Rio de Janeiro

Unidos da Tijuca se destaca em noite de enredos confusos no Carnaval do Rio

Anderson Baltar

Colaboração para o UOL, no Rio

Escola que experimentou um notável crescimento nos últimos anos, a Unidos da Tijuca realizou mais um bom desfile e saiu da Marquês de Sapucaí como o grande destaque da primeira noite do Grupo Especial do Rio de Janeiro, já na madrugada desta segunda-feira (8). Com um desfile de grande qualidade nos quesitos e um ótimo samba-enredo, a escola do morro do Borel se credencia à disputa do título. A noite, porém, foi marcada por enredos confusos, problemas em alegorias. A sensação é de que grande parte das agremiações que participarão do Desfile das Campeãs, no próximo sábado (13), sairá do cortejo da segunda noite de Carnaval.

A noite ainda contou com uma guerreira Estácio de Sá fazendo um desfile que permite sonhar com a permanência entre as grandes. De volta ao Grupo Especial após nove anos de ausência, a escola escorou-se no seu bom samba-enredo para fazer um desfile com boa evolução e que crescia sobretudo nos refrãos. A comissão de frente, que trazia um gigantesco cavalo controlado como marionetes pelos integrantes em uma luta com um dragão, arrancou muitos aplausos das arquibancadas. Outro destaque foi a apresentação da bateria de Mestre Chuvisco. As alegorias, corretas, apresentaram bem o enredo, enquanto as fantasias apresentavam problemas de acabamento. A Estácio mostrou força. Resta saber se os jurados conseguirão entender o seu esforço e fazer com que a tradicional escola do morro de São Carlos permaneça na elite.

A União da Ilha veio leve, alegre e colorida como nos velhos tempos. Com a presença do maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima correndo com uma tocha na entrada de seu desfile, a escola realizou um desfile animado, dentro de suas características mais latentes. Saudando o Rio de Janeiro Olímpico, a Ilha emocionou o público com a comissão de frente formada por oito componentes cadeirantes. Em um dado momento da coreografia, um de seus integrantes com necessidades especiais fez uma exibição como se fosse um ginasta no cavalo com alças. A arquibancada delirou. A mesma reação aconteceu durante a apresentação da bateria de Mestre Ciça, que fazia uma paradinha abraçando a avenida. Com simplicidade e alegria A Ilha fez um desfile tranquilo, deixando sua comunidade com um sorriso no rosto.

Zulmair Rocha/UOL
Passista vendada desfila na Beija-Flor

Campeã de 2015, a Beija-Flor de Nilópolis fez um desfile com a categoria habitual e bom canto dos componentes, mas em nível um pouco inferior do que já apresentou em outros anos. A escola apostou em alegorias imponentes e luxuosas e fantasias relativamente leves para o que tradicionalmente leva para a avenida. O enredo, sobre o Marquês de Sapucaí, foi desenvolvido de forma linear e pouco criativa, sendo biográfico ao extremo. O canto forte da escola fez-se presente, porém, a evolução apresentou irregularidades em vários momentos. No carro de som, cantando o samba-enredo, Neguinho da Beija-Flor comemorou 40 anos de Sapucaí apresentando-se com categoria. Apesar de todo o esforço da escola, o público não se contagiou pelo desfile da campeã de 2015. A "Deusa da Passarela" deu sinais de que estará no Desfile das Campeãs, mas não se mostrou com pique de vencedora.

Trazendo a cidade de Santos como enredo, a Grande Rio apostou em uma comissão de frente de impacto. Na coreografia bolada pelo casal Priscilla Mota e Rodrigo Negri, o tripé, que retratava a Fonte do Itororó transformava-se em uma bola de futebol, de onde surgia um componente simbolizando Pelé, que exibia a Taça Jules Rimet para o delírio da arquibancada. O desfile, porém, teve altos e baixos. Enquanto a bateria de Mestre Thiago Diogo fez uma ótima apresentação, o samba expôs suas fragilidades na avenida. Muitas alas sofreram com fantasias pesadas e evoluíram com dificuldade. O enredo, disperso, só conseguia ser compreendido pelo público com o auxílio do roteiro da escola. As alegorias apresentaram falhas de acabamento.

Daniel Pinheiro/AgNews
Claudia Leitte, rainha de bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel

Quinta escola a desfilar, a Mocidade Independente de Padre Miguel apostou em um visual baseado no gigantismo para contar a história de uma fictícia vinda de Dom Quixote ao Brasil. No abre-alas, o personagem de Cervantes apareceu em uma escultura de 15 metros de altura. O tamanho das alegorias acabou mostrando-se um verdadeiro calcanhar de Aquiles. Mal acabadas, demonstravam pedaços de ferro e madeira. O último carro teve problemas para entrar na avenida e trazia uma escultura do apresentador Jorge Perlingeiro em péssimas condições. Apesar do esforço dos componentes e da bateria, o samba-enredo não funcionou e o desfile teve momentos de melancolia. Por conta da dificuldade em retirar os carros da avenida, a escola teve problemas de evolução e precisou correr no final para não estourar o tempo limite de 82 minutos.

A Unidos da Tijuca encerrou a primeira noite apresentando um desfile exaltando a agricultura brasileira. Com uma criativa comissão de frente, em que um matuto regava a terra e fazia brotar os frutos, a escola começou seu desfile arrancando muitos aplausos. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Julinho e Rute, também se destacou, com uma apresentação entrosada. Embalada por um belo samba-enredo e uma ótima atuação da bateria de Mestre Casagrande, a azul e amarela fez um desfile seguro, tecnicamente bem defendido nos quesitos e marcado pela evolução animada e compacta de suas alas. O samba, de autoria de Dudu Nobre, embalou um ótimo desfile, que credencia a Tijuca para a disputa do campeonato.

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