Rio de Janeiro

Enredo da Imperatriz em defesa dos índios gera polêmica no Carnaval do Rio

Divulgação/Imperatriz Leopoldinense
Fantasia "Fazendeiros e seus Agrotóxicos", da Imperatriz Leopoldinense para 2017 Imagem: Divulgação/Imperatriz Leopoldinense

22/01/2017 15h42

A estrofe do samba-enredo da escola de samba Imperatriz Leopoldinense tem causado polêmica no Carnaval do Rio de Janeiro e provocou a ira do poderoso setor agropecuário. Tudo começou quando a escola divulgou que ia dedicar seu Carnaval deste ano ao povo indígena com o tema "Xingu: O Clamor que Vem da Floresta".

"O belo monstro rouba as terras dos seus filhos/ Devora as matas e seca os rios/ Tanta riqueza que a cobiça destruiu/ Sou o filho esquecido do mundo/ Minha cor é vermelha de dor/ O meu canto é bravo e forte/ Mas é hino de paz e amor", dizem os versos da estrofe.

Tanto na letra quanto nos carros alegóricos e nas fantasias, a escola não economiza nas críticas à exploração que o caraíba (homem branco) faz das terras indígenas, às consequências dos agrotóxicos e se refere à usina de Belo Monte, no Rio Xingu, como "Belo Monstro". Parte do desfile é dedicada às mais de dez etnias que vivem no Parque Indígena de Xingu, com 27 mil quilômetros quadrados no Mato Grosso.

"Queremos propor um resgate dos valores deste povo, que é o verdadeiro dono da terra, que planta, colhe e pesca, sempre respeitando a natureza. Retrataremos como eles gostariam de ser vistos no sambódromo, da maneira mais fiel possível à realidade. É um povo que sofre muito para manter seus princípios, um povo que não tem voz, não tem seus direitos respeitados. Então, decidi aproveitar para despertar a consciência das pessoas", afirmou o carnavalesco Cahê Rodrigues.

Curiosamente, a escola -- oito vezes campeã do Carnaval do Rio -- dedicou seu desfile do ano passado ao campo, aos caipiras e à dupla Zezé Di Camargo & Luciano.

As críticas dos líderes do agronegócio se multiplicaram e chegaram inclusive ao Congresso Nacional. O deputado César Halum, do Partido Republicano Brasileiro (PRB), repudiou "o total desconhecimento da escola de samba, que não sabe o que significa o agronegócio brasileiro", que, segundo ele, representa 22% do Produto Interno Bruto (PIB) e gera 37% dos empregos do país.

Já o deputado Victório Galli, do Partido Social Cristão (PSC), criticou que o Brasil viva "um momento no qual se vangloria daqueles que andam à margem da sociedade e demoniza o verdadeiro trabalhador".

Entre entidades do campo, a mais contundente é a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). "É inaceitável que a maior festa popular brasileira, que tem a admiração e o respeito de nossa classe, seja camarote para um show de sensacionalismo e ataques infundados", afirmou.

Polêmica instaurada, a Imperatriz emitiu uma nota rejeitando as críticas e afirmando ser vítima de uma "intensa campanha difamatória".

"Embora não seja nossa intenção generalizar, importantes pesquisas científicas apontam os diversos males que o agrotóxico traz para o solo, para o alimento e consequentemente para a saúde de quem o consome. Este é apenas um aspecto do nosso rico e imenso enredo, mas desde então temos recebido críticas e inúmeras notas de repúdio dos mais diversos setores do agronegócio. (...) Em nenhum momento atacamos o setor do agronegócio e seus trabalhadores. (...), afirmou Luiz Pacheco Drumond, presidente da escola.

Mesmo depois de todos os esclarecimentos prestados por nosso carnavalesco aos mais diversos veículos de comunicação, temos sido atacados com críticas injustas e até com ofensas ao samba, importante matriz de nossa cultura, e ao Carnaval, a maior festa popular do planeta", concluiu.

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