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Minas Gerais

Antes deserta na folia, BH quer atrair 2,4 milhões neste Carnaval

Andre Fossati
Bloco Então Brilha imagem: Andre Fossati

Miguel Arcanjo Prado

Colaboração para o UOL

Dez anos atrás, passar o Carnaval em Belo Horizonte era sinônimo de descanso. A cidade ficava deserta. Os animados precisavam rumar para as cidades históricas mineiras ou mesmo Rio e Salvador. Contudo, em uma virada rápida desde 2009, tudo mudou. Em poucos anos, a folia voltou com tudo às ruas e a capital mineira espera 2,4 milhões de foliões neste ano, o que será recorde de público da festa.

O Carnaval belo-horizontino viveu dias de glória nos anos 1980, com desfile de escolas de samba e do Afoxé Ilê Odara, o primeiro bloco afro de Minas Gerais. Contudo, a partir dos anos 1990, a festa perdeu força, ignorada pelo poder público.

A folia foi retomada de forma espontânea e democrática pela própria população, a partir da mobilização de jovens artistas e músicos da cena cultural da cidade que recuperaram a tradição dos blocos, com pioneiros como os blocos do Peixoto, Tico Tico Serra Copo e Praia da Estação, este último em frente à fonte da praça da Estação, no centro.

Desde então, a cada ano, tudo cresceu e blocos gigantes surgiram como o Alcova Libertina, o Baianas Ozadas e o Então Brilha, arrastando milhares de pessoas. Neste Carnaval, há 350 blocos registrados, segundo a Belotur, órgão ligado à Prefeitura de Belo Horizonte, responsável pela festa.

Presidente da Belotur, Aluizer Malab reitera: “Este será com certeza o maior Carnaval da história de Belo Horizonte”. O poder público, que chegou num primeiro momento a enfrentar a folia de rua e inclusive a desligar a fonte da praça da Estação que refrescava os foliões, agora não vê outra alternativa senão abraçar a festa. Tanto que o slogan oficial é “A cidade é sua. A festa é na rua”.

Isso de olho no impacto econômico gerado pelo folião. Só em 2016 o Carnaval injetou R$ 54,7 milhões na economia de BH, com gasto médio de R$ 157,61 por folião. A Belotur espera que a cifra cresça este ano. Só de ambulantes há 9.400 cadastrados. E 4.000 funcionários públicos vão trabalhar na folia.

Com tantos números, muita gente só deseja que o Carnaval de BH mantenha sua essência democrática. Caso de Cristal Lopez, bailarina e performer negra e trans rainha de diversos blocos da cidade e se tornou a musa automática da festa. Ela faz questão de ressaltar a força feminina na folia: “Nós mulheres estamos dominando as baterias”. E aproveita para fazer uma confissão: “Tenho medo que privatizem o Carnaval de BH. Isso não pode acontecer. É uma festa que deve continuar popular e democrática”, decreta, soberana.

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