Rio de Janeiro

Entre paixão e técnica, 54 jurados avaliarão escolas do Rio. Conheça lista

Marcelo de Jesus/UOL
10.fev.2016 - Representantes da Mangueira recebem troféu de 2016. A Mangueira, que apostou em um carnavalesco estreante -- Leandro Vieira -- não levava um título desde 2002 Imagem: Marcelo de Jesus/UOL

Anderson Baltar

Colaboração para o UOL, no Rio

10/02/2017 11h41

Os sonhos de milhares de desfilantes e torcedores das 12 escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro se tornarão realidade ou frustração na Quarta-Feira de Cinzas, 1º de março, quando acontece a apuração das notas. O trabalho de um ano é avaliado por jurados que devem atribuir notas de 9 a 10 (com o fracionamento de décimos) para os nove quesitos: bateria, samba-enredo, evolução, harmonia, enredo, alegorias e adereços, fantasias, comissão de frente e mestre-sala e porta-bandeira. Em meio a paixões e critérios técnicos, mas que beiram a subjetividade, é escolhida a escola campeã do Carnaval.

De acordo com o regulamento dos desfiles, quem escolhe os 54 jurados – seis por quesito – é o presidente da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba), Jorge Castanheira. Para chegar à lista, Castanheira afirma que é preciso um trabalho de observação. “Procuro pessoas com notório saber nas áreas. Para julgar alegorias, procuro alguém da área de cenografia, de artes plásticas. Para harmonia, um professor de música. O importante é que a pessoa tenha interesse, disponibilidade e, acima de tudo, consciência da responsabilidade que é julgar o Carnaval”, explica o presidente, que também afirma receber e-mails com currículos de interessados: “Eu os recebo e os entrevisto. Já aconteceu de eu selecionar jurados desta forma”.

Após a seleção, os jurados passam por um curso ministrado pelo próprio Castanheira na sede da Liesa, no centro do Rio. Em duas terças-feiras consecutivas, eles são divididos em dois grupos, de acordo com seus quesitos, e assistem à palestra com orientações baseadas no Manual do Julgador. Em 2017, houve uma novidade no processo: os integrantes das escolas não puderam participar das reuniões – o que, em muitos casos, causava constrangimentos aos jurados. Segundo o presidente, a alteração foi a pedido dos dirigentes.

Marcelo de Jesus/UOL
Viviane Araújo acompanha a apuração do Salgueiro na praça da Apoteose, em 2016 Imagem: Marcelo de Jesus/UOL
No curso são enfatizadas questões sobre o distanciamento necessário para o julgamento. “O jurado não pode ser tão próximo do mundo do Carnaval, mas não pode ser completamente alheio. Por isso, nós os instruímos a irem aos ensaios técnicos das escolas na Sapucaí. E, acima de tudo, para que não façam sua avaliação levando em conta a popularidade das escolas, muito menos sua predileção. Afinal, qualquer carioca que se interesse por Carnaval tem uma escola de coração. Mas, na cabine, é fundamental ter distanciamento crítico”, afirma Castanheira.

Outra novidade de 2017 é o jurado reserva. No domingo de Carnaval, às 20h, a Liesa fará o sorteio do posicionamento dos jurados. Dos seis de cada quesito, quatro serão efetivados e os outros dois serão suplentes, que julgarão da mesma forma, mas não terão suas notas computadas. A medida servirá para sanar um problema surgido no ano passado por conta do afastamento de Fabiano Rocha, que julgaria bateria e foi alvo de denúncias de algumas escolas por conta de áudios enviados pelo celular. O quesito ficou com três jurados e a nota mais alta foi repetida. “Se um fato como esse voltar a se repetir ou algum julgador passar mal e tiver que se ausentar, sua nota não será aberta e, sim, a do primeiro reserva”, explica Castanheira.

No dia do desfile, os jurados se encontram em um centro de convenções nas imediações do sambódromo e, de lá, seguem em micro-ônibus até as cabines de julgamento. No local, é vedada qualquer forma de comunicação com o mundo externo. Celulares devem ficar em modo avião e não pode haver interação com o público. Fotos são permitidas, até para que os julgadores possam se lembrar de detalhes interessantes para suas justificativas. Para ir ao banheiro, ele é acompanhado por uma pessoa do staff da Liesa. Após o desfile de domingo, todos retornam para casa com o rascunho das suas notas. O mapa só é fechado após o desfile de segunda-feira. As notas são levadas para o carro-forte pelo próprio presidente da Liga, em companhia de um representante da Riotur (empresa de turismo do Rio de Janeiro).

O procedimento traz um eterno questionamento dos sambistas: como o julgador consegue ficar imune às influências do noticiário e de comentários nas redes sociais entre as duas noites de desfile? Jorge Castanheira afirma que há uma orientação a respeito disso para os jurados: “Pedimos para que eles vão para casa e descansem apenas. Não liguem a TV e não procurem saber do que está sendo comentado para que façam um julgamento justo”.

Conheça a relação de julgadores que avaliarão as escolas no Carnaval de 2017:

Alegorias e Adereços
Madson Oliveira, Mauro Senna, Rebeca Kaiser, Soter Bentes, Teresa Piva e Walber Ângelo de Freitas

Bateria
Ary Jayme Cohen, Cláudio Luiz Matheus, Jorge Gomes, Philipe Galdino, Rafael Barros Castro e Sérgio Naidin

Comissão de Frente
João Wlamir, Marcus Nery Magalhães, Paulo César Morato, Rafaela Ribeiro, Raffael Araujo e Raphael David

Enredo
Artur Nunes Gomes, Johnny Soares, Luiz Antonio Araújo, Marcelo Figueira, Pérsio Gomyde Brasil e Valmir Aleixo

Evolução
Carolina Frajdenrajch, Edilberto Fonseca, Edileuza Batista de Aleluia, Fabiana Sobral, Paola Novaes e Salete Lisboa

Fantasias
Ana Cohen, Desirée Bastos, Gerson Martins, Helenice Gomes, Paulo Paradela e Regina Oliva

Harmonia
Bruno Marques, Célia Souto, Deborah Levy, Humberto Fajardo da Silva, Jardel Maia Rodrigues e Mirian Orofino Gomes

Mestre-sala e porta-bandeira
Áurea Hämmerli, Beatriz Badejo, Karen Mesquita, Marilene Telles, Mônica Barbosa e Paulo Rodrigues

Samba-enredo
Alfredo Del-Penho, Alice Serrano, Clayton Fábio Oliveira, Eri Galvão, Felipe Trotta e Mauro Costa Junior

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