Rio de Janeiro

Aos 23 anos, rainha de bateria da Mangueira revela: "Bato um pratão"

Ana Cora Lima

Do UOL, no Rio

24/02/2017 08h44

No ano passado, quando a Mangueira foi campeã do Carnaval do Rio homenageando a cantora Maria Betânia, Evelyn Bastos chocou a Sapucaí com sua fantasia de fera minúscula e um corpão de tirar o fôlego. E quem vê as belas curvas da rainha de bateria da Verde e Rosa não acredita que, durante o ano inteiro, ela passa longe das dietas. Ao contrário de muitas musas e majestades do samba, seu negócio é comer. 

"Eu bato um pratão. Como tudo: pizza, fast-food, feijoada, farofa, massas, coxinha, pão de queijo, e por aí vai. Não tem tempo ruim", enumera ela, que tem 23 anos. "Perto do Carnaval, duas semanas antes do desfile, dou uma controlada. Aí passo fome mesmo. É um sacrifício danado, tudo por conta do biótipo que se vende de uma rainha de bateria. A minha sorte é que eu não tenho tendência para engordar, mesmo comendo de tudo. E eu malho muito".

Quando Evelyn diz que "malha muito", acredite: ela pega pesado nos aparelhos, nos pesos e nos agachamentos porque adora exercícios físicos. Não é à toa que ela escolheu estudar educação física na UFRJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), onde vai se formar no fim deste ano. As aulas que ela frequenta são ao lado da Mangueira, onde nasceu e vive até hoje com a mãe, Valéria Valéria, 47, que foi rainha de bateria da Mangueira entre 1987 e 1989, e da irmã Emelyn Bastos, que já foi majestade da escola mirim Mangueira do Amanhã. "O gingado está no sangue", diz ela, que está em seu quarto ano à frente dos ritmistas da Mangueira.

Eduardo Ferreira/UOL
Evelyn tem 23 anos e é cria da Mangueira e filha de uma ex-rainha de bateria da escola Imagem: Eduardo Ferreira/UOL

O começo de tudo

Evelyn virou passista aos 4 anos graças a um projeto social para futuros sambistas. Quando entrou, ela já sabia sambar, mas aprendeu muito com professoras que foram também majestades da agremiação, como Tânia Bisteka, Fabiana Oliveira e Márcia Mangueira. "Elas, a minha mãe e a Viviane [Araújo] são as minhas referências de samba no pé e carisma como rainha", conta a mulata, que pretende seguir mais alguns anos no cargo. "Eu acredito que ainda tenho muito gás. Mas, se não for mais vontade da direção, tudo bem. Eu estou rainha da bateria da Mangueira com muito orgulho, respeito e humildade". 

Pouco vaidosa, como se assume, Evelyn não usa batom, não gosta de maquiagem muito carregada, às vezes se esquece de passar cremes nos rosto e no corpo e prefere deixar os cabelos soltos. "Eu gosto da coisa mais natural, meio selvagem", diz, aos risos, a moça dona de uma personalidade forte e que mantém dois projetos sociais. "Tenho um curso de samba chamado Quadril de Mola, e o SAC, que significa Samba, Amor e Carnaval e distribui quentinhas, água potável e roupas para moradores de rua".

Sobre religiosidade, tema do enredo da Mangueira esse ano, ela revela ser uma mulher de fé, devota de Nossa Senhora de Aparecida e que faz muitas orações antes de entrar na avenida para tentar controlar o nervosismo. "A adrenalina é a mesma desde o primeiro dia em que pisei na Sapucaí. Dá mesmo um friozinho na barriga", admite Evelyn, que não teme inveja nem olho grande. "Não penso nessas coisas. Isso só atrapalha".

Supersticiosa, ela evita dar detalhes sobre a fantasia que irá usar no desfile. "Não posso contar nada. É um tipo de quebra-cabeça e quem for muito religioso vai entender", adianta a rainha, que sempre acompanha de perto a confecção da sua fantasia. "Sento com o carnavalesco Leandro Vieira e ele me dá total liberdade, desenha na minha frente porque sabe que não gosto de nada muito pesado ou que me incomode. A plataforma, nos pés, é gigante. Desfilo com salto de 14 cm ou 15 cm e, no final, meus pés ficam arrebentados", conta a moça que está "meio solteira, meio namorando". "Meu estado civil no momento é enrolada". 

**Figurinos e acessórios: Rita Borell. Beleza: Luís Lima (hair design) e Fabiana Leiroza. Agradecimentos: Santo Scenarium/Grupo Scenarium

Eduardo Ferreira/UOL
A rainha de bateria da Mangueira assume ser pouco vaidosa, não gostar de usar batom nem maquiagem pesada e evita ao máximo prender os cabelos. "Gosto de ser o mais natural possível. Uma coisa mais selvagem", brinca Imagem: Eduardo Ferreira/UOL

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