Recife e Olinda

Batuques e estátua: Carnaval do Recife terá homenagens a Naná Vasconcelos

João Rogério Filho
Imagem: João Rogério Filho

Mateus Araújo

Colaboração para o UOL

12/01/2017 18h41

O percussionista Naná Vasconcelos, que morreu em março do ano passado, aos 71 anos, será homenageado na abertura do Carnaval do Recife, dia 24 de fevereiro, no Marco Zero. Nos últimos 16 anos, o músico foi regente da cerimônia que reúne mais de 500 batuqueiros de nações de maracatu além de cantores nacionais e internacionais convidados.

“Todos os anos, Naná regia os batuqueiros. Neste ano, a ideia é que os mestres das nações de maracatu sejam os regentes, em homenagem a ele”, explica a produtora e viúva do percussionista Patrícia Vasconcelos. “Eu pedi à Prefeitura do Recife para que não colocasse um substituto no lugar de Naná, porque essa abertura foi uma movimento muito pessoal criado por ele para com os grupos de maracatu. Achei que o mais correto seria que isso ficasse com os mestres e para os mestres. Eles que são os protagonistas.”

Neste ano, 13 grupos e o coral feminino Voz Nagô compõem a chamada Nação Naná Vasconcelos. O repertório da apresentação será composto por músicas do percussionista. Embora a Secretaria de Cultura do Recife, responsável pelo evento, ainda não tenha anunciado os detalhes da homenagem, devem participar da cerimônia artistas nacionais que já se apresentaram nela. Vídeos com imagens dos anos anteriores serão exibidos no palco e nos telões da praça, durante a noite.



A cerimônia foi criada em 2001 como uma celebração à tradição afro-brasileira presente na cultura pernambucana. Os maracatus, que são grupos ligados ao candomblé e à umbanda, saem em cortejo pelo centro histórico do Recife e em seguida se apresentam no principal palco do Carnaval da cidade. Nomes como Marisa Monte, Milton Nascimento, Elza Soares e Maria Bethânia já se apresentaram no evento.

“Esse encontro representa uma das maiores formas de união de maracatus de Pernambuco. Ali estão nações que disputam anualmente o concurso de agremiações e por isso têm rivalidade entre si. E uma das propostas de Naná, ao criar esse encontro, era de unir todos mundo. Fazemos uma espetáculo que prevalece uma grande nação”, explica o presidente da Associação dos Maracatus Nação de Pernambuco, Fábio Sotero.

A cerimônia de abertura também ajudou a dar visibilidade artística aos grupos cuja maioria tem sede em comunidades da capital pernambucana. “A abertura virou uma vitrine para as nações. Tanto que algumas pessoas dizem que o maracatu de pernambuco não seria o mesmo sem ela. São muitos os turistas de fora do país ou de outros estados que procuram conhecer os maracatus a partir daqueles que participam da abertura do Carnaval”, afirma Sotero. Segundo ele, a apresentação tem um caráter religioso, é “uma oração para abrir com boas energias” a festa.

Para a ialorixá Mãe Nadja de Angola, presidente do Maracatu Nação Leão da Campina, esta homenagem a Naná Vasconcelos será uma forma de agradecimento à dedicação dele com os grupos populares e à formação musical que proporcionou ao jovens músicos.


“Tivemos uma evolução em cada nação, graças aos ensinamentos dele. Meu filho Hugo, hoje mestre do nosso maracatu, cresceu como percussionista com o apoio de Naná. E eles nos ensinou a trabalhar em conjunto”, lembra Nadja. “Naná ensinou a técnica a todos eles, tentou fazer com que as nações estivessem sempre em equilíbrio. E com isso ele também resgatou muitas crianças e adolescentes das periferias, pelo interesse pela música e percussão. Ele não será esquecido nunca.”

Monumento

Além da homenagem na abertura do Carnaval, Naná Vasconcelos também terá uma estátua sua instalada no Recife. A obra integra o Circuito da Poesia, um projeto com 16 monumentos em homenagem a artistas e pensadores locais – entre eles, o músico Chico Science, o poeta Manuel Bandeira e o escritor Ariano Suassuna.

A estátua é de autoria do artista plástico Demétrio Albuquerque e terá ao todo 4 metros de altura. “A figura de Naná fica em cima de tambores de maracatu. A estátua tem 1,70 metro e é feita de concreto. Ele vai estar tocando um berimbau. Os tambores, que forma uma espécie de totem, são de resina e coloridos”, explica Albuquerque.

Procurada pelo UOL, a Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb), responsável pelo projeto, disse não poder adiantar muitos detalhes. A inauguração, no entanto, deve acontecer antes do Carnaval, e a estátua de Naná Vasconcelos deve ser colocada próximo aos armazéns que ficam do lado da praça do Marco Zero, Bairro do Recife.

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