Minas Gerais

Com ironia a quem protestou batendo panela, marchinha ganha concurso em BH

Fábio Motta/Estadão Conteúdo
Imagem: Fábio Motta/Estadão Conteúdo

Rayder Bragon

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

13/02/2017 18h57

A marchinha intitulada “O Baile do Cidadão de Bem”, contendo na letra ironia a políticos e às manifestações que ocorreram a favor do impeachment de Dilma Rousseff, foi a vencedora do “Concurso de Marchinhas Mestre Jonas”.  A sexta edição do evento, que faz parte do calendário carnavalesco da cidade, foi realizado em Belo Horizonte, neste fim de semana.

A música é de autoria de Jhê Delacroix e Helbeth Trotta, que levaram R$ 6 mil de premiação mais um troféu.



Conforme a composição, o denominado “cidadão de bem” seria aquela pessoa que comete irregularidades cotidianas, mas protesta contra a corrupção.

A cantora e compositora Jhê Delacroix disse ao UOL que a dupla pesquisou o termo “cidadão de bem” e teria descoberto que ele dava nome a um jornal da Ku Klux Klan, grupo dos Estados Unidos que pregava a supremacia branca e praticava violência contra os negros.

“A ideia nasceu de uma pesquisa sobre esse termo e o contexto social no qual estamos vivendo. O diferencial e a essência das marchinhas é mostrar o que está rolando, em um determinado contexto, de uma forma irônica, mostrar como se fosse uma denúncia, uma exposição de algum fato que está acontecendo na sociedade’, disse a intérprete.

Delacroix, que é do Rio de Janeiro, mas mora em Belo Horizonte há quatro anos, ainda criticou a aceitação de “slogans” ou termos por parte das pessoas que, por seu turno, não se dedicam a conhecer com profundidade o que estão reproduzindo em diálogos com outras pessoas.

“Parte da sociedade se apropria de um termo sem nem saber de onde ele vem. A gente repercute sem nem saber do que se trata”, avaliou a compositora.
Ela ainda fez referência a uma certa “dualidade” presente no cotidiano de quem se autointitula com o termo que dá título à música.

“Essa pessoa com caráter, da família tradicional, que não aceita que nada fuja da linha, mas que na verdade, é muito cruel, um “assassino”, de certa forma. Tanto é que tem uma parte da marchinha onde a gente fala: “bandido bom é bandido morto, porém, sou humanista, não sou a favor do aborto”. Existe um paradoxo aí”, descreveu.

Delacroix se posicionou de maneira contrária ao governo de Michel Temer.

“Não precisa dizer muita coisa. Está muito claro que foi uma grande manipulação para conseguir fazer várias coisas que estão fazendo agora. Então, para mim, o golpe está claro, não tem que ficar explicando”, afirmou, para em seguida concluir: “essa fase de explicação já passou.

A gente está vendo um tanto de direitos sendo destruídos de uma hora para outra. Aquela falácia de quem dizia que era contra a corrupção, agora está calado. A corrupção está acontecendo muito mais na cara, as pessoas delatadas [referindo-se à Operação Lava Jato] e ninguém está falando nada’, declarou. 

A cantora disse ter ficado surpresa com a repercussão da marchinha. Segundo ela, várias pessoas estão cantando a letra em blocos pré-carnavalescos.

Ao todo, 191 marchinhas foram inscritas no concurso, sendo que somente cinco foram escolhidas como as mais bem colocadas e com direito a premiações em dinheiro.

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