo de exaltação à agricultura e à ligação entre o homem com a terra: "Semeando Sorriso, a Tijuca Festeja o Solo Sagrado". A escola também aposta na bateria comandada por Mestre Casagrande, no entrosamento do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Julinho e Rute, e na beleza do samba-enredo, tido como um dos melhores do ano.

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