Blocos de rua

Carnaval no Memorial foi catarse coletiva, diz vocalista do BaianaSystem

Jussara Soares

Colaboração para o UOL

13/02/2017 20h53

O cantor e compositor Russo Passapussso, de 34 anos, vocalista da banda BaianaSystem, amanheceu rouco nesta segunda (13). A alteração da voz é efeito direto do show que promoveu uma catarse coletiva, no dia anterior, no evento Carnaval na Praça, realizado no Memorial da América Latina, na Zona Oeste de São Paulo.

“Quem viu o show fomos nós que estávamos no palco. E a gente respondeu ao público com música”, disse Russo, que incendiou a multidão com seus gritos, seu gingado e sua energia baiana estampada na camiseta: “Oxe, Axé, Exu”.




Quando vociferou “cavalo do cão”, marimbondo com a mordida mais dolorida do mundo, rodas se abriram na multidão como num ritual, com gritos, pulos e socos no ar. “O público precisa se comunicar. O grito é uma necessidade natural contra questões das ruas, raciais, sexismos. O público no Memorial precisava também dessa catarse coletiva”, definiu o vocalista do BaianaSystem, que tem como integrantes o guitarrista Roberto Barreto, o baixista SekoBass e Filpe Cartaxo, responsável pela identidade visual da banda.

O público rotativo estimado em 25 mil pessoas, segundo os organizadores do Carnaval na Praça, foi o maior já reunido em São Paulo pela banda, considerada uma das melhores de 2016.  Depois de Salvador, diz Russo, a capital paulista não é apenas a cidade em que eles mais se apresentam, mas também é que mais tem compreensão do som que fazem.

“E tocar nessa época de pré-Carnaval, promovendo a ocupação do espaço público, e durante o dia, com a presença da energia solar nas pessoas, fez toda a diferença”, disse o cantor, em entrevista ao telefone ao UOL.  Quando a chuva caiu, nada mais foi capaz de baixar a temperatura do show.

Tudo o que se viu no domingo no Memorial, Russo atribui diretamente ao público. Afinal, explica o músico, é a reação da plateia que determina o que acontece no show do BaianaSystem:  gritos, riffs de guitarras, viradas de percussão, beats altas e grooves. Com dois discos lançados, "BaianaSystem" (2010) e "Duas Cidades" (2016), as apresentações nunca são uma reprodução ao vivo das gravações. “O Baiana não é uma bolha. Existe uma quarta parede que é sempre quebrada e nos leva ao nosso experimentalismo”, resume.

É certo que no Memorial a parede desapareceu por completo e a multidão mergulhou nos experimentalismos da banda. É um caminho sem volta, em que é impossível ficar imune à vibração da mistura eletrizante da guitarra baiana, com hip-hop, samba-reggae, ijexá e outros ritmos afro-latinos com o soundsystem jamaicano.

Aos paulistanos, um recado. O êxtase após o show de domingo foi de ambas as partes. BaianaSystem agora se prepara para se apresentar no Carnaval de Salvador, mas Russo já pensa em voltar para São Paulo na folia de 2018. “Se depender de mim, o Carnaval do ano que vem estamos de volta.”

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