Blocos de rua

Aos 53 anos, Banda de Ipanema entoa marchinhas politicamente incorretas

Giovani Lettiere

Colaboração para o UOL, no Rio

11/02/2017 20h27

Enquanto muitos blocos carnavalescos do eixo Rio-São Paulo resolveram este ano abolir de seus desfiles as marchinhas consideradas politicamente incorretas, a Banda de Ipanema prefere manter sua tradição. Na tarde deste sábado (11), ela tocou as músicas marcadas por letras apontadas como machistas, racistas ou misóginas em seu primeiro desfile no Carnaval carioca de 2017, na avenida Vieira Souto, em Ipanema, na zona sul da cidade.

A multidão que acompanhou o bloco cantou e dançou as marchinhas tradicionais, como "Índio Quer Apito", "Maria Sapatão", "O Teu Cabelo Não Nega" -- do verso "Mas como a cor não pega, mulata", considerado o mais ofensivo -- e "Cabeleira do Zezé". "São as marchinhas que as pessoas conhecem e gostam. Não tem polêmica nenhuma. É Carnaval!", defendeu a pensionista Maria Eunice da Silva Jitahy, de 78 anos, que há 30 frequenta os desfiles da Banda de Ipanema, considerada Patrimônio Cultural Carioca pela Prefeitura do Rio desde 2004.

Clássicos como "Carinhoso", de Ary Barroso, "Abre Alas", de Chiquinha Gonzaga, e "Cidade Maravilhosa", de André Filho para o Carnaval de 1935, também estiveram no repertório, assim como sambas-enredo de sucesso do Carnaval carioca.

O desfile deste ano da banda homenageou os centenários de nascimento de Antonio Callado, Chacrinha, Dalva de Oliveira, David Nasser, João Saldanha e Severino Araújo. Também foram lembrados os 120 anos de Pixinguinha. Uma equipe do filme sobre o mestre do sopro, dirigido por Denise Saraceni, gravou cenas da Banda para a fita durante o desfile.

Douglas Shineidr/UOL
A performer Isabelita dos Patins Imagem: Douglas Shineidr/UOL
Famosa pela irreverência e por abraçar a comunidade LGBT, a Banda de Ipanema abriu sua apresentação com suas tradicionais drag queens. Entre elas estava Isabelita dos Patins. "Estou voltando agora a andar de patins. Estou mais cuidadoso depois que tive um infarto há três anos. Andar sobre rodas força muito as pernas", explicou Isabelita, que fez sucesso tirando muitas selfies com os foliões.

Neste sábado, Desliga da Justiça e Banda de Ipanema mostraram que o uso de drones para captação de imagens deve ser uma febre na folia, apesar de o DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo) restringir o uso em áreas de grande concentração de pessoas.

Douglas Shineidr/UOL
Foliões se divertem com drone, usado para a captação de imagens da Banda de Ipanema, na zona sul do Rio Imagem: Douglas Shineidr/UOL
A Banda de Ipanema faz mais dois desfiles neste Carnaval: no sábado, dia 25 de fevereiro, e na Terça-Feira Gorda, dia 28.

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