Blocos de rua

Carnaval na Vila Madalena teve esquenta com estreia de bloco feminista

Reinaldo Canato/UOL
Com sessenta mulheres na bateria, bloco feminista Pagu estreia no pré-Carnaval da Vila Madalena Imagem: Reinaldo Canato/UOL

Carlos Minuano

Colaboração para o UOL, em São Paulo

12/02/2017 08h04

O ensaio do bloco feminista Pagu, que estreia esse ano no Carnaval, foi a grande novidade do esquenta na Vila Madalena na tarde de sábado (11). Com sessenta mulheres na bateria, o grupo quer embalar a folia com personalidade feminina e brasileira. E, claro, chamar a atenção para uma face nada divertida da festa. "É a época do ano em que o sexo feminino mais sofre violências", diz a cineasta Thereza Menezes, 31, umas das fundadoras do grupo.

No repertório, só o melhor do cancioneiro feminino brasileiro. "Vamos de marchinhas da Carmem Miranda até sucesso mais recentes de Elza Soares", diz a cofundadora do bloco, a também cineasta Mariana Bastos, 35.

"Tiramos as marchinhas machistas e destacamos hinos feministas", diz Mariana. Entre os destaques desse hinário, "Maria Maria" -- que é de Milton Nascimento, mas foi consagrada na interpretação de Elis Regina -- e, claro, "Pagu", de Rita Lee.

Reinaldo Canato /UOL
Fantasiado de Carmem Miranda, o alemão Yunes Qasem se prepara para curtur pela primeira vez o carnaval brasileiro Imagem: Reinaldo Canato /UOL

E as organizadoras garantem que o feminismo do bloco não é excludente. "Podem vir todos, inclusive os meninos, o que queremos é chamar a atenção para a necessidade da igualdade e do respeito", ressalta Thereza. "Se eu quiser sair pelada, isso não significa que você pode tocar em meu corpo, a não ser que eu queira", argumenta Mariana.

O bloco Pagu estreia no Carnaval de rua paulistano no dia 28. A concentração será no Pátio do Colégio, às 15h. De lá, as meninas passam pelo mosteiro de São Bento, sobem a rua Líbero Badaró, atravessam o viaduto do Chá e encerram em frente ao Teatro Municipal.

Outro grupo que agitou a região neste sábado foi o João Capota na Alves, que completa em 2017 uma década no Carnaval de rua de São Paulo. "Aqui não tem abadá, camiseta. Queremos a fantasia, que lembra o Carnaval de antigamente", diz o professor de português Pedro Viana, 35, vestido de Minnie.

Mas o Carnaval marcado para as 14h demorou bastante para começar. Talvez por causa do calor e da facilidade de ter cerveja gelada na mesa, afinal o ensaio aconteceu em frente a uma padaria, na esquina das ruas João Moura e Arthur Azevedo. Ninguém reclamou.

O bloco, que sai no dia 25 do metrô Sumaré e desce a rua Arthur de Azevedo até chegar à João Moura, apresenta uma marchinha comemorativa pela primeira década de folia do grupo. Chamada "Dez Anos Nus", a música inspira parte das fantasias dos foliões. 

O professor de química Beto Castro, 48, e seu filho Pedro, 16, resolveram desfilar com bumbuns de plástico comprados na rua 25 de Março. "Escolhemos por causa da música", conta Beto, folião que também desfila todo ano na Dragões da Real.

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A atriz Alexandra da Matta, 39, que puxa há sete anos as marchinhas do bloco João Capota na Alves e ganhou o apelido de Jameloa Imagem: Reinaldo Canato/UOL
O uso de fantasia tem a ver com o espírito do bloco, diz Jameloa -- alcunha da atriz Alexandra da Matta, 39, que puxa há sete anos as marchinhas do bloco. "Surgimos desse movimento de resgate do Carnaval de rua paulista. Na década de 20, era o mais importante do país, queremos isso, o povo na rua".

Por causa do atraso, o bloco perdeu uma hora de desfile com as novas regras do Carnaval de São Paulo. "Não questiono as mudanças, mas não gostei da forma imposta como foi colocada, sem diálogo", disse o mestre de bateria do bloco, Rogerio Bastos, que também é baterista do músico Tom Zé.

Entre os adeptos do João Capota na Alves, vestido de mulher, estava o alemão o alemão Yunes Qasem, que vai curtir pela primeira vez o Carnaval brasileiro a bordo do bloco. Nesta prévia, ele já se mostrou adaptado. "Também tem carnaval lá", disse.

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A estudante Joyce Rodrigues usa boné de enfermeira no bloco Pagu: "Camisa é coisa de quem vai correr atrás de trio elétrico, aqui tem que ir fantasiado" Imagem: Reinaldo Canato /UOL

No mesmo bairro, um dos blocos mais tradicionais de São Paulo -- o Bando 7 -- levou uma multidão no cortejo que saiu da esquina das ruas Harmonia e Purpurina. O clima do grupo foi perfeito para a pequena Lavinia Satiro, de dois anos, que veio de Suzano, Grande São Paulo, com a mãe, a vendedora Rubia Bianca, de 23. "Estou adorando, valeu a viagem".

O bloco é adepto do abadá, mas a estudante Joyce Rodrigues, 25, mostrou sua preferência com um boné de enfermeira. "Camisa é coisa de quem vai correr atrás de trio elétrico, aqui tem que ir fantasiado".

"Não vai ter dispersão"

A rainha de bateria do Bando 7, a publicitária Juliana Sucupira, 32, desfilou por muitos anos na escola de samba do bairro, a Pérola Negra, mas desta vez vai curtir o Carnaval nas ruas. Para ela, a dificuldade será fazer a multidão dispersar no horário previsto. "Não sou contra as mudanças, as pessoas passam dos limites".

Com 30 anos de Carnaval no bloco e na Pérola, o integrante da velha guarda Velho Rico, 60, afirmou com os dois pés juntos: "não vai ter dispersão". Ele garantiu que apenas o carro de som será desligado, para não levar multa. "Vamos amanhecer o dia aqui", prometeu.

No beco do Batman, também teve ensaio do bloco Macaco Cansado. Lá, porém, a bateria teve que se esforçar para não perder o público que dispersava fazendo selfies nos muros grafitados do ponto turístico. Para o Carnaval, o grupo também não pretende mandar os foliões para casa. "Não adianta parar o bloco, a galera vai continuar na rua", analisou a jornalista Laís Maciel, 28.

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