Rio de Janeiro

Sapucaí tem disputa entre pesos-pesados e melhores sambas na segunda noite

Anderson Baltar

Colaboração para o UOL, no Rio

A noite desta segunda-feira (8) será significativa para sambistas e amantes do Carnaval de todo o Brasil. Depois da passagem da repaginada Unidos de Vila Isabel pela Marquês de Sapucaí, abrindo a segunda noite do Carnaval 2016 do Rio, o público assistirá a um momento raro na história da folia carioca, com três carnavalescos pesos-pesados apresentando seus trabalhos em sequência: Renato Lage no Salgueiro (em parceria com Márcia Lage), Rosa Magalhães na São Clemente e Paulo Barros na Portela.

Depois desta trinca de craques, a música popular brasileira será homenageada em diferentes vertentes. A Imperatriz Leopoldinense saudará os sertanejos Zezé Di Camargo e Luciano, enquanto a Mangueira exaltará Maria Bethânia. Para deixar a noite ainda mais especial, vale lembrar que alguns dos sambas-enredo que embalarão o sambódromo estão entre os mais bem avaliados por especialistas. Não à toa, os ingressos de segunda-feira se esgotaram há semanas.

Primeira a desfilar --lembrando o legado de Miguel Arraes como governador de Pernambuco--, a Unidos de Vila Isabel vem disposta a apagar a má impressão deixada nos dois últimos carnavais, em que ficou na 10ª e na 11ª posição, respectivamente. Para isso, o carnavalesco Alex de Souza está de volta, após cinco anos na União da Ilha. Com o enredo "Memórias do Pai Arraia - Um Sonho Pernambucano, um Legado Brasileiro", a Vila tem samba assinado por um time de craques: Martinho da Vila, Mart'nália e Arlindo Cruz, ao lado de Leonel e André Diniz --este, um dos maiores compositores das escolas na atualidade.

Daniel Pinheiro/AgNews
Vivi Araújo, rainha da bateria do Salgueiro

O Salgueiro entrará na avenida escorado por uma dose de otimismo raramente vista no Carnaval carioca. Embalados pelo samba que já conquistou o público no pré-Carnaval, os componentes da vermelho e branco da Tijuca assumiram o favoritismo. Eles contam com o enredo popular e de fácil assimilação ("Á Ópera dos Malandros"), quesitos bem defendidos e a base criada por Renato e Márcia Lage no barracão. Amargando dois vice-campeonatos consecutivos, o Salgueiro espera reconquistar o título que não obtém desde 2009.

Até pouco tempo atrás, a São Clemente seria "pule de dez" nos bolões sobre rebaixamento. A situação mudou com a chegada da carnavalesca Rosa Magalhães, que em seu primeiro Carnaval, em 2015, conduziu a amarelo e preta de Botafogo a um festejado oitavo lugar. Com o enredo "Mais de Mil Palhaços no Salão", a escola espera uma inédita vaga no Desfile das Campeãs. Para isso, confia no requinte e no bom gosto de suas alegorias e fantasias e na tradicional irreverência e animação de seus componentes.

A Portela está há 32 anos sem conquistar um campeonato, mas ainda é a escola de samba com o maior número de títulos no Carnaval carioca: 21. Com novo fôlego desde 2013 --quando passou a ser dirigida por Serginho Procópio--, a águia fez a aposta mais comentada da temporada ao trazer Paulo Barros. A decisão desagradou torcedores tradicionais, mas foi abraçada por baluartes como Monarco e Tia Surica. Com o enredo "No Voo da Águia, uma Viagem Sem Fim", a azul e branca quer dar uma abordagem moderna a sua identidade tradicional.

Daniel Pinheiro/Agnews
Zezé Di Camargo e Luciano com Cris Vianna, rainha da bateria da Imperatriz

A sempre classuda Imperatriz Leopoldinense aposta, desde 2014, em enredos mais populares. Já homenageou Zico, Nelson Mandela e, agora, Zezé Di Camargo e Luciano. Puristas que inicialmente torceram o nariz já foram seduzidos pelo samba-enredo, tido como o melhor do ano por especialistas. Com o título "É o Amor que Mexe com Minha Cabeça e Me Deixa Assim. Do Sonho de Um Caipira Nascem os Filhos do Brasil", o enredo de Cahê Rodrigues homenageia a música sertaneja (vários cantores desfilarão) e lembra "Dois Filhos de Francisco".

Encerrando os desfiles do Grupo Especial, a Estação Primeira de Mangueira aposta em uma vertente que já lhe rendeu vários campeonatos: a homenagem a personalidades brasileiras. Maria Bethânia, que já havia sido enredo em 1994 juntamente com Caetano, Gil e Gal, desta vez terá vida e obra retratadas pela tradicional agremiação. Com o enredo "Maria Bethânia, A Menina dos Olhos de Oyá", o jovem carnavalesco Leandro Vieira promete um Carnaval com sofisticação e beleza, para fazer a Mangueira voltar efetivamente à disputa do título.

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