Blocos de rua

Após tumulto, organização promete mais segurança no Memorial neste domingo

Jussara Soares

Colaboração para o UOL

12/02/2017 00h06

Com tumulto e invasão de público, Bangalafumenga e Sargento Pimenta anteciparam a folia em São Paulo neste sábado (11) com o evento Carnaval na Praça, no Memorial da América Latina, no bairro da Barra Funda.  A produção da Oficina de Alegria divulgou, inicialmente, um público rotativo estimado em 60 mil foliões. O local, no entanto, fechou todas as entradas ao atingir o limite de 10 mil pessoas. Por volta das 17h -- três horas após o início dos shows -- um portão foi arrombado e o público começou a pular as grades.

Foliões entraram no espelho d'água, nas áreas reservadas para deslocamento da imprensa e produção, e tomaram a passarela, que estava fechada para o público. Houve registro de brigas e furtos de celulares.

Neste domingo (12), o Carnaval na Praça continua a partir das 12h, com o bloco carioca Exagerado, que homenageia Cazuza, e a banda BaianaSystem. A Oficina de Alegria informou que vai reforçar a segurança e mudar os acessos de entradas e saídas para dar mais conforto ao público. No sábado, havia 120 seguranças.

Banga e Sargento -- que desfilam na capital desde 2012 -- estão entre os blocos que mais atraem público no Carnaval de São Paulo. Ambos já se apresentaram para mais de 100 mil pessoas, quando desfilaram na avenida Sumaré em 2014 e 2015. Esta é a primeira vez que desfilam em um espaço fechado e desagradam os fãs.

"Não estou gostando. Fiquei mais de uma hora na fila antes de conseguir entrar. Tem que ser na rua", disse a advogada carioca Danielle Silveira, de 22 anos, há seis morando em São Paulo. "Sempre passo o pré e o pós-Carnaval em São Paulo, mas isso está inviável", reclamou.

A multidão começou a se formar desde o metrô. "Parecia uma micareta na estação", contou o produtor de eventos Guilherme Cruz, 26 anos, que chegou ao local por volta das 16h20. "Os portões já estavam fechados e muita gente tentando entrar. E só cinco seguranças para conter", complementou.

Os amigos engenheiros Daniel Teixeira, de 29 anos, e Vinicius Espagnol, de 28 anos, pularam a grade e assistiram ao show de dentro do espelho d'água. "Entre ficar na fila e pular a grade, pulamos e ficamos direto na água. Não dá para ir para ouros lugares", disse Teixeira.

Com o calor acima de 31 graus, havia inclusive homens de sunga e crianças se refrescando no local.

Roberto Sungi/Futura Press/Folhapress
Com muita gente do lado de fora, o público do Carnaval da Praça quebrou parte do portão do Memorial Imagem: Roberto Sungi/Futura Press/Folhapress


A analista de processos Tatiane Vidal, de 25 anos, também cansou de esperar e aproveitou o portão que foi arrombado para entrar. "Eu estou curtindo muito, porque, apesar de muito cheio, consegui um lugarzinho para ficar", contou. A área a que ela se referiu era destinada a circulação de imprensa. "Quando a gente entrou, ainda estava proibido", reconheceu.

Na página do evento no Facebook, que contava com 15 mil confirmadas e 18 mil interessadas, os participantes postaram reclamações sobre a organização e falta de segurança no evento Memorial.

Líder do Bangalafumenga, o músico Rodrigo Maranhão admitiu que também estava sentindo diferença em não se apresentar na rua. "Viemos porque o Carnaval na Praça era um projeto bacana e bonito, mas talvez a gente tenha que saber que cresceu demais para fazer um evento com grades em plena época de Carnaval”, ponderou.

Maranhão ressaltou a relação do Banga, que embora de DNA carioca, tem com a capital. “Temos uma bateria paulista, com mestres daqui. Somos um bloco de São Paulo”, observou e comentou que por causa do crescimento ano a ano, o Banga tem precisado mudar de lugar. O bloco, sempre junto com Sargento Pimenta começou desfilando na Vila Madalena (2012 e 2013), seguiu para a Avenida Sumaré (2014 e 2015) e, em 2016, por determinação da Prefeitura teve de desfilar na Avenida Tiradentes.

A apresentação do Bangalafumenga começou por volta das 15h30 e seguiu até 18h, embalando o público ao som de canções brasileiras executadas por uma bateria de 220 ritmistas. O Sargento Pimenta, que faz uma releitura de músicas dos Beatles em ritmos carnavalescos, fez show entre 19h e 21h10, quando o som foi desligado e a multidão começou a dispersar.

Diretor da Oficina de Alegria, Cesar Pacci informou que, no início do evento, havia apenas dois portões de entrada, mas com a aglomeração de pessoas a produção abriu outros quatros portões, incluindo o que dá acesso à passarela.
 
"Fechamos os portões quando atingimos o limite acordado. Infelizmente quando tem uma multidão há sempre um exacerbado que tenta pular grade, invadir. Fizemos uma reunião e decidimos abrir os portões por segurança e para não ter uma sensação de invasão", disse Pacci, afirmando que não tiveram registros graves de segurança.

De acordo com informações do Memorial, não houve dano ao patrimônio. "Não incentivamos que as pessoas entrem nos espelhos d’água, mas acontece em outros eventos. A água é tratada e não há problema", disse Thiago Carvalho, gerente de comunicação do Memorial. De acordo com ele, a passarela tem estrutura para aguentar o peso das pessoas que subiram ao local.

Jussara Soares/UOL
Público se acomoda no espelho d'água do Memorial da América Latina para assistir aos shows pré-Carnaval Imagem: Jussara Soares/UOL

Fantasia coletiva

Antes do Memorial da América Latina ficar superlotado, foliões que chegaram mais cedo ao local conseguiam se divertir, dançar ao som do Banga e circular sem muita dificuldade pelo local. Vários grupos de amigos chamavam atenção por estarem com fantasias coletivas.

A relações públicas Maria Emília Garcia, de 27 anos, reuniu 30 amigos e com R$ 200 fizeram trajes de piratas, bandana e tapa-olho,  e até um barco. “É um bloco dentro de um megabloco. É um jeito que nós arrumamos para ficarmos juntos e ninguém se perder”, contou.

Outro grupo de nove amigos se juntou para anunciar coletivamente que fazem “papel de trouxe”. “Faço papel de trouxa o tempo inteiro. Principalmente na vida pessoal”, justificou a arquiteta Carolina Codarin, de 26 anos.

Fãs de sertanejo, o estudante José Oliveira, de 23 anos, e seis amigos, resolveram escrever versos de músicas sertanejas no corpo, como “Se organizar todo mundo beija”, de Zé Neto e Cristiano, e “O cachaceiro virou homem de família”, de Gusttavo Lima. “Somos sertanejo de raiz, de coração, e viemos divulgar essa filosofia no Carnaval.”

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