Rio de Janeiro

Simpatia É Quase Amor canta sobre Chico Buarque e embala 200 mil foliões

Mariana Costa

Do UOL, no Rio

Um dos mais tradicionais blocos da Zona Sul do Rio, o Simpatia É Quase Amor arrastou quase 200 mil pessoas pela orla de Ipanema em seu desfile neste domingo (7).

Segundo a Riotur, foram 180 mil pessoas brincando o Carnaval durante quase três horas, sem registro de tumultos ou brigas. Policiais militares em grupos faziam o policiamento a pé, em meio aos foliões.

O Simpatia já havia levado cem mil pessoas no primeiro desfile, que todos os anos acontece no sábado (30) que antecede o Carnaval.

Por volta das 15h30, a rua Teixeira de Melo já estava completamente tomada de foliões. Quando o bloco saiu, uma hora depois, a multidão já tomava a praça General Osório e foi crescendo quando o Simpatia chegou à orla, arrastando quem estava curtindo o domingo de praia cheia.

O desfile acabou pouco antes das 19h, na altura da avenida Henrique Dumont, no Leblon.

Este ano, o Simpatia apresentou um samba bem recebido pelos foliões, com uma crítica à intolerância política que tem predominado no debate público no Brasil. "Simpatia Vai Passar", composto pela dupla Luiz e Luiza Fernandes, homenageia Chico Buarque, recentemente hostilizado por um grupo de jovens ao sair de um restaurante no Leblon.

"Alô burguesia, nosso canto é de paz. Ditadura nunca mais", dizia o refrão do samba, retomando o viés político presente na gênese do bloco, criado em 1985 em meio à campanha pelas Diretas. 

"A temática foi boa, atual" avaliou ao fim do desfile o cantor Tomaz Miranda, de 28 anos, músico profissional e filho de um dos fundadores do Simpatia, o médico Ary Miranda.

Bateria nota dez

Ponto forte do bloco, a bateria comandada por Mestre Penha há 31 anos impressiona não apenas pelo ritmo mas também pela diversidade. Este ano, ganhou uma nova sonoridade com a presença do agogô, tocado por 18 jovens senhoras "todas acima de 40 anos", explica Mestre Penha, que comanda uma oficina responsável por formar ritmistas de diversos blocos e escolas de samba. Só este ano, foram 60 novos músicos formados.

A força da bateria do Simpatia também se revela na popularidade de mestre Penha entre os ritmistas e demais integrantes do bloco que, a todo tempo, chegavam para cumprimentá-lo. Para ele, as coisas estão mais democráticas nos dias de hoje.

"Antes a bateria era mais o povo da comunidade. Foi chegando o pessoal do asfalto, como se diz, e aprendendo. As pessoas tinham uma visão do samba como um universo fechado e hoje não é mais assim. Você tem tanto a comunidade como a classe média", analisa.

Para a microempresária Lídia Serpa, de 58 anos, que toca agogô há dez anos e integra a bateria, essa mistura "é a cara do carioca, é a cara do Carnaval".

À frente de 80 ritmistas e ao lado do marido, a rainha Michelle Ferreira, casada com Mestre Penha, desfilava beleza e samba no pé. "É uma emoção enorme, sei que muitas gostariam de estar no meu lugar. Por isso represento hoje todas as cabrochas do Rio de Janeiro"

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