Rio de Janeiro

Mangueira se consagra campeã do Carnaval 2016 no Rio de Janeiro

Giselle de Almeida e Marcela Ribeiro

Do UOL, no Rio

OUÇA O DESFILE COMENTADO:

A Estação Primeira de Mangueira se consagrou campeã do Carnaval 2016 no Rio de Janeiro, com 269,8 pontos, conquistando seu 19º título após apuração das notas realizada nesta quarta-feira (10), na praça da Apoteose. Em uma disputa acirrada, decidida por um décimo, a Unidos da Tijuca ficou com o vice-campeonato.

Com apenas 265 pontos, a Estácio de Sá foi rebaixada para o grupo de acesso do Carnaval carioca.

Reprodução
Classificação final do Carnaval 2016 do Rio de Janeiro

Ouça o samba vencedor no UOL Música Deezer

A Mangueira encerrou a segunda noite de desfiles, já na madrugada de terça, homenageando a carreira da cantora Maria Bethânia, com o enredo "Maria Bethânia, a Menina dos Olhos de Oyá".

Após a apuração, Chiquinho da Mangueira, presidente da escola comemorou a volta ao desfile das campeãs. "A Mangueira merece estar sempre aqui entre as campeãs, porque sem a Mangueira o Carnaval não é o mesmo". Ele também disse que "sabia que seria uma disputa acirrada". "Qualquer uma que fosse campeã, seria merecido. Foi o Carnaval mais disputado dos últimos 20 anos, na minha opinião", afirmou. "Eu acho que a Mangueira juntou o que precisava juntar, que é a juventude com a tradição, respeitando o que a escola tem de mais importante, que é a sua comunidade", explicou. Neste ano, a escola trouxe um carnavalesco estreante e coreógrafos da comissão de frente e do casal de mestre-sala e porta-bandeira com pouca experiência no Carnaval.

A rainha da bateria Evelyn Bastos creditou a vitória "à comunidade, que esteve com a gente o tempo inteiro, fez ensaios maravilhosos e fez um honroso desfile", e à cantora Maria Bethânia. "A Bethânia é uma grande força. E dessas duas grandes forças unidas saiu a grande campeã do Carnaval carioca".

No fim do desfile, o carnavalesco Leandro Vieira havia afirmado que "foi um desfilaço". Já na comemoração, na quadra da escola --lotada, com gritos de "A campeã voltou!" e ao som dos sambas deste e de outros anos--, ele contou que ficou em casa ouvindo um disco da Bethânia durante a apuração. "Eu sou um carnavalesco novato, não tenho experiência com apuração. Fiquei com medo de morrer", disse ele, que foi avisado do título pelos gritos da mulher, a porta-bandeira Squel.

Integrantes da Mangueira comemoram anúncio da vitória

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Sobre a ideia do enredo, ele revelou que o amor pela cantora vem de longe. "A Bethânia é uma voz que sempre esteve no meu ouvido. Tudo que eu fiz de arte na minha vida, eu fiz embalado pela voz da Bethânia. Há alguns anos, mesmo antes de ser carnavalesco, eu imaginava que a Bethânia daria um enredo com a cara do Brasil, com a cara das coisas que eu acredito. Quando eu vim pra Mangueira, eu propus o enredo pra eles e deu certo".

Ao receber o troféu de campeã, os integrantes da escola homenagearam o puxador Luizito, intérprete oficial da Mangueira, que morreu em setembro do ano passado. Paulo Roberto da Silva, o Ciganerey, que assumiu no lugar de Luizito, disse que foi uma grande responsabilidade. "Homenagear Bethânia, que é uma diva da MPB, é uma responsabilidade tão grande quanto a de cantar no lugar que já foi de Jamelão e de Luizito. Joguei tudo que eu tinha pra não errar e graças a Deus não errei".

Homenagens musicais

As homenagens a grandes nomes da música brasileira costumam dar sorte à Estação Primeira, que já venceu com enredos sobre Chico Buarque (1998), Dorival Caymmi (1986), Braguinha (1984), o samba (1968) e o Carnaval (1960). A própria Bethânia já havia sido homenageada em 1994, com um enredo sobre os Doces Bárbaros --como era chamado o grupo formado por ela, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Gal Costa. Na ocasião, a escola amargou o 11º lugar, mas o samba ficou marcado como um dos melhores das últimas décadas.

O último título da verde e rosa foi conquistado em 2002, com o Nordeste como tema. Depois disso, a escola passou por uma forte crise financeira, que levou a resultados ruins nos últimos anos. Mas a estreia do carnavalesco Leandro Vieira trouxe a Mangueira de volta a sua melhor forma, com alegorias e fantasias suntuosas, que ao mesmo tempo facilitavam o desfile de seus componentes.

Em sua comissão de frente, bailarinas faziam saudação a Oyá, o orixá que rege a homenageada, também conhecida como Iansã. Com uma bela roupa e um truque de maquiagem que a deixou careca, a porta-bandeira Squel arrancou muitos aplausos ao lado de seu parceiro Raphael, e o casal conquistou quatro notas dez. A primeira parte do desfile foi toda dedicada à devoção de Bethânia tanto aos orixás do candomblé, quanto aos santos católicos.

O desfile da Mangueira também contou com uma constelação de estrelas da MPB, com o quarto carro trazendo Caetano Veloso como destaque, ao lado de seu filho Tom, das cantoras Zélia Duncan, Adriana Calcanhotto, Mart'nália e Ana Carolina, dos atores Antônio Pitanga, Renata Sorrah e Lúcia Veríssimo, além de Jards Macalé, Regina Casé e Chico César, entre outros.

A homenageada brilhou no último carro, que lembrava sua paixão pelo circo. Bethânia foi saudada por um público em delírio, que lotou as arquibancadas até o fim do desfile e invadiu a avenida após a passagem da mangueira.

Apuração

As notas foram lidas na seguinte ordem de quesitos: samba-enredo, enredo, comissão de frente, fantasia, mestre-sala e porta-bandeira, harmonia, evolução, bateria e alegorias e adereços. Alegorias e adereços foi definido como primeiro quesito de desempate, e bateria, o segundo.

Foram considerados 35 jurados, já que um julgador do quesito bateria foi cortado por conta de suposta amizade com Zezé Di Camargo e Luciano, homenageados da Imperatriz. Seguindo o regulamento da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), foi repetida a nota mais alta obtida por cada escola no quesito.

Veja aqui como ficaram as notas de cada escola.

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