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Escolas de São Paulo trazem a melhor safra de samba dos últimos anos

Jussara Soares

Colaboração para o UOL, São Paulo

20/12/2016 07h00

Com bons enredos, as escolas deram uma matéria-prima mais rica para os compositores. E eles souberam tirar proveito das histórias que serão contadas no Sambódromo do Anhembi no desfiles do Carnaval 2017, que acontecem nos dias 24 e 25 de fevereiro. Mesmo sem apresentarem estruturas inovadoras, os sambas trazem letras elaboradas e melodias que empolgam e emocionam.

"Para mim, a última boa safra foi 2008 e acredito que neste ano seja retomada dos bons sambas. As escolas escolheram as melhores obras que estavam na disputa", diz Ronny Poltoksi, do site Sociedade dos Amantes do Samba Paulista (SASP).



Duas escolas que prometem duelar na avenida com temas religiosos, Vai-Vai, com o enredo sobre Mãe Menininha do Gantois, e a Unidos de Vila Maria, que homenageará os 300 anos de Nossa Senhora Aparecida, têm dois dos sambas mais elogiados em sites especializados como o SASP (Sociedade dos Amantes do Samba Paulista) e o Amantes de Carnaval de São Paulo.

A Vai-Vai mantém o seu andamento acelerado e aposta em sua tradição para repetir o feito de 2015, quando foi campeã com o enredo sobre a cantora Elis Regina e fez o Anhembi cantar seus versos do começo ao fim.  Dessa vez, traz um samba forte com muitas expressões do Candomblé, o que pode dificultar o canto do público pela dificuldade de pronúncia das palavras.  O refrão simples, no entanto, é de fácil assimilação: "Ora Yê Yê Oxum vem nos abençoar/A Bela Vista hoje vai cantar/Bate cabeça, abre a roda para saudar/Mãe Menininha do Gantois."

Em busca de seu primeiro título, a Vila Maria, que teve a benção da Igreja Católica para fazer o enredo sobre a padroeira do Brasil, apresenta um samba cerimonioso, na medida para conduzir a "procissão" que a agremiação deve levar à avenida sob o comando do novo carnavalesco Sidnei França.  No disco, há a participação do padre Reginaldo Manzotti, que canta o trecho da música "Nossa Senhora", de Roberto Carlos.

Desde que voltou ao Grupo Especial em 2013, a Acadêmicos do Tatuapé vem se confirmando como um celeiro de bons sambas. E isso certamente é reflexo da decisão da agremiação em escolher o seu hino internamente. Em outras escolas, o concurso é aberto ao público. Para 2017, não será diferente. O samba-enredo "Mãe África conta sua História: do Berço Sagrado da Humanidade à Abençoada Terra do Grande Zimbawe" bebe sem cerimônia dos ritmos afros e traz uma das levadas mais interessantes do ano.

"Vai-Vai, Tatuapé e Vila Maria têm mesmo os sambas mais bonitos para 2017 e graças aos ótimos enredos",  diz o jornalista Felipe Cruz, responsável pelo site Amantes do Carnaval de São Paulo.

Surpresas

As boas surpresas ficam por conta da Dragões da Real e Tom Maior. Ambas trazem o tempero do forró para o Carnaval. A escola tricolor, com o enredo sobre a música "Asa Branca", de Luiz Gonzaga, acertou a mão com um samba de poesia elegante e melodia envolvente. Impossível não decorar os versos: "Vou-me embora... seguir meu destino/Sou nordestino arretado sim, ‘sinhô’/E na bagagem trago o sonho de vencer/Oh Rosinha, sem ocê, não sei viver".

A Tom Maior, que volta ao Grupo Especial no próximo ano, abrirá os desfiles das escolas de samba em 2017 com uma homenagem à cantora Elba Ramalho. A composição alegre e fácil é um convite para incluir passos do xaxado no samba e já levantar o público logo no início da noite.

A Unidos do Peruche, que exaltará Salvador no Anhembi, teve uma das finais mais disputadas do ano. E, embora a composição não seja uma unanimidade entre os sambistas e críticos, tem uma melodia suingada com tudo para cair no gosto popular.

A Mocidade Alegre, que cantará o seu jubileu de ouro em 2017, traz um samba correto, mas sem a força de seus hinos anteriores.

Já a campeã incontestável de 2016, a Império de Casa Verde tenta o bicampeonato com o enredo "Paz – O Império de Nova Era". O samba apresenta letra pouco criativa e, por vezes, é cansativo, aquém do que se espera da escola que volta ao Anhembi como vitoriosa. Por outro lado, tanto Mocidade quanto Império já provaram sua capacidade de fazer um samba embalar na avenida com a força de suas baterias e o canto de seus integrantes. E é ali, nesse palco sagrado, que a magia toda acontece.

Esperar pra ver

Os sambas da Acadêmicos do Tucuruvi, que conta a história da arte de rua, e da Rosas de Ouro, que passeia pela história dos banquetes, tem boas passagens, mas não chegam a empolgar e a fazer frente aos melhores do ano.

Já a trilha da Gaviões para o enredo "Com as mãos e a garra de um povo sonhador, surge o contraste de uma nova metrópole - Sampa, lugar de sonhos, oportunidades e esperança"  é composto por versos longos e o andamento cai ao longo da execução. Por sua vez, a Nenê de Vila Matilde, com enredo patrocinado sobre Curitiba, recorre a uma fórmula batida para fazer um refrão pegajoso: "Lá vem Nenê/ Segura que eu quero ver/Meu samba vai levantar poeira/ É o lado leste sacudindo a avenida/ A Vila exaltando Curitiba."

Com enredos confusos, Mancha Verde, que faz uma homenagem aos Josés do Brasil; e Águia de Ouro, que fala sobre cães, não foram felizes em seus sambas e são um desafio a serem superados diante do público no sambódromo. A agremiação alviverde abre a segunda noite de desfile, enquanto que a escola da Pompeia encerra a primeira.

"A decisão é na avenida, onde vários fatores influenciam e, por isso, nem sempre o andamento segue no mesmo beat do CD, o que pode prejudicar o samba", alerta o cantor e compositor Luizinho SP, que nos últimos anos é um dos jurados do Troféu Nota 10,do jornal Diário de S.Paulo.
 

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