Rio de Janeiro

Rio diminui desfiles para se adequar à TV e cria superjúri na Sapucaí

Júlio César Guimarães/UOL
Casais de mestre-sala e porta-bandeira terão de se adaptar ao novo modelo de julgamento. Na imagem, os sambistas Raphael e Squel, no desfile de 2016 da Mangueira Imagem: Júlio César Guimarães/UOL

Anderson Baltar

Colaboração para o UOL

13/01/2017 11h56


O Carnaval carioca de 2017 deve ser -- na opinião quase unânime dos sambistas e dirigentes das escolas do Grupo Especial -- um dos mais imprevisíveis dos últimos tempos. Novidades no regulamento para o desfile, definidas em uma reunião plenária da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba), deixaram a disputa pelo título mais acirrada e baseada nos mínimos detalhes.


Escolas terão menos tempo de desfile

A principal alteração diz respeito ao tempo dos desfiles. Se anteriormente as escolas tinham 82 minutos como tempo máximo para atravessar os 700 metros de pista do sambódromo, agora os sambistas terão 75 minutos. Para facilitar a tarefa das escolas, houve uma redução no número máximo de carros alegóricos: de sete para seis (sendo permitido um carro formado pelo acoplamento de duas alegorias), com a possibilidade da utilização de três tripés (carros alegóricos de menor dimensão, que levam no máximo dois componentes). Os elementos coreográficos das comissões de frente continuam liberados, mas sem contar como tripé.


Os dirigentes apontam dois motivos para a redução do tempo: a crise econômica e o desejo de fazer um espetáculo que caiba na grade de programação da Rede Globo, emissora que detém desde 2000 a exclusividade na transmissão. “Sem dúvidas que, com menos um carro alegórico a fazer e com menos tempo para passar na avenida, haverá um enxugamento nos orçamentos. Em tempos de crise, com a dificuldade de patrocinadores, isso vem a calhar”, atesta Levi Junior, presidente da Unidos de Vila Isabel. “Estávamos incomodados com o fato de a Globo não transmitir a primeira escola ao vivo. Desta forma, o desfile de todas as escolas será exibido na íntegra e ao vivo, o que é fundamental em uma competição”, explica Elmo José dos Santos, diretor de Carnaval da Liesa. Para adequar o evento à transmissão, o desfile teve seu início adiado para as 22h.


A Vila Isabel prevê uma economia sensível em seu desfile de 2017 por conta das alterações no regulamento. A escola terá sete alas a menos do que no Carnaval passado e também diminuiu o número de componentes. “Ano passado nós viemos com 100, 110 pessoas por ala. Agora, vamos desfilar com 80 componentes em cada. Como a Vila dá fantasias para quase 90% de seus desfilantes, isso acarreta uma boa economia”, explica o presidente. A redução facilita também a fluência do cortejo. “Uma escola mais enxuta é mais fácil de direcionar ao longo da pista. Mesmo assim, o desafio é imenso, porque nunca desfilamos em tão pouco tempo”, afirma Décio Bastos, diretor de Harmonia da Vila. Outra escola que aposta na mudança é a São Clemente: segundo a carnavalesca Rosa Magalhães, as alas foram enxugadas em 20%. A artista vê com bons olhos a redução do tempo do desfile. “Poderia cortar ainda mais, diminuir até o número de carros. Em 1982, no Império Serrano, fui campeã só com três alegorias. Dá pra contar a história sem problemas. O desfile ficaria mais focado na empolgação e no samba no pé dos componentes”.


Novidade no julgamento: o supermódulo

Até o Carnaval passado, as escolas eram julgadas em quatro pontos diferentes da avenida: nos setores 3, 6, 8 e 10. Por conta da redução do tempo, a Liesa também propôs outra importante alteração no regulamento: a criação do supermódulo de julgamento. Na prática, o módulo que antes ficava no setor 8 será deslocado para o setor 6, que agora acolherá dois módulos de jurados. O supermódulo ficará próximo à linha central do desfile, onde as escolas – em um mesmo momento – serão avaliadas por dois jurados de cada quesito. O primeiro e o quarto módulos permanecerão nos mesmos lugares.


O objetivo da mudança é reduzir o número de paradas para os julgadores e causou especial preocupação em dois segmentos das escolas: comissão de frente e casal de mestre-sala e porta-bandeira. Como eles têm coreografias preparadas para apresentar aos jurados, agora terão de encontrar o ponto correto para que os dois julgadores de seu quesito possam ter uma boa visibilidade de suas performances.


Por conta do novo modelo de avaliação, esses segmentos estão ensaiando na Sapucaí durante as noites e madrugadas desde dezembro. “Antecipamos em um mês nossa vinda para cá. E confesso que fiquei assustada após o primeiro ensaio. Afinal, nessa cabine não poderemos errar, pois são 20 pontos em disputa. Estamos estudando muito o espaço, de forma a planejar a dança em um lugar onde os dois jurados possam nos ver perfeitamente”, explica Rafaela Theodoro, primeira porta-bandeira da Imperatriz Leopoldinense. Seu parceiro, Thiaguinho Mendonça, encara a modificação como um incentivo, especialmente para ele, que estreará como mestre-sala em uma escola do Grupo Especial. Mas destaca um detalhe que pode prejudicar: “O problema é que tem uma caixa de som em frente ao supermódulo e eu temo que a visão do jurado fique prejudicada. Estamos atentos a esse detalhe”.


A caixa de som também preocupa Júnior Schall, diretor de Carnaval da Vila Isabel. “Grande parte das justificativas de comissão de frente criticam aspectos que não foram vistos da cabine. Por isso, estamos focados em procurar o ponto exato para que nossos segmentos se apresentem”, conta. Jaime Arôxa, coreógrafo da comissão da Paraíso do Tuiuti, que volta ao Grupo Especial após 16 anos, faz coro. “Teremos que posicionar o nosso tripé de uma forma que todos os jurados consigam ver tudo.” A Liesa disse saber do problema, mas explicou que, por questões de acústica da avenida, a caixa de som não poderá ser removida. “Levamos os diretores de Carnaval e harmonia das escolas para a avenida e todos vimos juntos o local. A Liesa demarcará um ponto, tido como ideal para as apresentações. Todos os jurados terão visibilidade total”, promete Elmo.


Em relação ao supermódulo, o mestre-sala da Imperatriz também levanta outra questão: “Nós teremos uma dança que será avaliada por dois jurados ao mesmo tempo. E se as notas forem discrepantes?” O diretor de Carnaval da Liesa afirma que o tema será abordado na preparação dos jurados e que, caso isso ocorra, as justificativas serão analisadas e o julgador será afastado dos próximos desfiles. “Na verdade, o que queremos, além de dar mais dinamismo ao desfile, é trazer mais emoção. Acredito que será uma apuração muito tensa, decidida no detalhe.”


Jurados reservas

A Liesa também tem outra novidade para o julgamento. Ao contrário dos anos anteriores, em que os quatro jurados de cada quesito eram definidos anteriormente, desta vez a entidade divulgará uma lista de seis nomes. No domingo de Carnaval, às 18h, haverá um sorteio, no qual se definirão os 36 jurados (quatro por quesito) que terão suas notas lidas e consideradas. Os dois restantes ficarão acomodados no primeiro e no último módulo de julgamento. “Eles trabalharão normalmente, mas suas notas não serão divulgadas. O seu julgamento ficará arquivado para análise na Liesa e eles poderão ser aproveitados nos próximos Carnavais”, explica Elmo.


Caso algum jurado sorteado tenha que se ausentar por motivo de força maior, as notas de um suplente serão consideradas. “Se isso acontecer, a nota do primeiro jurado reserva será válida”, esclarece o diretor de Carnaval da Liesa. Cabe lembrar que, no desfile passado, o jurado Fabiano Rocha, de bateria, foi afastado horas antes do desfile de domingo por conta de gravações que insinuariam uma suposta fraude nos resultados do Carnaval. Fabiano não julgou e não teve substituto. No lugar de sua avaliação, as escolas tiveram a nota mais alta repetida.

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