Rio de Janeiro

Julgamento de escolas de samba no Rio tem histórico de polêmicas

Reprodução/Rede Globo
10.fev.2016 - A praça da Apoteose, no Rio de Janeiro, recebe os últimos preparativos para a apuração dos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro Imagem: Reprodução/Rede Globo

Anderson Baltar

Colaboração para o UOL, no Rio

10/02/2017 11h42

O concurso das escolas de samba foi criado no Rio de Janeiro em 1932 e, desde o início, envolve paixão e polêmica em sua apuração. No Carnaval 2017, 54 jurados avaliarão o Grupo Especial. Eles seguirão um regulamento que apresenta novidades, como um time de jurados reservas, que evitarão situações como a de 2016, quando um jurado de bateria foi afastado e o quesito bateria ficou com um julgador a menos. Veja incidentes que marcaram os quase 90 anos da disputa.

1939 – A campeã desclassificada

Uma das escolas de samba mais antigas do Rio de Janeiro, a Vizinha Faladeira era a campeã (em 1938 não houve concurso). Porém, a agremiação foi desclassificada por apresentar o enredo “Branca de Neve e os Sete Anões”, tido como de inspiração estrangeira – à época, apenas enredos nacionais eram permitidos. A frustração foi tão grande que a escola foi extinta, sendo refundada em 1989. Hoje, a Vizinha está na Série B (equivalente à terceira divisão do samba carioca).

1960 – Empate quíntuplo

Em um dos carnavais mais equilibrados da história, Salgueiro, Portela e Mangueira despontavam como favoritas. Ao serem lidas as notas, a Portela venceu. Porém, pela primeira vez foi aplicada a punição por cronometragem, tirando pontos de Portela e Mangueira, e dando o campeonato ao Salgueiro. Depois de muito bate-boca, a decisão saiu dias depois no gabinete do então secretário de Turismo, Mário Saladini. As cinco primeiras colocadas (Portela, Mangueira, Salgueiro, Império Serrano e Unidos da Capela) seriam proclamadas campeãs.

1965 – Casal fantasma

Há pouco mais de 50 anos, a hoje campeoníssima Imperatriz Leopoldinense fazia sua estreia no desfile principal. No entanto, as roupas do casal de mestre-sala e porta-bandeira não ficaram prontas e a escola desfilou sem eles. Porém, a jurada Enid Sauer não se fez de rogada e atribuiu as notas 6 e 8 para o casal.

1982 e 1989 – Da lanterna ao título

Viradas de mesa também são comuns na história do Carnaval. As mais famosas aconteceram em 1981 e 1988, quando Império Serrano e Imperatriz, respectivamente, ficaram em último e deveriam ser rebaixadas para o Grupo de Acesso. Porém, foram mantidas na divisão principal e, de quebra, foram campeãs nos anos seguintes com sambas hoje obrigatórios em qualquer antologia: “Bumbum Paticumbum Prugurundum” e “Liberdade, Liberdade, Abre as Asas sobre Nós”.

1983 – O furacão Messias Neiva

Em 1983, a atuação do jurado Messias Neiva em alegorias e adereços causou revolta. Ele deu a nota dez somente para a Beija-Flor, que conquistou o título com três pontos de vantagem sobre a Portela, que recebeu 6. Dentre as demais concorrentes, a nota mais alta foi a da Imperatriz, 8. Em entrevista após a apuração, ele afirmava não se recordar sequer da maioria dos enredos e admitia ter tirado pontos por causa de “destaques sonolentos que corriam risco ao cair dos carros”.

1986 – O doutor da galera

O craque Sócrates havia acabado de assinar contrato com o Flamengo e, em lua de mel com a vida carioca, foi convidado a ser jurado de bateria, a despeito de seu pouco conhecimento de causa. O “Doutor” foi bastante generoso, atribuindo nota dez a metade das escolas. Conforme é relatado no livro “Socrates e Casagrande, uma história de amor”, de Casagrande e Gilvan Ribeiro, o jogador utilizou-se de um inusitado método para atribuir as notas: a reação da plateia.

1987 – O engano de Marina Montini

A modelo Marina Montini, jurada de conjunto em 1987, cometeu um erro no preenchimento das notas. Ela preencheu apenas metade do grau de cada escola, atribuindo a todas notas de 4 a 6. No caso, da Mocidade Independente de Padre Miguel, ela não escreveu nota, apenas a justificativa: “Todas estão de parabéns, mas a Mocidade merece”. A comissão julgadora considerou a justificativa como nota máxima para a Mocidade. Mesmo assim, a verde e branca perdeu o Carnaval para a Mangueira.

Luiz Caversan/Folhapress
Carro 'Cristo Mendigo', coberto por plástico preto no desfile histórico de 1989 da Beija-Flor, criado por Joãosinho Trinta. A escola foi proibida pela justiça -- a pedido da cúria metropolitana -- de mostrar a alegoria na avenida Imagem: Luiz Caversan/Folhapress
1989 – Derrota amarga para a Beija-Flor

A Beija-Flor arrebatou o público com o antológico desfile “Ratos e Urubus, Larguem minha Fantasia”. Porém, perdeu o título para a Imperatriz no desempate em samba-enredo. Justamente na nota de João Máximo, que deu 9 alegando que o refrão “Lebaraô/Ôôô/Ebo ebará” era uma agressão à língua portuguesa. Porém, tratava-se de citação da religiosidade afro-brasileira, que tinha a ver com o enredo.

2007 – Cartola confuso

O então presidente do Fluminense, Roberto Horcades, foi jurado de conjunto e não utilizou as notas fracionadas em décimos. Resultado: suas notas foram as piores de muitas escolas. Por exemplo, a Unidos do Porto da Pedra recebeu 8,5 de Horcades, e 9,8 e 10 dos demais jurados.

2016 – Os áudios na internet

No ano passado, o jurado Fabiano Rocha foi afastado do julgamento após dirigentes da Beija-Flor terem tido acesso a um áudio de whatsapp em que ele, em conversa com uma amiga, admitia fazer “rodízio de notas”, dando dez para quem tinha penalizado no ano anterior. Em um trecho, ele dizia: “Eu não posso perder a boquinha, perder o network, por ideologia. Ideologia não paga conta, não". Ao tomar conhecimento da situação, a Liesa o afastou e o quesito bateria só teve três jurados.

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