Rio de Janeiro

Rio de Janeiro se "solta" e improvisa nas fantasias no "Carnaval da crise"

Mar Marín

Do Rio de Janeiro

14/02/2017 14h12

Os cariocas dizem que o Carnaval é o melhor momento para "se soltar e liberar os demônios". Neste ano não será diferente, embora o Rio de Janeiro celebre "a maior festa do mundo" com uma crise sem precedentes que teve impacto também nas vendas de adornos e fantasias.

O Rio já respira o Carnaval, com os desfiles dos blocos de rua e os cariocas fantasiados, e além disso também terá as duas grandes noites de desfile das escolas de samba na Marquês de Sapucaí, entre 26 e 28 de fevereiro.

Os empresários estimam que o Carnaval movimentará cerca de R$ 2,4 bilhões no Rio de Janeiro, aproximadamente 6% a menos que no ano passado e a pior arrecadação dos últimos três anos.

Essa é a temporada forte para as lojas de fantasias e artigos de festa, que, como outros setores, sofreram com o impacto da recessão que atinge o Brasil e da severa crise do Rio de Janeiro, que declarou estado de "calamidade financeira" em junho e ainda não conseguiu superar o revés.

Milhares de funcionários do estado de Rio viram congelados ou reduzidos seus salários; a administração fracionou e atrasou os pagamentos; mais de 11 mil comércios fecharam no último ano e dezenas de milhares de trabalhadores ficaram sem emprego.

Na zona comercial da Saara, uma das mais populares da cidade, as lojas exibem as fantasias mais coloridas para atrair a atenção dos clientes e tentar reverter a queda nas vendas dos últimos meses, que os vendedores cifram em média de 30%.

As "estrelas" das "fantasias" infantis são duas personagens de fibra: Ladybug e Moana, seguidas de perto pelo Capitão América e outros super-heróis, enquanto os adultos costumam ficar com máscaras e adornos para a cabeça.

Na Saara podem ser encontrados chapéus de plástico e fantasias, algumas até mais bem elaboradas, sem contar com os tradicionais adornos com plumas de diversas cores.

"Com a crise, o brasileiro está mais consciente, deixamos de comprar para nós, mas para nossos filhos sempre damos um pouco mais", aponta Jacqueline Veiga, funcionária de uma das lojas de vendas de fantasia, onde, admite, os ingressos caíram um terço nos últimos meses.

Maria Rita Evangeliça, funcionária de outro estabelecimento especializado em festas, estima que a queda é de cerca de 50%.

"Antes a loja estava cheia e agora só se vê duas ou três pessoas", lamenta Rita, que assegura que "agora as pessoas compram coisas mais baratas", com uma média de despesa de R$ 20 por cliente.

Os jovens Lucas dos Santos e Paulo Henrique Marin consideram que a crise não é obstáculo para pular carnaval e se dispõem a gastar R$ 700 cada um em três fantasias, porque "vamos ficar um mês em festa".

Marcelo Servos, de Casa Turuna, uma loja emblemática da Saara, com mais de cem anos de história, não sentiu o impacto da crise apesar de, reconhecer, os preços subiram cerca de 10%.

"Não temos problemas com a crise porque neste ano o Carnaval está mais longe de janeiro. Tivemos sorte com as datas porque quanto mais longe de janeiro, melhor", aponta.

O segredo do sucesso da loja está na variedade. "Mais de cem modelos de fantasias femininas e entre 30 e 40 masculinas".

Em um dos provadores da loja, Marina, uma jovem argentina, prova uma fantasia carregada de pedras de diversas cores e coloca um adorno de plumas na cabeça.

"Fico encantada com o carnaval no Rio e quero levá-lo à Argentina. Lá não têm estas coisas. Prefiro esta fantasia a outras porque o carnaval é calor e gosto mais da imagem da mulher brasileira, com suas plumas, me lembra algo como indígena", explica.

Muito perto de Marina, dois amigos cariocas brincam enquanto provam um adorno com plumas.

De acordo com eles, as pessoas se disfarçam nessa época do ano "porque o Carnaval é vida, é desordem". 

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