Rio de Janeiro

Ato com candomblé, umbanda e catolicismo lava a Sapucaí para o Carnaval

Marcela Ribeiro

Do UOL, no Rio

20/02/2017 00h20

Banho de arruda, tambor, Pai Nosso e um único objetivo uniu grupos religiosos do candomblé, da umbanda e do catolicismo -- representado por padre Antônio, da arquidiocese do Rio de Janeiro -- na lavagem do sambódromo neste domingo (19).

Há 40 anos, Ruth Pinheiro participa deste momento e explica a importância do ato. "Nós trazemos a paz, a união, uma corrente do bem e do amor para que tudo dê certo durante o Carnaval".

Marcela Ribeiro/UOL
"Nós trazemos a paz, a união, uma corrente do bem e do amor", explica Ruth Pinheiro, que participa do ato com Mariah da Penha Imagem: Marcela Ribeiro/UOL
Ao lado dela, Mariah da Penha já perdeu as contas do tempo que participa da lavagem. "Trazemos axé. É um ano difícil, de acontecimentos e desastres, e pedimos a proteção do nosso pai Oxossi", conta.

Antes da cerimônia, que antecedeu o desfile técnico da Mangueira, o público ouviu "Nossa Senhora", de Roberto Carlos, e "Faz um Milagre em Mim, de Regis Danesse.

A lavagem começou com toque de tambores do centro espírita Vovó Carolina. Uma imagem de São Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro, participou do cortejo, que além dos membros religiosos, trouxe muitas crianças de escolas de samba mirins.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira Dafne Mirelle, 7, e Arthur de Oliveira, 6, da Aprendizes da Penha, deu um show de fofura e talento.

Em sua estreia na Sapucaí, o pequeno Arthur não escondia a empolgação e o cansaço na avenida. Já Dafne não perdeu a pose e sambou sem parar em cima de botinha dourada de salto alto, enquanto ouvia dezenas de elogios e pedidos de fotos.

"Estou emocionada. Que momento lindo", dizia ela.

No final do cortejo, animado pela bateria da Unidos da Tijuca e com sambas famosos de Mangueira, Salgueiro, Portela e Vila Isabel, puxados por Dudu Nobre e outros cantores, uma bandeira chamou a atenção.

A imagem de Marcos Falcon, presidente da Portela, assassinado a tiros em setembro do ano passado, com os dizeres "Eterno Guerreiro", homenageou o portelense e encerrou a lavagem do sambódromo, como um pedido de paz no Carnaval.

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