São Paulo

Pérola Negra entra com recurso para se manter no Grupo Especial

Do UOL, em São Paulo

Rebaixada após apuração realizada na semana passada, a escola de samba Pérola Negra, da Vila Madalena, zona oeste de São Paulo, entrou com recurso para permanecer no Grupo Especial.

A agremiação diz que foi prejudicada por uma queda de energia no sambódromo, causada pela explosão de um transformador. O incidente atrasou os desfiles e, durante a passagem da Pérola Negra, alguns refletores do meio da passarela permaneceram apagados. 

Ao UOL a assessoria de imprensa da escola afirmou que foi realizada uma reunião nesta terça-feira (16), que contou com a presença da maioria dos presidentes das escolas de samba paulistanas. Ainda segundo a escola, o pedido foi acatado e a Pérola volta ao grupo especial em 2017. A Liga das Escolas de São Paulo, no entanto, informou que ainda não vai se pronunciar sobre o caso.

Nas redes sociais, a escola já comemora a decisão. "Nossa diretoria não mede momento e esforços para correr atrás do que é justo. Em consenso com a organização do Carnaval de São Paulo, o Pérola Negra desfilará no Grupo Especial em 2017. Estamos felizes demais."

A queda de energia não foi o único problema da Pérola. A escola teve dificuldade para colocar na avenida o segundo carro, que passou com dificuldade pela saída da concentração, por causa de seu tamanho. O quarto carro também enfrentou contratempos para entrar na pista e prejudicou a evolução da escola. Os incidentes geraram correria no desfile para não estourar o tempo.

Leo Franco / AgNews
A bailarina Isabella Rodrigues durante desfile da Pérola Negra

O desfile

A Pérola mostrou o tema "Canindé ao samba no pé. A Vila Madalena nos passos do balé", que propôs um baile de diferentes ritmos musicais, com bailarinos profissionais na avenida. Devido à chuva que caiu no Anhembi, a escola foi recebida por uma arquibancada parcialmente vazia e plateia pouco animada. O enredo complexo soou de difícil compreensão no sambódromo. Por ser a primeira escola, o samba tem o papel de levantar o público, mas a composição não pegou e a arquibancada assistiu boa parte em silêncio.

Na volta ao Grupo Especial, a vice-campeã do Grupo de Acesso em 2015 apresentou fantasias sem luxo, mas criativas, compondo um desfile bem colorido para contar história das danças e festas populares no Brasil. O carnavalesco Fábio Borges criou uma linha do tempo imaginária que começava quando a Vila Madalena ainda era uma floresta de Mata Atlântica e terminava nos dias de hoje, quando se consolidou como o ponto de encontro dos blocos de rua.

Para chegar no samba e no Carnaval, as alas e coreografias da escola passaram pela dança das águas dos igarapés, o balé aquático dos peixes, as danças indígenas, a catira e o fandango dos tropeiros, os batuques dos escravos, a capoeira, o frevo, o maracatu, o boi-bumbá e a gafieira. Abrindo o desfile, a escola colocou bailarinas na comissão de frente, com o balé "A Dança da Natureza".

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